Exportações de insumos agrícolas bateu recorde com US$ 976 milhões em 2025

Indústria de insumos agrícolas bateu recorde no comércio exterior em 2025; exportações do setor alcançaram a melhor marca em 14 anos, com US$ 976 milhões

O comércio exterior da indústria brasileira de insumos agrícolas terminou 2025 com um resultado histórico: as exportações do setor somaram US$ 976 milhões, alcançando a melhor marca dos últimos 14 anos e confirmando uma retomada consistente do desempenho externo do segmento. O dado integra o levantamento do CropData, plataforma de dados da CropLife Brasil, e mostra também que o Brasil segue altamente dependente da importação de insumos, especialmente defensivos químicos.

Enquanto o avanço das exportações chama atenção pela relevância estratégica — afinal, o país não apenas consome insumos em escala global como também amplia sua presença no mercado internacional —, o balanço deixa claro que o agronegócio brasileiro continua operando com forte volume de compras externas: as importações chegaram a US$ 14,3 bilhões em 2025, indicando a dimensão da cadeia produtiva e o tamanho da demanda nacional por tecnologias e matérias-primas.

Exportações crescem e atingem melhor marca em 14 anos

O principal destaque do levantamento é o novo recorde das exportações: US$ 976 milhões em 2025, valor que representa crescimento de 7% em comparação com 2024 e consolida o melhor resultado do setor desde o início da série considerada no relatório.

No detalhamento por segmentos, o desempenho foi sustentado principalmente pelos produtos químicos:

  • Químicos: 66% das exportações
  • Sementes: 27%
  • Bioinsumos: 7%

Na prática, isso reforça que o Brasil não é somente um grande consumidor de tecnologias agrícolas, mas também vem se posicionando para exportar parte relevante do que é produzido e formulado pela indústria nacional, especialmente dentro da categoria de químicos e sementes.

Importações chegam a US$ 14,3 bilhões e confirmam dependência do setor

Do lado das importações, os números mostram um avanço expressivo em 2025, com US$ 14,3 bilhões em compras externas de insumos agrícolas. E o peso dos defensivos químicos é absoluto:

  • 96,3% defensivos químicos
  • 2,2% bioinsumos
  • 1,5% sementes

Dentro desse recorte, a importação de químicos (incluindo matéria-prima industrial, produto técnico e produto formulado) chegou a US$ 13,8 bilhões, com alta de 15% em relação a 2024 — um incremento de US$ 1,8 bilhão no período.

Volume importado bate recorde: 1,76 milhão de toneladas em 2025

Se os valores financeiros já são altos, o volume físico importado também impressiona. Em 2025, a indústria registrou recorde de 1,76 milhão de toneladas, um crescimento de 23% na comparação com 2024, com recordes em diferentes categorias:

  • 1,04 milhão de toneladas de produto formulado (recorde)
  • 0,37 milhão de toneladas de matéria-prima (recorde)
  • 0,35 milhão de toneladas de produto técnico

Esse cenário ajuda a explicar por que, mesmo com exportações em alta, o Brasil mantém uma balança extremamente movimentada e dependente das cadeias internacionais — especialmente quando o assunto é defensivos.

China lidera como origem das importações e domina segmentos estratégicos

O levantamento também mostra que a China segue como a principal origem das importações, com US$ 6,0 bilhões, muito à frente de outros fornecedores internacionais. Na sequência aparecem:

  • Índia: US$ 2,0 bilhões
  • Estados Unidos: US$ 1,6 bilhão

Além de liderar em valor, a China também é protagonista no volume e na participação por tipo de produto importado. Em 2025, os chineses representaram:

  • 35% da matéria-prima
  • 48% do produto formulado
  • 54% do produto técnico que entrou no Brasil

Ou seja: mais do que um fornecedor, a China é um pilar do abastecimento brasileiro, sobretudo nos itens que sustentam a produção e formulação de defensivos no país.

insumos agrícolas

Retração nos preços unitários e avanço dos genéricos explicam parte do movimento

Outro ponto importante observado no relatório é que 2025 manteve a tendência de retração nos preços unitários, influenciada pela maior participação de produtos genéricos nas compras externas.

No material, essa mudança é explicada como reflexo da expansão de defensivos formulados genéricos, impulsionando compras com custo médio menor — mas com volume maior. Essa combinação (preço menor + mais volume) ajuda a entender por que o setor avançou tanto em toneladas importadas, mesmo com dinâmica de mercado pressionando valores unitários.

Sementes exportadas somam US$ 262 milhões e têm valorização no preço médio

No recorte das exportações, o segmento de sementes também registrou resultado relevante: US$ 262 milhões em 2025, com crescimento de US$ 12 milhões (5%) frente aos dois anos anteriores.

Apesar disso, o volume exportado recuou em relação ao ano anterior: houve retração de 1,1 mil toneladas na comparação com 2024. Segundo o levantamento, isso aconteceu porque houve valorização do preço médio das sementes exportadas, elevando a receita mesmo com menos volume embarcado.

Entre os destaques, três categorias concentraram grande parte do valor exportado:

  • Semente de milho: US$ 124 milhões
  • Sementes para forrageira: US$ 75 milhões
  • Hortícolas: US$ 28 milhões

Juntas, essas categorias somaram 87% do total exportado pelo país em sementes.

insumos agrícolas

Insumos agrícolas: Paraguai lidera compras e se destaca como destino do milho brasileiro

No mapa dos compradores, três países foram citados como principais destinos das sementes brasileiras:

  • Paraguai
  • Colômbia
  • Argentina

O Paraguai lidera especificamente na compra de sementes de milho, com US$ 75 milhões em aquisições, reforçando a importância dos vizinhos sul-americanos como mercados estratégicos para o setor.

Registros de novos produtos batem recorde e bioinsumos ganham força

Além do comércio exterior, o levantamento também aponta um indicador importante para o ritmo de inovação e renovação tecnológica do setor: o Brasil registrou recorde de novos produtos em 2025, com 912 registros concedidos.

O total foi dividido da seguinte forma:

  • 750 produtos químicos
    • 323 produtos técnicos
    • 427 produtos formulados
  • 162 bioinsumos (maior número da série histórica)

O relatório também informa que o país contava com 874 registros ativos, sendo 722 agroquímicos e 152 biológicos, considerando apenas registros ativos na base do Agrofit.

Esse avanço evidencia uma tendência que o produtor já percebe no dia a dia: o crescimento dos bioinsumos e a ampliação dos genéricos como estratégia de competitividade e acesso a tecnologias mais amplas dentro do manejo agrícola.

O que o recorde nas exportações de insumos agrícolas indica para o agro brasileiro

O fato de o setor atingir US$ 976 milhões em exportações de insumos agrícolas em 2025 mostra que o Brasil está ampliando sua capacidade de competir internacionalmente também na cadeia de suprimentos do agro — não apenas vendendo grãos, carnes e fibras, mas ganhando relevância em áreas industriais e tecnológicas do campo.

Ao mesmo tempo, o volume de US$ 14,3 bilhões em importações reforça um ponto decisivo: o crescimento do agro brasileiro depende de insumos em escala, e a indústria ainda está profundamente conectada ao abastecimento global — com protagonismo da China e participação crescente de produtos genéricos, cenário que exige atenção estratégica do mercado.

Em resumo: 2025 consolidou o Brasil como um mercado gigante e cada vez mais dinâmico na indústria de insumos — com exportações em alta, importações recordes e um ritmo acelerado de registros que deve seguir moldando a competitividade no campo nos próximos anos.

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