Relatório da StoneX aponta que alta dos fertilizantes é global e reflete fatores sazonais, restrições comerciais e tensões geopolíticas, elevando a cautela dos produtores
Os preços dos fertilizantes começaram 2026 em alta, acendendo um alerta para o custo de produção no campo. De acordo com o relatório semanal da StoneX, as cotações nos portos brasileiros registraram avanços relevantes na última semana de janeiro, acompanhando um movimento observado em diversos mercados internacionais.
Na comparação com o mesmo período de 2025, a ureia apresentou valorização próxima de 10%, enquanto o superfosfato simples (SSP) e o cloreto de potássio (KCl) subiram cerca de 20%. O cenário reflete tanto a preparação agrícola em vários países quanto riscos geopolíticos que podem afetar a oferta global.
Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o fenômeno não é isolado. “Entre os fatores que sustentam esse patamar mais elevado estão elementos sazonais e eventos difíceis de antecipar, como a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã”, afirma.
O Oriente Médio segue como região estratégica para os fertilizantes nitrogenados, e qualquer instabilidade tende a gerar volatilidade nas cotações. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos iniciam a recomposição de estoques para a safra de primavera, período tradicionalmente marcado por aumento das importações entre fevereiro e abril — fator que costuma pressionar os preços internacionais.
A China também permanece no radar do mercado. Embora seja grande produtora, o país pode restringir exportações para priorizar o abastecimento interno, reduzindo a oferta global. Para alguns fertilizantes, há expectativa de que essas limitações avancem ao menos até meados do segundo semestre de 2026.
Outro possível vetor de alta é a Índia. Caso o país anuncie um novo certame de compras nas próximas semanas, a demanda poderá coincidir com um momento estratégico para grandes mercados, intensificando a disputa por cargas.
Diante desse ambiente, a StoneX avalia que os compradores brasileiros devem adotar uma postura mais cautelosa. Os preços elevados, somados a relações de troca pouco atrativas — em alguns casos entre as piores dos últimos anos — reduzem o incentivo para antecipar aquisições, exigindo planejamento mais rigoroso para a próxima temporada.
Altamente dependente de importações, o Brasil sente rapidamente oscilações nas cotações dos fertilizantes. Para o produtor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o mercado internacional e buscar estratégias de proteção para preservar margens.
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