Faturamento bilionário da Agrishow 2026 recua 22%

Faturamento bilionário da Agrishow 2026 recua 22%, mas público e protagonismo do agro brasileiro se mantêm fortes mesmo em cenário desafiador

A Agrishow 2026 encerrou sua 31ª edição consolidando-se, mais uma vez, como o principal termômetro do agronegócio brasileiro. O evento movimentou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, número 22% inferior ao registrado em 2025, refletindo um cenário mais restritivo para investimentos no campo.

O montante considera negociações nos segmentos de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem — áreas diretamente impactadas pelo custo do crédito e pela dinâmica dos preços das commodities.

Apesar da retração no faturamento projetado, a feira manteve forte presença de público. Ao todo, 197 mil visitantes passaram pelo evento ao longo dos cinco dias, desempenho semelhante ao da edição anterior e indicativo da relevância contínua da Agrishow como vitrine de inovação e networking no setor. No último dia, 1º de maio, os portões foram abertos antecipadamente, às 7h30, para absorver a alta demanda de visitantes.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, o desempenho observado na feira é um reflexo direto do momento vivido pela indústria. Dados apresentados durante o evento mostram que as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no mercado interno recuaram 19,9% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado.

Segundo Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, fatores como a elevada taxa de juros, a volatilidade cambial e os preços menos favoráveis das commodities ajudam a explicar a desaceleração.

Mesmo diante desse cenário adverso, o setor mantém uma visão de longo prazo. Para João Marchesan, presidente da Agrishow, a feira evidencia a resiliência dos produtores e da indústria. “A Agrishow demonstra, mais uma vez, a competência e resiliência dos agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil. Muito embora nós estejamos vivendo, há três anos, um mercado desfavorável, continuamos investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil. E para tanto, acreditamos que este país e o futuro dele vêm do agronegócio. E não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, afirma.

O balanço final reforça um ponto central: embora o ambiente macroeconômico pressione o ritmo de negócios no curto prazo, a Agrishow segue como plataforma estratégica para lançamentos, relacionamento comercial e sinalização das tendências que devem orientar o agronegócio brasileiro nos próximos ciclos.

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