Confirmação do vírus da peste suína clássica em Porto (PI) leva governo estadual a decretar emergência zoossanitária por 180 dias; medidas incluem restrição no trânsito de animais e reforço no controle sanitário
A confirmação de um foco de peste suína clássica (PSC) no município de Porto, no norte do Piauí, colocou as autoridades sanitárias em estado de alerta e reacendeu discussões sobre os impactos sanitários e econômicos da doença para a suinocultura brasileira. O caso foi confirmado por laudos do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, vinculado ao Ministério da Agricultura e Peccuária (Mapa), que identificaram a presença do vírus em suínos da região.
Diante da confirmação, o governador Rafael Fonteles decretou estado de emergência zoossanitária em todo o território do Piauí, com validade de 180 dias. A medida permite a adoção de ações excepcionais e imediatas para conter o avanço da doença, incluindo restrições no transporte de animais, controle rigoroso de produtos considerados de risco e possibilidade de vacinação emergencial, conforme avaliação técnica.
Medidas emergenciais e controle do trânsito animal
O decreto estadual, publicado nesta terça-feira (6), estabelece que a movimentação de suínos e de produtos de risco passa a obedecer normas específicas, definidas pelas equipes técnicas responsáveis pelas operações de campo. O objetivo central é conter a disseminação do agente viral e eliminar o foco identificado, reduzindo o risco de novos registros da doença em outras regiões do estado .
Na prática, o trânsito de animais só poderá ocorrer mediante autorização e dentro dos protocolos sanitários estabelecidos, o que impacta diretamente pequenos produtores, criadores independentes e cadeias locais de comercialização.
O que é a peste suína clássica e por que preocupa
A peste suína clássica é uma doença viral altamente contagiosa, que afeta suínos domésticos e javalis. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto entre animais infectados, por secreções, resíduos e também por objetos e equipamentos contaminados, segundo informações técnicas da Embrapa .
Apesar de não representar risco à saúde humana, a PSC causa sofrimento intenso aos animais e está associada a altas taxas de mortalidade, além de provocar prejuízos econômicos relevantes. Entre os principais sintomas observados estão febre alta, apatia, falta de apetite, manchas avermelhadas ou azuladas na pele, diarreia, vômitos, tosse e sinais neurológicos, como tremores e convulsões .
Impactos econômicos e risco ao comércio
Embora o foco esteja restrito a uma localidade específica, a confirmação do vírus acende um alerta nacional. Cerca de 95% da produção industrial de suínos do Brasil está localizada em áreas reconhecidas como livres da PSC pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o que garante ao país acesso a mercados internacionais estratégicos .
Qualquer falha no controle sanitário pode gerar barreiras comerciais, aumento da desconfiança internacional e impactos diretos sobre exportações, preços e planejamento da produção, especialmente em um setor altamente sensível a questões sanitárias.
Diferença entre peste suína clássica e peste suína africana
Apesar de frequentemente confundidas, a peste suína clássica (PSC) e a peste suína africana (PSA) são causadas por vírus distintos. A PSC é provocada por um vírus do gênero Pestivirus, enquanto a PSA é causada por um vírus do gênero Asfivirus, muito mais resistente no ambiente .
Uma diferença crucial está no controle: existem vacinas para a peste suína clássica, utilizadas em alguns países como estratégia de erradicação ou contenção. Já a peste suína africana não possui vacina nem tratamento, tornando o abate sanitário, a biosseguridade rigorosa e o controle do trânsito de animais as únicas formas de combate .
Além disso, a PSA apresenta maior capacidade de sobrevivência em carcaças, carne congelada e resíduos alimentares, o que explica por que surtos dessa doença costumam gerar restrições comerciais imediatas e severas no mercado internacional.
Atenção redobrada no campo
O caso registrado no Piauí reforça a importância da vigilância sanitária contínua, da notificação imediata de suspeitas e do cumprimento rigoroso das normas de biosseguridade nas propriedades rurais. Para o setor produtivo, o episódio serve como alerta de que sanidade animal é um dos pilares da competitividade da suinocultura brasileira, tanto no mercado interno quanto no cenário internacional.
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