Família assentada investe em cafeicultura na Zona da Mata de Alagoas

Com o uso de técnicas de terraceamento e acesso ao crédito rural, família de assentados em União dos Palmares (AL) aposta na cafeicultura arábica e no beneficiamento próprio para fortalecer a economia regional

A 70 quilômetros de Maceió, capital de Alagoas, os agricultores André Souza e Manoela Souza assumiram o desafio de implantar a cultura do café no assentamento Chico Mendes/Bebidas, localizado no município de União dos Palmares (AL). O casal trocou a cidade pelo campo com um plano ousado que envolve o cultivo do café, o beneficiamento do grão e a mobilização de outras famílias.

Natural de Mantena, em Minas Gerais, André mora no estado de Alagoas desde 2011 e trabalhava na construção civil. Com a oportunidade de ingressar como beneficiário da reforma agrária, ele retomou uma atividade produtiva que fez parte da sua juventude e início da vida adulta e até hoje se mantém na família: a cafeicultura.

Junto com a esposa e a filha, saíram de um bairro na periferia de Maceió e fixaram residência no assentamento Chico Mendes/Bebidas, situado numa região de relevo acidentado, com muitas serras, e clima frio e úmido. Começa, então, um novo capítulo na história dessa família.

Localização propícia

A poucos metros da casa, construída com recursos aplicados pelo Incra, avistam-se os locais de produção do café, que compreendem 1,5 hectare e 7 mil cafeeiros. Futuramente, André pretende ampliar a área plantada para cinco hectares. Ele utiliza a técnica de terraceamento, com a plantação em degraus, que se ajusta à declividade do terreno, facilita o trabalho do agricultor e diminui a erosão do solo. O lote da família fica numa localidade com 400 metros de altitude.

Família assentada investe em cafeicultura na Zona da Mata de Alagoas
Foto: Incra/AL

“As características climáticas do assentamento propiciam as condições de cultivo do café em relação à altitude, clima e solo, favorecendo também que outros assentados invistam nessa produção”, avalia o superintendente do Incra em Alagoas, Júnior Rodrigues, em visita ao assentamento. Conforme o gestor, o tipo de grão escolhido, arábica, possibilita a agricultura familiar pela perspectiva de retorno econômico em pequenas áreas de cultivo.

André tem mobilizado outras famílias do assentamento Chico Mendes/Bebidas e dos vizinhos Santa Maria II e Limão, também em União dos Palmares, a aderir à lavoura do grão. Até o momento, nesses três assentamentos, outras 12 famílias estão com, aproximadamente, 14 mil cafeeiros em seus lotes.

Família assentada investe em cafeicultura na Zona da Mata de Alagoas
Foto: Incra/AL

“Meu sonho sempre foi mexer com café. Além de estar fazendo o que eu gosto, eu vejo futuro e a esperança de ter algo melhor para mim, meus vizinhos e toda a região. Isso não tem preço”, sonha o agricultor assentado, que está entusiasmado com essa nova etapa da vida.

Em seu lote, André e Manoela também instalaram viveiros de mudas de café. O trabalho já alcançou uma expressiva marca: eles possuem 40 mil unidades, todas já negociadas com outros assentados e agricultores familiares de cinco municípios alagoanos: União dos Palmares, Flexeiras, Santana do Mundaú, Murici e Jundiá.

Como a cafeicultura é uma atividade pouco desenvolvida na reforma agrária em Alagoas, o lote do casal tem atraído curiosidade e recebido muitas visitas de agricultores, associações rurais e instituições públicas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Do grão ao pó de café

André prevê que a colheita da primeira safra ocorra a partir de maio e se estenda até junho. Enquanto isso, tem se preparado para estruturar a atividade, de modo que consiga beneficiar os grãos colhidos do seu lote e dos vizinhos. Mais à frente, o plano é montar uma cooperativa.

Família assentada investe em cafeicultura na Zona da Mata de Alagoas
Foto: Incra/AL

Além do lote, o Incra fez a inserção do assentamento Chico Mendes/Bebidas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), bem como a entrega do Contrato de Concessão de Uso (CCU) ao beneficiário, que também já está inscrito no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). Esses documentos permitem acessar políticas públicas, como linhas de financiamento do instituto e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

O agricultor assentado deseja aderir a um financiamento pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que tem modalidades com condições diferenciadas para famílias assentadas. Esses recursos serão importantes na estruturação do lote.

Família assentada investe em cafeicultura na Zona da Mata de Alagoas
Foto: Incra/AL

André iniciou a construção de um galpão para abrigar uma agroindústria e já adquiriu um secador de grãos e uma máquina para descascar o café. As próximas aquisições serão máquinas para torrar e moer. A meta dele é produzir o pó do café e criar uma marca própria. Para auxiliá-lo nesse objetivo, conta com a assessoria do Sebrae.

Ainda neste ano, a família assentada se prepara para realizar um evento de degustação do primeiro lote de café torrado e moído.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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