Frísia compra esmagadora de soja da Louis Dreyfus em Ponta Grossa

A planta está instalada em terreno de 58,08 hectares e tem capacidade de processamento de 3,4 mil toneladas de soja por dia.

São Paulo, 3 – A Frísia Cooperativa Agroindustrial assinou contrato para a compra de uma esmagadora de soja da Louis Dreyfus Company (LDC) em Ponta Grossa (PR). O valor da operação não foi divulgado. Segundo a cooperativa, com sede em Carambeí (PR), o movimento aprofunda a estratégia de verticalização, reforça a aposta no mercado de biocombustíveis e integra o Planejamento Estratégico 2025-2030.

A planta está instalada em terreno de 58,08 hectares e tem capacidade de processamento de 3,4 mil toneladas de soja por dia, com capacidade estática de armazenagem de 300 mil toneladas. A estrutura inclui áreas de recepção, beneficiamento e armazenagem de grãos, preparação da soja, extração de óleo e farelo, degomagem, envase de lecitina e refinaria. Os atuais colaboradores serão mantidos.

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O foco central da unidade será a produção de óleo de soja degomado, destinado predominantemente à fabricação de biocombustíveis, e de farelo voltado ao mercado interno e à exportação. A esmagadora também produzirá lecitina e casca de soja, insumos utilizados na indústria de alimentos para consumo humano e na nutrição animal.

O superintendente da Frísia, Mario Dykstra, afirmou em nota que a aquisição “representa um avanço significativo para o cooperativismo paranaense, agregando valor para seus cooperados e impulsionando o desenvolvimento regional”. Segundo ele, a verticalização “é um pilar fundamental do nosso Planejamento Estratégico para o ciclo 2025-2030”. “Ao integrarmos etapas produtivas, desde o recebimento da matéria-prima até a industrialização e comercialização dos derivados, ampliamos nossa eficiência, fortalecemos a competitividade e garantimos maior autonomia para enfrentar os desafios do mercado”, declarou.

A conclusão da operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da transferência das licenças e autorizações pertinentes. A cooperativa estima que o processo seja encerrado até o segundo semestre de 2026.

A compra ocorre em um ciclo de expansão acelerada. Em setembro do ano passado, a Frísia anunciou plano de investimentos de aproximadamente R$ 1 bilhão em cinco anos, com meta de mais que dobrar o faturamento: de R$ 5,79 bilhões registrados em 2024 para R$ 13 bilhões até 2030. Conforme o Relatório de Gestão 2025, a cooperativa encerrou o exercício com receita líquida de R$ 5,99 bilhões, crescimento de 7% em relação ao ano anterior, e sobra líquida de R$ 330 milhões, resultado acima da projeção de R$ 240 milhões divulgada no início de 2025.

No ano passado, a Frísia recebeu aproximadamente 1 milhão de toneladas de grãos em seus armazéns no Paraná e no Tocantins, com capacidade total instalada de 706,3 mil toneladas. No segmento de soja, os cooperados cultivaram 113.823 hectares na safra 2024/2025, com produtividade média de 4.512 quilogramas por hectare, avanço de 14% em relação ao ciclo anterior e desempenho acima da média estadual, estimada em 53 sacas por hectare. A nova unidade, com potencial de processamento anual próximo de 1,2 milhão de toneladas em plena capacidade, amplia a captura de valor ao integrar produção, armazenagem e industrialização sob a mesma estrutura cooperativa.

Com 100 anos de história, a Frísia é a cooperativa de produção mais antiga do Paraná e a segunda do Brasil, fundada em Carambeí. Reúne 1.090 cooperados e 1.373 colaboradores, com unidades em 11 municípios paranaenses e três cidades do Tocantins. Atua nos segmentos de grãos, lácteos, florestas, rações, sementes e proteína animal.

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