Com embarques recordes, receita bilionária e valorização do preço médio por tonelada, exportações de carne bovina sustentam cenário firme para a pecuária brasileira em 2026
O desempenho das exportações brasileiras de carne bovina in natura em fevereiro de 2026 confirma um momento de forte aquecimento no comércio exterior e ajuda a explicar o movimento consistente de valorização do boi gordo no mercado interno. Os números mostram avanço expressivo tanto em volume quanto em receita, consolidando um cenário de demanda internacional aquecida e preços em trajetória de alta.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Compre Rural, o Brasil embarcou 192,72 mil toneladas de carne bovina in natura (resfriada, congelada e fresca) no acumulado das três primeiras semanas de fevereiro (13 dias úteis), volume que já supera todo o total exportado em fevereiro de 2025, quando foram registradas 190,4 mil toneladas ao longo de 20 dias úteis.
O ritmo de embarques impressiona. Nos 13 dias úteis analisados, a média diária foi de 14,82 mil toneladas, representando um avanço de 55,7% em relação à média diária de fevereiro do ano passado, que foi de 9,52 mil toneladas .
Esse crescimento acelerado reforça a percepção de que a demanda internacional segue firme, absorvendo volumes crescentes da proteína brasileira. O reflexo direto é a sustentação dos preços no mercado doméstico, especialmente em um momento de oferta ajustada em algumas praças pecuárias.
Receita supera US$ 1 bilhão em apenas três semanas
O desempenho financeiro foi ainda mais robusto. As vendas externas dos frigoríficos brasileiros totalizaram US$ 1,082 bilhão nas três primeiras semanas de fevereiro, superando os US$ 938,4 milhões obtidos em todo o mês de fevereiro de 2025 .
A receita média diária alcançou US$ 83,21 milhões, um salto de 77,3% em comparação com o faturamento médio diário de fevereiro do ano passado, que havia sido de US$ 46,92 milhões .
O avanço mais intenso da receita em relação ao volume indica não apenas maior quantidade exportada, mas também melhora nas condições de preço.
Preço médio da tonelada também sobe
Outro dado relevante é a valorização do produto brasileiro no mercado internacional. O preço médio da carne bovina embarcada no acumulado das três semanas de fevereiro atingiu US$ 5.613,4 por tonelada, um aumento de 13,9% frente ao valor médio de fevereiro de 2025, que foi de US$ 4.928,2 por tonelada .
Esse movimento confirma que o Brasil não está apenas vendendo mais, mas também vendendo melhor, com preços superiores aos praticados no mesmo período do ano anterior.
Projeção aponta novo recorde para fevereiro
A tendência é de que o mês feche com resultado histórico. Segundo avaliação do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), caso a média diária de embarques seja mantida nos cinco dias úteis restantes, o volume total exportado pode atingir 266,83 mil toneladas, estabelecendo um novo recorde para o mês de fevereiro .
Vale lembrar que janeiro de 2026 já havia registrado recorde para o período, reforçando a sinalização de exportações robustas ao longo de 2026, cenário que tende a sustentar a demanda nos próximos meses .
Impactos no mercado interno
O forte ritmo de exportações de carne bovina ajuda a explicar o ambiente mais firme para o boi gordo no Brasil. Com maior parcela da produção destinada ao mercado externo, a oferta interna fica mais ajustada, criando condições para valorização das arrobas, especialmente em praças com escalas mais curtas.
Além disso, o aumento do preço médio por tonelada exportada fortalece a margem das indústrias exportadoras, permitindo maior competitividade na disputa pela matéria-prima.
Exportações de carne bovina: Perspectivas para 2026
O desempenho acumulado no início do ano indica que 2026 pode se consolidar como mais um ciclo de forte protagonismo do Brasil no mercado global de carne bovina. Com demanda internacional ativa, preços em recuperação e volumes recordes, o setor entra no ano com fundamentos sólidos.
Se o ritmo atual for mantido, o país poderá não apenas ampliar sua participação no comércio mundial, mas também reforçar a sustentação dos preços internos, mantendo o boi gordo em patamar firme nos próximos meses.
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