Exportadores de carne bovina do Brasil miram Coreia do Sul, mercado que paga até US$ 10 mil/t

Auditoria técnica no terceiro trimestre pode abrir caminho para acordo sanitário inédito e inserir o Brasil em um dos mercados mais valorizados da carne bovina no mundo

A Coreia do Sul entrou definitivamente no radar dos exportadores brasileiros de carne bovina. Com apoio do governo federal, o setor avança nas tratativas para abrir um novo destino comercial que se destaca por dois fatores estratégicos: alta dependência de importações e disposição para pagar preços premium por qualidade.

Atualmente abastecido principalmente por Estados Unidos, Austrália, Canadá e Nova Zelândia, o mercado sul-coreano pode representar uma nova frente de valorização para a carne brasileira. O movimento ocorre em um momento em que o Brasil busca diversificar destinos e ampliar mercados de alto valor agregado.

Segundo reportagem publicada pelo Portal DBO , o terceiro trimestre deste ano será decisivo: uma auditoria sanitária sul-coreana realizará visita técnica ao Brasil, etapa considerada fundamental para a construção de um acordo bilateral de exportação de carne bovina entre os dois países.

Mercado sofisticado, consumo em expansão

Com cerca de 52 milhões de habitantes, a Coreia do Sul apresenta uma dinâmica de consumo particular. Diferentemente de países impulsionados pelo crescimento populacional, o avanço da demanda sul-coreana está relacionado ao alto poder aquisitivo da população e à preferência por cortes de maior padrão.

Relatório da Agrifatto, citado na publicação , destaca que, mesmo com uma taxa de fertilidade estimada em apenas 0,75 filho por mulher — um dos menores índices do mundo — o consumo de carne bovina segue em trajetória de expansão gradual.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), também mencionados na matéria , mostram que:

  • O consumo doméstico saltou de aproximadamente 720 mil toneladas em 2015 para cerca de 950 mil toneladas em 2025
  • A projeção para 2026 gira em torno de 955 mil toneladas

Enquanto isso, a produção interna cresce em ritmo mais lento, alcançando cerca de 360 mil toneladas em 2025, o que mantém a dependência estrutural das importações.

Dependência externa supera 60%

A conjuntura deixa claro o espaço para novos fornecedores. Em 2025, a Coreia do Sul importou aproximadamente 590 mil toneladas de carne bovina, volume que representa cerca de 62% de todo o consumo do país, conforme destaca a Agrifatto .

Para 2026, a estimativa é de que essa participação das importações possa se aproximar de 63%, reforçando o caráter estrutural das compras externas para equilibrar oferta e demanda.

Hoje, o fornecimento está concentrado em poucos países:

  • Estados Unidos: entre 45% e 50% das importações
  • Austrália: aproximadamente 35% a 40%
  • Canadá e Nova Zelândia: atendendo nichos específicos

A eventual entrada do Brasil representaria não apenas diversificação de origem para os sul-coreanos, mas também uma nova alternativa de carne competitiva e com escala global.

Um dos melhores pagadores do mundo

Um dos pontos mais atrativos do mercado sul-coreano é o preço pago pela proteína bovina.

De acordo com informações da Agrifatto citadas na reportagem , os valores médios praticados giram em torno de:

  • US$ 6,5 mil por tonelada para carne congelada
  • Acima de US$ 10 mil por tonelada para cortes resfriados e de maior qualidade

Esse patamar coloca a Coreia do Sul entre os mercados mais valorizados do mundo para carne bovina, com forte apelo por qualidade, padronização e segurança sanitária.

Impactos no mercado do boi gordo

Caso o acordo sanitário seja concretizado, os impactos sobre o mercado brasileiro tendem a ocorrer de forma gradual. Diferentemente da China — que influencia diretamente grandes volumes físicos de exportação — a Coreia do Sul tem potencial para atuar como mercado formador de valor, ajudando a elevar a média de preços e estimular cortes premium.

Em um cenário conservador, considerando uma participação brasileira entre 5% e 10% das importações sul-coreanas no médio prazo, isso poderia representar algo entre 30 mil e 60 mil toneladas adicionais por ano, segundo a análise apresentada na reportagem .

Embora não seja um volume comparável ao da China, trata-se de um mercado estratégico, capaz de:

  • Diversificar destinos de exportação
  • Reduzir riscos comerciais
  • Valorizar cortes de maior qualidade
  • Fortalecer a imagem do Brasil como fornecedor premium

Estratégia de longo prazo

A possível abertura da Coreia do Sul ao Brasil não deve ser encarada apenas como ganho de volume, mas como movimento estratégico de posicionamento internacional. Em um cenário global de concorrência acirrada, acesso a mercados que pagam mais pode ser determinante para sustentar margens e estimular investimentos em qualidade e rastreabilidade.

Se a auditoria sanitária confirmar a conformidade brasileira e as negociações avançarem, o Brasil poderá ingressar em um dos mercados mais sofisticados e bem remunerados da Ásia, ampliando ainda mais seu protagonismo no comércio mundial de carne bovina.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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