Fenasul Expoleite abre em Esteio com defesa do produtor rural e críticas ao chamado Custo Brasil

Promotores acreditam que evento que ocorre até 17 de maio no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), superará expectativas e será o maior de todas as edições realizadas.

Com a presença de autoridades, representantes de entidades e produtores, foi aberta nesta quarta-feira (13) a 19° Fenasul e 46° Expoleite, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). O evento é uma iniciativa da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul, (Gadolando), com parceria da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Farsul e Fetag. Este ano, ocorre conjuntamente no parque também a 38° edição da Feira Nacional de Ovinos, (Fenovinos), coordenada pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco). A abertura teve a presença do governador em exercício do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza.

Neste ano, a secretaria está investindo cerca de R$ 1 milhão na realização da feira, com melhorias na infraestrutura, na organização e na qualificação dos espaços destinados a expositores, criadores e visitantes. “Estamos entregando, em 2026, a maior feira do primeiro semestre do Rio Grande do Sul, depois da Expointer. Este é um marco importante para o setor agropecuário e para todos os envolvidos na organização do evento. Além disso, iniciamos um novo modelo de feiras e exposições no Parque Assis Brasil, com a realização inédita da Fenovinos em Esteio. Trata-se de um passo estratégico para ampliar oportunidades, fortalecer as cadeias produtivas e consolidar ainda mais o parque como referência nacional na realização de grandes eventos do setor”, afirmou o secretário da Agricultura, Márcio Madalena.

Cientistas brasileiros criam novo revestimento para liberação controlada de fertilizante

Na manifestação de abertura do evento, o presidente da Gadolando e da Febrac, Marcos Tang, defendeu mais valorização ao produtor rural e criticou o chamado “Custo Brasil”. Em discurso marcado pelo reconhecimento aos parceiros do setor e pela defesa da cadeia leiteira, Tang destacou a importância da presença das autoridades e do apoio institucional ao agronegócio.

Tang ressaltou a parceria histórica da feira com a Secretaria da Agricultura e afirmou que o setor precisa trabalhar em conjunto com os governos “de plantão”. O presidente da Gadolando destacou o caráter técnico da Expoleite e lembrou que a essência do evento está nos produtores rurais. Ele citou a participação da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) e dos pequenos animais, reforçando que os verdadeiros protagonistas são os trabalhadores do campo. “Esses abnegados trabalham dia e noite. Hoje cedo já estavam ordenhando às seis da manhã”, relatou. Para Tang, o agronegócio representa “um Brasil que dá certo”, desde que existam condições mínimas para a produção.

O dirigente também criticou a falta de reconhecimento ao produtor de leite e aos agricultores em geral. Segundo ele, muitos profissionais do setor acabam sendo “criminalizados, mal entendidos e mal interpretados”, apesar de desempenharem um papel essencial no abastecimento alimentar do país.

Na parte final do discurso, Tang pediu mais respeito ao setor produtivo e defendeu medidas para reduzir custos e ampliar a competitividade da produção leiteira brasileira. “Pedem mais eficiência para o produtor de leite exportar, mas essa eficiência também vem diminuindo um pouco a nossa carga”, afirmou.

O diretor Administrativo da Farsul, Francisco Schardong, representou a federação e reforçou a importância da união entre as entidades do setor em um momento difícil para a agropecuária. “Uma entidade que fecha 99 anos não sabe negar o estribo para nenhum companheiro, sempre estar junto. E vocês podem ter certeza de que nós estaremos juntos aqui, nessa mini Expointer, onde temos pela primeira vez juntos o setor de ovinos”.

“É importante dizermos, principalmente, numa hora difícil que estamos vivendo, onde nosso setor está sendo incompreendido. E essa incompreensão, muitas vezes, torna necessária uma resposta como nós estamos dando pela Farsul. Uma resposta que o produtor segue seu caminho, independente das negativas. Por isso, acho importante, mais do que nunca, nós trabalharmos tranquilos, porque quem trabalha na agricultura, quem trabalha na pecuária, conhece o que é o dia a dia e conhece o que é ajudar e sabe quais os governos estão nos ajudando”, concluiu Schardong.

O prefeito de Esteio, Felipe Costella, destacou a importância da realização da Fenasul Expoleite e da Multifeira como um dos principais eventos do primeiro semestre no Rio Grande do Sul. Segundo ele, a feira representa a força do agronegócio, do empreendedorismo e da capacidade de articulação entre entidades, produtores e poder público.

“Hoje a gente consegue reunir autoridades, produtores, empresários, expositores e toda a cadeia que movimenta esse setor tão importante para o nosso Estado. Isso mostra a força que a feira conquistou ao longo dos anos”, afirmou.

Costella também ressaltou o trabalho conjunto realizado pelos copromotores e parceiros para consolidar o evento no calendário estadual. “Essa feira é construída a muitas mãos. Existe muito esforço, planejamento e dedicação para que a gente consiga entregar uma estrutura desse tamanho e receber bem quem vem até Esteio”, destacou.

O prefeito ainda enfatizou a expectativa de grande público e a relevância econômica da programação, que reúne milhares de animais, atrações técnicas, negócios e atividades voltadas ao setor produtivo. “A expectativa é realizar a maior edição da história da Fenasul Expoleite e da Multifeira, fortalecendo ainda mais o Parque Assis Brasil como referência para grandes eventos do Rio Grande do Sul”, concluiu.

Gabriel Souza ressaltou que a cadeia produtiva do leite possui papel fundamental na economia gaúcha, especialmente pelo forte vínculo com a agricultura familiar, já que mais de 90% dos produtores de leite do Estado pertencem a esse segmento. O governador em exercício também afirmou que o fortalecimento da atividade depende da criação de condições estruturais e competitivas para quem produz no campo “A atividade leiteira precisa ser valorizada não só pelo produto de alta qualidade que produz, mas também pela característica árdua, suada e diária do trabalho dos produtores. Essa é uma atividade que gera muito emprego e renda no campo. Temos no RS a terceira maior bacia leiteira do Brasil, que produz milhões de litros de leite que geram produtos variados de alta qualidade que chegam ao consumidor. Aproveitamos esse momento de abertura da feira também para discutir assuntos inerentes ao setor, como o grave endividamento dos produtores causado pelos eventos climáticos, e que deve ser votado no Senado, e também a questão do ingresso de leite estrangeiro no RS a partir de acordos do Mercosul em um sistema que gera competição desleal e prejudica o produtor gaúcho, que defendemos de todas as formas possíveis”, disse o governador em exercício.

VEJA TAMBÉM:

ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM