Exportações de carne bovina começam 2026 em alta e embarques totalizaram 278 mil toneladas

Com receita de US$ 1,4 bilhão em janeiro e avanço nas vendas para China e Estados Unidos, setor reforça protagonismo do Brasil no mercado global — apesar de novas limitações comerciais nas exportações de carne bovina

O setor brasileiro de carne bovina iniciou 2026 com desempenho robusto no comércio exterior, repetindo o ritmo de crescimento nas exportações de carne bovina observado ao longo de 2025. Logo no primeiro mês do ano, a cadeia produtiva — que inclui carne in natura, industrializados e subprodutos — gerou US$ 1,416 bilhão em receitas, resultado que representa alta de 37,9% em relação a janeiro do ano passado.

Em volume, os embarques totalizaram 278 mil toneladas, avanço de 16,4% frente às 239 mil toneladas exportadas no mesmo período de 2025, quando o faturamento havia alcançado US$ 1,027 bilhão. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Esse desempenho nas exportações de carne bovina reforça a competitividade da proteína brasileira e sinaliza um ano que pode manter o país na liderança global das exportações.

China segue dominante, mas com limites

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por 43,1% do volume embarcado e 45,9% das receitas do setor. Em janeiro, os chineses importaram 119,96 mil toneladas, com faturamento de US$ 650,33 milhões — crescimento de 44,9% na comparação anual.

Quando considerado apenas o segmento de carne in natura, a participação chinesa foi ainda maior: 51,2% do volume e 50,34% das receitas.

Apesar do forte apetite, o mercado deve enfrentar restrições ao longo de 2026. O governo chinês estabeleceu uma quota de 1,1 milhão de toneladas, e os volumes que ultrapassarem esse limite estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, fator que pode dificultar — ou até inviabilizar — negócios acima do teto.

Estados Unidos ampliam compras

Os Estados Unidos consolidaram a segunda posição entre os importadores e registraram uma das maiores expansões do período. As vendas de carne bovina in natura cresceram 92,7%, somando US$ 161,6 milhões, enquanto o volume avançou 62,9%, chegando a 26,96 mil toneladas.

Considerando também os subprodutos, o faturamento total com o mercado norte-americano atingiu US$ 193,74 milhões, alta de 39,41%, movimento que reflete a recuperação da demanda naquele país.

A União Europeia apresentou retração nas compras de carne in natura, com queda de 5,91% nas receitas e 11,7% no volume, que ficou em 6,52 mil toneladas.

Ainda assim, o resultado negativo nessas exportações de carne bovina foi compensado por maiores vendas de produtos como carne industrializada e sebo bovino fundido. No consolidado, o bloco movimentou US$ 84,93 milhões, crescimento de 26,4%.

Mercados emergentes ganham espaço

Outros destinos também ampliaram participação e ajudaram a sustentar o avanço das exportações brasileiras:

  • Chile: 9.980 toneladas (+22,9%) e US$ 57,5 milhões (+27,5%).
  • Emirados Árabes Unidos: receita de US$ 38,8 milhões (+171,9%) com 7.382 toneladas (+142,9%).
  • Egito: 8.450 toneladas (+77,5%) e US$ 35,2 milhões (+134,1%).
  • Países Baixos: salto de 1.565 para 10.411 toneladas, com faturamento de US$ 33,4 milhões.

Ao todo, 99 países aumentaram suas compras, enquanto outros 40 reduziram aquisições, indicando expansão geográfica da carne brasileira no mercado internacional.

Perspectiva para 2026 nas exportações de carne bovina

O início do ano mostra um cenário favorável para a pecuária exportadora, sustentado por demanda aquecida e maior diversificação de destinos. No entanto, barreiras comerciais e políticas de salvaguarda, especialmente na Ásia, devem exigir estratégia das indústrias e atenção redobrada dos exportadores.

Se mantido o ritmo de janeiro, o Brasil tem potencial para repetir — ou até superar — os recordes recentes, consolidando as exportações de carne bovina como um dos pilares da balança comercial do agronegócio.

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