Ferraduras ou protetores alternativos: qual a melhor escolha para os cavalos?

Do cavalo de esporte ao animal de lida, especialistas explicam quando a ferradura é indispensável, quando pode ser evitada e quais alternativas já ganham espaço nas propriedades brasileiras.

A proteção dos cascos sempre foi um dos pilares do manejo equino. Afinal, “sem casco não há cavalo” — frase amplamente repetida por veterinários e ferradores para destacar que praticamente todo o desempenho atlético, resistência e longevidade do animal dependem da saúde dessa estrutura.

Durante séculos, a ferradura foi considerada indispensável. Porém, avanços no conhecimento sobre biomecânica, nutrição e manejo vêm mudando esse cenário e levantando uma dúvida cada vez mais comum entre criadores: a ferradura ainda é a melhor opção ou já existem alternativas mais adequadas?

No Brasil, onde os cavalos são utilizados tanto no esporte quanto no trabalho rural — como vaquejada, laço, tambor, rédeas e lida diária —, a resposta não é única. Ela depende diretamente do ambiente, da rotina do animal e do nível de exigência física.

A ferradura surgiu como uma solução para reduzir o desgaste do casco, principalmente quando os cavalos passaram a ser usados em guerras, transporte e agricultura pesada.

Hoje, ela continua sendo extremamente relevante em diversos cenários porque oferece vantagens importantes:

Proteção contra abrasão: terrenos duros — como pedras, cascalho e pisos compactados — aceleram o desgaste natural do casco.

Melhora da tração: essencial para cavalos atletas, reduzindo o risco de escorregões.

Correções ortopédicas: ferraduras especiais ajudam a ajustar aprumos, redistribuir peso e tratar patologias.

Prevenção de rachaduras: alguns cascos são mais frágeis e precisam dessa barreira extra.

👉 Em atividades de alto impacto, como provas esportivas, a ferradura ainda é considerada a opção mais segura na maioria dos casos.

Mas isso não significa que todo cavalo precise ser ferrado.

O chamado modelo “barefoot” (descalço) ganhou força nas últimas décadas, defendendo que o casco, quando bem manejado, pode se manter saudável sem ferraduras.

A lógica é simples: na natureza, cavalos percorrem grandes distâncias em diferentes tipos de solo, o que promove desgaste equilibrado e fortalecimento estrutural.

Entre os principais benefícios apontados por especialistas estão:

Melhor circulação sanguínea no casco
Maior absorção de impacto
Estrutura mais funcional e flexível
Menor risco de alguns problemas crônicos

Porém, há um ponto crítico:

👉 O casco natural exige manejo extremamente bem feito.

Sem casqueamento regular, dieta equilibrada e controle de umidade, os riscos aumentam.

Além disso, cavalos submetidos a esforço intenso podem desenvolver sensibilidade quando descalços.

Uma alternativa que cresce rapidamente é o uso de botas de casco removíveis, vistas como uma solução intermediária.

Elas permitem que o cavalo fique descalço no dia a dia, mas protegido durante atividades específicas.

Principais vantagens:

  • Uso apenas quando necessário
  • Permitem expansão natural do casco
  • Podem ser retiradas para higienização
  • Boa opção para trilhas e cavalgadas

Limitações:
Ainda não substituem totalmente a ferradura em esportes de alta performance e exigem ajuste perfeito para evitar atritos.

A realidade brasileira impõe desafios próprios. O país reúne solos muito variados, períodos chuvosos intensos, estiagens prolongadas e sistemas de manejo bastante diferentes entre regiões.

Por isso, especialistas costumam apontar alguns cenários claros:

Cavalos de fazenda e lida leve
→ Muitas vezes podem permanecer descalços, desde que o terreno não seja extremamente abrasivo.

Cavalos atletas
→ Geralmente precisam de ferraduras para suportar impacto, velocidade e mudanças bruscas de direção.

Animais em reabilitação
→ Podem se beneficiar de ferraduras terapêuticas ou botas.

Propriedades com solo arenoso ou macio
→ Favorecem o casco natural.

Regiões com muito cascalho ou pedra
→ Tendem a exigir proteção adicional.

👉 O maior erro, segundo profissionais do setor, é padronizar a decisão. Cada cavalo deve ser avaliado individualmente.

Existe uma discussão crescente entre defensores do casco natural e da ferradura, mas especialistas são quase unânimes em um ponto:

👉 Não existe solução universal.

O melhor caminho passa por três fatores principais:

✔ Avaliação veterinária
✔ Ferrador experiente
✔ Observação constante do animal

Dor, mudanças na passada, rachaduras ou queda de desempenho são sinais claros de que algo precisa ser revisto.

O que se observa no setor equino é uma mudança de mentalidade. Em vez de ferrar automaticamente todos os cavalos — prática comum no passado —, criadores mais técnicos estão adotando uma abordagem personalizada.

Isso significa perguntar:

  • Qual é o nível de esforço do cavalo?
  • Em que tipo de solo ele vive?
  • Como está a nutrição?
  • O casco cresce com qualidade?

A proteção ideal é aquela que preserva a biomecânica e evita dor — não necessariamente a mais tradicional.

👉 Ferraduras continuam sendo essenciais em muitos casos.
👉 O casco natural pode funcionar — desde que haja manejo correto.
👉 Botas surgem como alternativa promissora.

Mas, acima de tudo:

🔥 A escolha errada pode comprometer não apenas o desempenho, mas toda a vida útil do cavalo.

No fim das contas, mais importante do que escolher entre ferradura ou não é abandonar decisões automáticas e adotar um manejo baseado em conhecimento técnico.

Porque, no universo equino, uma verdade segue absoluta:
casco saudável é sinônimo de cavalo forte, longevo e produtivo.

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