Falta chuva? Veja por que o capim-andropogon pode salvar sua pastagem

Com sistema radicular profundo e alta tolerância a solos ácidos, o capim-andropogon consolida-se como o “seguro-seca” indispensável para garantir a oferta forrageira e a manutenção do peso do rebanho em cenários de crise hídrica

A intensificação dos eventos climáticos extremos e a irregularidade das janelas de chuva transformaram a gestão forrageira no Brasil. Em 2026, a pecuária de ciclo curto não admite erros no planejamento alimentar. Nesse cenário de incertezas hídricas, o capim-andropogon (Andropogon gayanus Kunth) deixa de ser visto apenas como uma opção para solos marginais e consolida-se como uma ferramenta estratégica de segurança produtiva.

Diferente das braquiárias convencionais, que apresentam declínio acentuado de vigor sob estresse hídrico, o capim-andropogon oferece uma fisiologia adaptada à sobrevivência e à manutenção de massa verde em condições adversas.

A ciência por trás do capim-andropogon: O “seguro-seca” da pecuária

O grande diferencial competitivo desta forrageira reside em sua morfologia. Segundo estudos da Embrapa Cerrados, o capim-andropogon possui um sistema radicular fasciculado extremamente agressivo, capaz de atingir profundidades superiores a 2,5 metros. Essa característica permite que a planta acesse reservatórios de água e nutrientes em camadas do solo onde outras gramíneas já teriam entrado em ponto de murcha permanente.

Além da profundidade, a eficiência no uso da água é um ponto de destaque. A espécie possui mecanismos de fechamento estomático mais responsivos, o que reduz a perda por evapotranspiração sem comprometer totalmente a síntese de matéria seca. Em anos de “La Niña” ou veranicos prolongados, essa resiliência fisiológica garante que o rebanho não sofra com a quebra abrupta na oferta de pasto.

O desempenho do capim-andropogon em solos pobres

A viabilidade econômica do capim-andropogon é reforçada por sua baixa exigência em fertilidade. Enquanto cultivares de Panicum maximum exigem solos de alta saturação por bases, o andropogon prospera em solos ácidos com alta saturação de alumínio, condição comum em novas fronteiras agrícolas e áreas de reforma.

  • Proteína Bruta (PB): Apresenta níveis entre 8% e 11% na fase de pastejo, superando o mínimo biológico necessário para o funcionamento do rúmen (7%).
  • Digestibilidade (DIVMS): Varia entre 55% e 62%, níveis considerados satisfatórios para bovinos de corte em recria e engorda.
  • Resistência Biótica: É reconhecido mundialmente pela sua resistência total às cigarrinhas-das-pastagens (Deois flavopicta e Mahanarva spp.), reduzindo drasticamente o gasto com defensivos agrícolas.

Como extrair o máximo do capim-andropogon

O estigma de que o capim-andropogon “tomba” ou “vira talo” é fruto de manejo inadequado. Por ser uma planta de crescimento cespitoso (em touceiras) e muito rápido, o controle da altura é o fator determinante para manter a palatabilidade.

O manejo moderno recomenda o sistema rotacionado com foco na fisiologia da planta:

  1. Entrada no Piquete: Entre 40 e 50 cm, antes que a planta inicie o alongamento dos colmos (talos).
  2. Saída do Piquete: Resíduo de 20 cm, garantindo área foliar suficiente para uma rebrota vigorosa.
  3. Dica de Especialista: Se o capim “passar do ponto”, a roçada estratégica é necessária para estimular o perfilhamento lateral e manter o valor nutricional.

Ao integrar o capim-andropogon no planejamento forrageiro, o produtor consegue uma janela de pastejo mais extensa, entrando mais cedo nas primeiras chuvas e saindo mais tarde no início da estiagem.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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