Ferramenta inédita utiliza satélites e algoritmos para calcular prejuízos no milho com precisão superior aos levantamentos oficiais, oferecendo agilidade para produtores e seguradoras.
Os prejuízos milionários causados pelas baixas temperaturas nas lavouras brasileiras ganharam um novo adversário. Pesquisadores brasileiros e norte-americanos consolidaram uma solução tecnológica onde uma IA monitora impacto da geada de maneira automática e cirúrgica. A inovação nasce de uma cooperação técnica entre a Unesp, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a Conab e a Universidade de Michigan.
O objetivo central da ferramenta é superar a morosidade e a subjetividade das vistorias tradicionais, permitindo que o mercado reaja quase em tempo real às perdas climáticas.
O desafio da “Safrinha” e o risco climático
O cenário agrícola brasileiro passou por uma transformação radical nas últimas duas décadas. Segundo levantamento recente do MapBiomas, a área dedicada ao cultivo de segunda safra cresceu três vezes desde os anos 2000. Em 2024, o milho foi responsável por 62,2% dessa produção “fora de época”.
No entanto, essa estratégia de plantio expõe a cultura a janelas de frio intenso, especialmente em estados do Sul. Foi justamente no Oeste do Paraná, região castigada por geadas frequentes, que os cientistas validaram como a nova IA monitora impacto da geada com eficiência.
O estudo de caso, detalhado na publicação científica Remote Sensing Applications: Society and Environment, analisou a safra 2020/2021. Naquele ciclo, uma estiagem severa atrasou o plantio da soja, empurrando o ciclo do milho perigosamente para o inverno, onde foi atingido por duas ondas de frio em maio e junho.

Precisão superior aos dados oficiais
A grande virada trazida pelo estudo é a confiabilidade dos dados gerados remotamente. Enquanto os relatórios oficiais do estado apontavam um cenário baseados em amostragens, a tecnologia — que une imagens do satélite Sentinel-2 e o algoritmo de aprendizado Random Forest — escaneou 100% da área.
O raio-X da tecnologia revelou:
- Mapeamento de área: A ferramenta identificou 740.007 hectares de milho na região (1,7% a mais que a estimativa oficial).
- Extensão do dano: A IA monitora impacto da geada e detectou que 69,6% da área cultivada sofreu avarias térmicas.
- Gravidade: O episódio de junho foi devastador, comprometendo 66,1% das lavouras, enquanto o evento de maio afetou 3,5%.
Um dado que chama a atenção é a validação cruzada: quando comparados aos laudos de seguradoras (que realizam perícia presencial), o índice de acerto da inteligência artificial chegou a 75% no evento mais crítico.
Agilidade na tomada de decisão
Michel Eustáquio Dantas Chaves, pesquisador da Unesp e autor principal do trabalho, destaca que a ferramenta consegue diferenciar se a perda foi causada pelo frio ou por outros fatores, como pragas, através de índices de vegetação específicos.
A velocidade da informação é o grande trunfo. Como o satélite revisita a área a cada cinco dias, não é preciso esperar o fim da colheita para saber o tamanho do rombo na produção. “Nossa meta é mapear culturas e identificar problemas ainda durante a safra”, afirma Chaves. Ele ressalta que reduzir a incerteza dos dados, mesmo que em 1%, já gera um impacto gigantesco para a regulação de preços e planejamento de estoques da Conab.
Próximos passos
A tecnologia não deve parar no milho. O Laboratório de Geoprocessamento e Inteligência Artificial da Unesp (Tupã) já projeta expandir o sistema para que a IA monitora impacto da geada também em culturas de inverno tradicionais, como trigo, aveia e centeio.
O futuro do monitoramento agrícola aponta para a fusão de modelos meteorológicos com dados de uso do solo, criando um escudo digital para mitigar riscos financeiros no campo.
Escrito por Compre Rural com informações jornal.unesp.br
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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