Frio extremo mata 83 bovinos em MS e expõe desafio da pecuária diante de eventos climáticos severos

Mortes de bovinos foram registradas em cinco propriedades rurais de Mato Grosso do Sul; Iagro reforça medidas preventivas para reduzir perdas durante ondas de frio extremo.

A forte onda de frio que atingiu Mato Grosso do Sul nos últimos dias provocou a morte de pelo menos 83 bovinos por hipotermia, acendendo um alerta para os impactos dos eventos climáticos extremos sobre a pecuária brasileira. Os casos foram confirmados pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), que atribui as perdas à combinação de temperaturas muito baixas e à exposição prolongada dos animais às condições adversas.

As ocorrências foram registradas em cinco propriedades rurais do estado. Quatro delas estão localizadas na região de Nova Andradina, onde morreram 74 animais, enquanto outra propriedade, em Angélica, contabilizou nove óbitos. Segundo a agência, os casos não estão relacionados a doenças, mas sim aos efeitos diretos do frio intenso sobre o rebanho.

Pecuária enfrenta novo desafio com eventos climáticos extremos

De acordo com a Iagro, parte das perdas poderia ser minimizada com a adoção de medidas preventivas, como suplementação alimentar adequada, oferta de abrigos naturais ou artificiais e manejo antecipado dos animais em áreas menos expostas às intempéries. No entanto, a entidade reconhece que a preparação para fenômenos climáticos extremos ainda representa um desafio para grande parte dos produtores rurais.

Segundo o gerente de Controle e Operações da agência, Marco Aurélio Guimarães, muitos pecuaristas não possuem estrutura suficiente para enfrentar mudanças bruscas de temperatura, especialmente quando elas ocorrem em curto espaço de tempo.

Além disso, categorias mais vulneráveis, como bezerros, animais jovens e bovinos debilitados, tendem a sofrer mais durante períodos de frio intenso, exigindo atenção redobrada nas propriedades.

Impacto econômico preocupa produtores

Embora os casos não representem risco sanitário para a cadeia da carne bovina, as perdas geram impactos econômicos significativos. Segundo a Iagro, a morte dos animais reduz a produção, compromete a rentabilidade das propriedades e afeta indiretamente toda a cadeia pecuária.

A agência esclarece que não existe relação entre os óbitos por hipotermia e a disseminação de enfermidades ou problemas na qualidade da carne produzida. O prejuízo está concentrado na perda direta dos animais e na redução da oferta de gado.

Como proteger o rebanho durante ondas de frio extremo

Diante do avanço de massas de ar polar cada vez mais intensas no Centro-Sul do país, a recomendação é que os produtores adotem estratégias preventivas para proteger os animais.

Entre as principais medidas indicadas pela Iagro estão:

  • Disponibilizar áreas de abrigo contra ventos e baixas temperaturas;
  • Evitar a permanência do rebanho em áreas próximas a rios, açudes e regiões alagadas;
  • Reforçar a suplementação alimentar durante os períodos mais frios;
  • Fornecer volumosos, forragens e concentrados energéticos;
  • Priorizar o acompanhamento de bezerros, vacas recém-paridas e animais debilitados;
  • Monitorar constantemente o comportamento do rebanho durante as madrugadas e primeiras horas da manhã.

O que fazer quando houver mortes no rebanho

A Iagro orienta que qualquer mortalidade acima dos índices considerados normais seja comunicada imediatamente ao órgão de defesa sanitária. Quando acionado, o Serviço Veterinário Oficial realiza inspeções para verificar as causas das mortes e efetuar a baixa dos animais nos registros oficiais.

Nos casos em que a vistoria não puder ser realizada rapidamente, o produtor deverá apresentar laudo emitido por médico-veterinário habilitado. A remoção adequada e rápida das carcaças também é considerada fundamental para evitar problemas sanitários secundários, como botulismo e outras enfermidades associadas à decomposição.

Mudanças climáticas ampliam riscos na pecuária

Os casos registrados em Mato Grosso do Sul reforçam uma preocupação crescente entre técnicos e pecuaristas: a necessidade de adaptar os sistemas de produção a eventos climáticos cada vez mais extremos. Se antes o foco estava concentrado em secas prolongadas e ondas de calor, episódios de frio intenso também passam a exigir planejamento, infraestrutura e manejo específico para proteger o rebanho.

Para especialistas, investir em prevenção tende a ser mais barato do que absorver prejuízos causados por perdas de animais, especialmente em um momento em que o valor da arroba e dos custos de produção seguem em níveis elevados.

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