Pesquisa brasileira publicada na revista Ecography desvenda como sapos e rãs superam barreiras oceânicas e quais variáveis determinam sua sobrevivência em ecossistemas insulares
Um enigma de décadas na biologia acaba de ser decifrado por pesquisadores brasileiros. Embora o oceano seja considerado uma barreira intransponível para animais que não toleram o sal, a biodiversidade de anfíbios em ilhas marinhas desafia modelos geográficos tradicionais.
Um novo estudo, que analisou dados de mais de 5 mil ilhas ao redor do mundo, revela que a presença dessas espécies não depende de um único fator, mas da combinação entre o tamanho do território, a distância do continente e a produtividade energética do local.
O desafio da biodiversidade de anfíbios em ilhas
Para os anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas), o mar é um obstáculo letal devido à permeabilidade de sua pele. Segundo Raoni Rebouças, autor principal da pesquisa, os modelos clássicos de biodiversidade já funcionavam bem para aves e mamíferos, mas nunca haviam sido validados para esse grupo específico.
A investigação, apoiada pela Agência Fapesp, não se limitou a contar o número de espécies. Os cientistas avaliaram a diversidade funcional (como os animais vivem) e a filogenética (as linhagens evolutivas). “Uma ilha pode ter muitas espécies, mas se todas forem da mesma família e tiverem os mesmos hábitos, a diversidade real é baixa”, explica o coautor Matheus Moroti.
A união de teorias biológicas
A biodiversidade de anfíbios em ilhas foi explicada através do cruzamento de duas correntes científicas famosas. De um lado, a teoria de MacArthur e Wilson (1963), que prioriza o tamanho da ilha e sua proximidade com o continente. Do outro, a teoria de David Wright (1983), que foca na energia disponível (matéria orgânica) para sustentar a vida.
O estudo concluiu que as duas visões são complementares:
- Em áreas tropicais: O tamanho da ilha é o fator predominante para a riqueza de linhagens.
- Em áreas temperadas: O clima e a oferta de energia são os grandes filtros de sobrevivência.
Clima e produtividade energética
A análise comparativa trouxe exemplos drásticos. Enquanto a Groenlândia, maior ilha do globo, não possui anfíbios por conta do frio extremo, a ilha de Bornéu, segunda maior, abriga mais de 400 espécies. Isso prova que a biodiversidade de anfíbios em ilhas é diretamente influenciada pela capacidade do ambiente de gerar energia para as espécies.
Em regiões de clima temperado, a relação entre nichos ecológicos e clima é rígida. Já nos trópicos, a abundância de recursos permite que diferentes nichos coexistam sem uma dependência tão estreita das oscilações climáticas. Este avanço científico permite agora que novos estudos foquem em fatores históricos e em ilhas fluviais para refinar ainda mais a conservação dessas espécies.
Com informações da Agência Fapesp
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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