Médico-veterinário e pilar da ABCZ, o especialista dedicou mais de quatro décadas à evolução das raças zebuínas e ao fortalecimento da pecuária no Nordeste
A pecuária nacional amanheceu em luto nesta quarta-feira (22) com a confirmação do falecimento do médico-veterinário Simeão Machado Neto.
Aos 83 anos, o especialista deixa um vácuo no setor de melhoramento genético, área onde atuou como um dos principais arquitetos da evolução das raças zebuínas no Brasil, com especial impacto no desenvolvimento do rebanho nordestino.
A trajetória profissional de Simeão Machado Neto
A história de Simeão Machado Neto confunde-se com a profissionalização da seleção de gado no país. Sua caminhada ganhou fôlego em 1971, ao assumir a liderança do Escritório Técnico Regional (ETR) da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) em Aracaju (SE). Pouco tempo depois, em 1974, foi transferido para Salvador (BA), onde chefiou as operações por décadas, tornando-se uma figura de confiança para criadores de todo o estado até sua aposentadoria da instituição, em 2017.
Antes mesmo de sua consolidação na ABCZ, Neto já havia deixado sua marca na Estação Experimental Dantas Bião, em Aramari (BA). Lá, foi um dos primeiros a trabalhar com o Indubrasil, auxiliando na fundação dos pilares técnicos que permitiram ao Zebu ganhar a musculatura e a adaptabilidade que hoje garantem a soberania da carne brasileira no mercado global.
Fomento técnico e o impacto no pequeno produtor
Para além dos registros genealógicos, a contribuição de Simeão Machado Neto foi marcada pela democratização do conhecimento. Ele foi o braço direito de programas vitais, como o Pró-Genética, iniciativa que permitiu a pequenos e médios pecuaristas o acesso a touros de alto valor genético (PO), elevando o patamar produtivo de fazendas que antes estavam à margem da tecnologia de ponta.
Sua expertise também foi requisitada por órgãos de pesquisa e fomento, como a Empresa de Pesquisa Agropecuária da Bahia (Epaba) — onde liderou seleções de Nelore — e a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). Nestas instituições, sua visão sistêmica auxiliou no refinamento de raças como o Gir Leiteiro e o Guzerá, reforçando a aptidão leiteira e de corte do rebanho baiano.
O legado de Simeão Machado Neto e o reconhecimento do setor
A dedicação incansável rendeu a Simeão Machado Neto as mais altas honrarias da pecuária. Ele foi condecorado com a Comenda Mérito Indubrasil e Honra ao Mérito pela ABCI, além de receber, em 2012, o prestigiado Mérito ABCZ (categoria Funcionário), prêmio que selou definitivamente seu status como referência técnica incontestável.
O especialista, viúvo de Maria Virgínia, deixa como sucessores os filhos Eduardo e Isabela, e as netas Maria Clara e Isadora. Seu legado, no entanto, permanece vivo em cada pastagem onde o sangue de um Zebu melhorado carrega o DNA de décadas de sua dedicação acadêmica e de campo.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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