Decisão anunciada pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu, prevê fiscalização reforçada e ocorre em meio a protestos de agricultores franceses contra acordo entre a União Europeia e o Mercosul
A França vai suspender a importação de produtos agrícolas provenientes da América do Sul que contenham resíduos de substâncias proibidas na União Europeia. O anúncio foi feito neste domingo (4) pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, em mensagem publicada na rede social X.
Segundo Lecornu, uma portaria será publicada nos próximos dias, por iniciativa da ministra da Agricultura, Annie Genevard, para barrar a entrada de produtos que apresentem resíduos de mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim — defensivos agrícolas cujo uso é vetado pelas normas sanitárias europeias.
Entre os itens afetados estão abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs provenientes da América do Sul ou de qualquer outra região. De acordo com o primeiro-ministro, a fiscalização será reforçada por uma brigada especializada, com o objetivo de assegurar o cumprimento rigoroso da legislação sanitária francesa.
Pressão dos agricultores
Lecornu classificou a decisão como “a primeira etapa” para proteger as cadeias produtivas nacionais e os consumidores franceses, além de combater a concorrência desleal. Segundo ele, a medida busca garantir justiça e equidade para os agricultores locais, que seguem regras mais rígidas de produção.
O anúncio ocorre em meio a bloqueios e protestos organizados por agricultores franceses desde dezembro, motivados tanto pela condução do governo no enfrentamento da dermatose nodular contagiosa (DNC) em rebanhos bovinos quanto pela oposição ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
O tratado com o bloco sul-americano — formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — ainda não foi oficialmente assinado e enfrenta resistência em diversos países europeus. Segundo a agência Reuters, a Comissão Europeia chegou a discutir a inclusão de cláusulas de salvaguarda para produtos sensíveis, como a carne bovina, e a presidente do órgão, Ursula von der Leyen, informou em 18 de dezembro que a assinatura do acordo foi adiada para janeiro, diante da pressão política e social.
Fonte: Agência O Globo
VEJA MAIS:
- Conheça o Elfo do Porto Azul, o cavalo que mudou a marcha picada para sempre
- Conheça as raças de burros e jumentos mais raros e que você não sabia que existia
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.