Sem aprovação do orçamento estadual, insumos prometidos não chegam ao campo e setor teme impacto direto na produção, renda e empregos na Zona da Mata; falta de fertilizantes leva produtores de cana às ruas e ameaça safra em Pernambuco
A cadeia produtiva da cana-de-açúcar em Pernambuco vive um momento de forte tensão e incerteza. Em meio a dificuldades acumuladas após uma safra marcada por queda de preços e falta de fertilizantes na safra atual, produtores decidiram reagir e convocaram um protesto para pressionar o poder público. A mobilização está prevista para a próxima terça-feira (7), às 9h, em frente à sede da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), reunindo caravanas de diversas cidades da tradicional região canavieira da Zona da Mata.
Organizado pela Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) e pelo Sindicato dos Cultivadores de Cana do Estado de Pernambuco (Sindicape), o protesto reflete um cenário considerado crítico por produtores, que enfrentam não apenas dificuldades de mercado, mas também entraves políticos que travam o acesso a insumos essenciais para a próxima safra.
Crise no campo se agrava após safra com preços pressionados
O setor sucroenergético pernambucano já vinha pressionado após a safra recém-encerrada, que registrou queda nos preços da cana-de-açúcar, impactando diretamente a renda dos produtores. Entre os fatores apontados está o chamado “tarifaço” dos Estados Unidos, que afetou a competitividade do açúcar e do etanol brasileiros no mercado internacional.
Esse movimento reduziu margens e comprometeu o fluxo de caixa dos produtores, justamente em um momento estratégico de preparação para o novo ciclo produtivo. Sem capital suficiente para investir, muitos dependem de políticas públicas para garantir o plantio da próxima safra.
Fertilizantes prometidos não chegam e colocam plantio em risco
Diante do cenário adverso, o governo estadual anunciou um pacote emergencial com fornecimento de fertilizantes, considerado essencial para viabilizar o plantio e manter a produtividade. No entanto, o benefício ainda não foi liberado.
Segundo as lideranças do setor, o principal entrave é a não aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA), que impede o governo de executar recursos e implementar o programa de apoio.
Em nota, os presidentes das entidades, Alexandre Andrade Lima (AFCP) e Gerson Carneiro Leão (Sindicape), foram diretos:
“Sem a LOA aprovada, o governo fica impedido de agir. Isso significa ausência de fertilizantes justamente no período crítico do plantio, colocando em risco a próxima safra e milhares de empregos”, afirmaram.
Impasse político trava apoio ao agro e acende alerta econômico
O impasse envolve divergências entre o governo estadual, liderado pela governadora Raquel Lyra, e deputados de oposição, que ainda não aprovaram o orçamento com as alterações propostas.
Para o setor produtivo, a disputa política tem efeitos concretos no campo. A ausência de fertilizantes no momento correto pode comprometer o desenvolvimento da lavoura, reduzir a produtividade e, consequentemente, impactar toda a cadeia — desde o fornecimento de matéria-prima até a indústria e o emprego rural.
A preocupação é ainda maior na Zona da Mata pernambucana, onde a cana-de-açúcar tem papel central na economia. O setor é responsável por milhares de empregos diretos e indiretos, movimentando desde pequenos fornecedores até grandes usinas.

Sem o insumo básico para o plantio, o risco é de um efeito dominó: menor produção, redução da atividade industrial, queda na renda regional e aumento do desemprego.
Falta de fertilizantes motiva produtores de cana a marcar protesto
Com o calendário agrícola avançando e o tempo se tornando um fator crítico, os produtores esperam que o protesto sirva como um marco de pressão para destravar o impasse político.
A expectativa é que a mobilização em frente à Alepe amplifique a urgência da situação e leve à aprovação do orçamento, permitindo a liberação dos fertilizantes ainda dentro da janela ideal de plantio.
Enquanto isso, o setor segue em alerta, diante de um cenário que mistura crise de mercado, dependência de políticas públicas e insegurança institucional, colocando em jogo não apenas uma safra, mas a sustentabilidade de toda uma cadeia produtiva no estado.
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