Da chegada tímida nos anos 1990 à era da conectividade, eletrificação e uso urbano sofisticado, a Ford Ranger ajudou a transformar o mercado brasileiro de picapes médias e se tornou um dos modelos mais emblemáticos do segmento.
Poucos veículos conseguem atravessar três décadas mantendo relevância em um mercado tão competitivo quanto o brasileiro. A Ford Ranger, que acaba de completar 30 anos de presença no Brasil, é um desses casos. Lançada em um período em que picapes ainda eram vistas quase exclusivamente como ferramentas de trabalho, a Ranger acompanhou — e muitas vezes liderou — a mudança de comportamento do consumidor, ajudando a consolidar o conceito de picape média versátil, capaz de unir robustez, conforto e tecnologia .
Anos 1990: uma picape à frente do seu tempo
A Ranger foi apresentada ao público brasileiro durante o Salão do Automóvel de 1994, importada dos Estados Unidos, ainda na segunda geração do modelo. Oficialmente à venda a partir de fevereiro de 1995, a picape chegava em versões XL (cabine simples) e STX (cabine estendida), equipadas com o motor 4.0 V6 Cologne, que entregava até 162 cv e 30,4 kgfm de torque, sempre com câmbio manual de cinco marchas.
Em um mercado ainda dominado por modelos mais rústicos, como a F-1000, a Ranger se destacava pela dirigibilidade e pelo uso urbano mais amigável — embora ainda ficasse atrás dos carros de passeio em conforto e acabamento. Algumas unidades da versão Splash, com visual mais ousado, câmbio automático e caçamba diferenciada, chegaram ao país por meio de importações independentes, chamando atenção em plena era dos importados.

Produção na Argentina e adaptação ao gosto brasileiro
A virada mais importante dessa primeira fase ocorreu em 1996, quando a Ranger passou a ser produzida na fábrica de General Pacheco, na Argentina, onde permanece até hoje. A mudança não apenas reduziu custos, como permitiu que a Ford adaptasse a picape ao perfil do consumidor sul-americano.

A Ranger ganhou maior altura do solo, reforço estrutural e capacidade de carga que podia chegar a 1.100 kg, além da estreia da cabine dupla de fábrica em 1998. A oferta de motores também se diversificou, com opções 2.5 a gasolina, 2.5 diesel Maxion (turbinado e intercoolado) e o já conhecido V6, sempre com possibilidade de tração 4×2 ou 4×4 — esta última restrita às versões mais potentes .
Evolução mecânica e últimos fôlegos da segunda geração
Nos anos seguintes, a Ranger passou por atualizações importantes. Em 2001, o motor 2.5 a gasolina foi substituído pelo 2.3 Duratec, mais moderno, enquanto o V6 4.0 recebeu comando de válvulas no cabeçote e saltou para 210 cv, um ganho expressivo para a época.

Já em 2002, a linha diesel passou a contar com o 2.8 Power Stroke, com opção de turbina de geometria variável, melhorando o desempenho e a eficiência, especialmente em uso com carga. Em 2005, a Ford promoveu nova reestilização e adotou o 3.0 Power Stroke Electronic Diesel, buscando manter a competitividade até o fim daquela geração .
O impacto da Hilux e a mudança do segmento
Mesmo com boas vendas, a Ranger começou a sentir o peso da idade diante da chegada da Toyota Hilux de sétima geração, que redefiniu completamente o padrão do segmento. A Hilux elevou o nível de acabamento, aproximou as picapes do padrão de carros de passeio e popularizou o câmbio automático, movimento seguido por rivais como a Chevrolet S10 e a Mitsubishi L200.

Em 2010, a Ford promoveu a maior reestilização da segunda geração da Ranger, com mudanças profundas no visual, ajustes no interior e novos equipamentos, garantindo sobrevida ao modelo até a chegada de um projeto realmente novo .
A geração T6 e o salto tecnológico
A verdadeira revolução veio entre 2011 e 2012, com a apresentação da terceira geração da Ranger (projeto T6). Pensada como um produto global, ela elevou o patamar do modelo ao incorporar central multimídia, pacote avançado de segurança e uma lista de equipamentos inédita no segmento.
A Ranger passou a oferecer até sete airbags, assistentes de condução, controle eletrônico de estabilidade, alerta de colisão e até piloto automático adaptativo. As motorizações incluíam o 2.5 Duratec a gasolina e os diesel 2.2 de quatro cilindros e 3.2 de cinco cilindros, com câmbio manual ou automático de seis marchas .


Essa geração também serviu de base para o desenvolvimento do Troller T4, reforçando a robustez do projeto e sua versatilidade fora de estrada.
A Ford Ranger atual e o caminho para a eletrificação
A geração mais recente da Ranger chegou ao mercado brasileiro em 2023, como linha 2024, com uma base profundamente revisada. O modelo passou a dialogar visualmente com a F-150 e se posicionou claramente acima da Maverick na gama da marca.
O interior ganhou tela multimídia vertical com sistema SYNC 4, painel digital, conectividade permanente e integração com o FordPass, permitindo controle remoto do veículo pelo smartphone. Outro destaque é a presença de mais de 36 módulos eletrônicos, todos atualizáveis remotamente (over the air) .


Em 2025, a Ranger consolidou sua força comercial ao se tornar a segunda picape média mais vendida do Brasil, com 30.808 unidades emplacadas entre janeiro e novembro, ficando atrás apenas da Hilux e à frente da Chevrolet S10 .
O futuro: híbrida plug-in no Brasil
O próximo capítulo da história já está em andamento. A Ford confirmou que a Ranger PHEV (híbrida plug-in) será vendida no Brasil a partir de 2027, juntando-se à BYD Shark como uma das poucas picapes eletrificadas do mercado nacional.
O investimento na fábrica argentina já começou, incluindo adaptações para produção de veículos flex, o que pode recolocar a Ford no jogo dos modelos nacionais após o encerramento da produção local em 2021. Embora detalhes técnicos ainda não tenham sido confirmados, a expectativa do mercado é alta.

Três décadas de protagonismo entre as picapes
Ao completar 30 anos no Brasil, a Ford Ranger não apenas celebra longevidade, mas também protagonismo. De picape importada e pouco conhecida a referência em tecnologia, conforto e desempenho, o modelo ajudou a moldar o segmento de picapes médias no país — e segue se reinventando para continuar relevante em um mercado cada vez mais exigente.
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