Com prejuízo superior a R$ 600 mil, investigação aponta esquema de furto de gado que envolvia adulteração de marcas, possível participação de funcionário e destino irregular do rebanho no Triângulo Mineiro
Um caso que acende o alerta no campo e reforça a crescente preocupação com crimes patrimoniais na pecuária brasileira. Um furto de grandes proporções mobilizou a Polícia Civil em Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro, após 110 cabeças de gado serem levadas de uma fazenda, em um prejuízo estimado em mais de R$ 600 mil. As investigações indicam que os animais tinham destino certo: parte seria vendida para uma companhia de rodeio, enquanto aqueles sem perfil competitivo acabariam comercializados de forma clandestina para abate.
O episódio revela não apenas a ousadia dos criminosos, mas também a sofisticação de um possível esquema que buscava dificultar a identificação do rebanho e acelerar sua inserção no mercado irregular.
Como o furto de gado foi descoberto
O caso veio à tona depois que o próprio pecuarista — dono de um rebanho com cerca de 2,5 mil cabeças — procurou a delegacia para denunciar o desaparecimento dos animais. Na segunda-feira (9), nove bovinos foram recuperados, avaliados em aproximadamente R$ 45 mil.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos tentaram ocultar a origem dos animais ao sobrepor uma nova marcação sobre a identificação original do proprietário. Ainda assim, o produtor conseguiu reconhecer os bovinos recuperados.
A estratégia indica um método comum em furtos rurais: adulterar sinais de propriedade para facilitar a revenda e reduzir riscos durante fiscalizações.
Destino do gado roubado: rodeio e mercado clandestino
As apurações apontam que os animais seriam direcionados a dois mercados distintos. Os exemplares considerados aptos para competição seriam negociados com uma companhia de rodeio, enquanto os demais seguiriam para abate irregular — prática que representa riscos sanitários e concorrência desleal com a cadeia formal da carne.
Esse tipo de desvio preocupa autoridades e produtores, pois conecta o furto rural a redes comerciais que podem atravessar municípios e até estados.
Possível participação interna
Um dos pontos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi o depoimento de um trabalhador da própria fazenda, que estaria envolvido no furto de gado.
De acordo com o delegado Eduardo Trepiche, um dos envolvidos trabalhava na propriedade, confessou participação no crime e admitiu que o gado pertencia ao pecuarista.
O funcionário foi ouvido e liberado após o flagrante, e ninguém havia sido preso até o momento da apuração.
A eventual participação de alguém com acesso direto ao rebanho reforça um risco conhecido por produtores: crimes que contam com informações privilegiadas sobre rotinas da fazenda, manejo e logística.
Crimes investigados e próximos passos
Os suspeitos devem responder por uma série de delitos, incluindo:
- Associação criminosa
- Furto de semoventes (animais de produção)
- Adulteração de marca de animal
- Possível uso de documento público falso
A Polícia Civil segue investigando para localizar o restante do gado e compreender toda a estrutura do esquema.
Crime que preocupa o agro
O furto de gado — também conhecido como abigeato — está entre os crimes que mais geram prejuízos diretos ao produtor, afetando fluxo de caixa, planejamento reprodutivo e até contratos comerciais. Além disso, quando há ligação com abate clandestino, o problema ultrapassa a porteira e passa a ser também uma questão de saúde pública.
Casos como o de Estrela do Sul mostram que investimento em rastreabilidade, controle de acesso e monitoramento das propriedades deixou de ser apenas uma medida preventiva e se tornou parte essencial da gestão moderna da pecuária. Enquanto as buscas continuam, o episódio serve de alerta para o setor: a profissionalização do crime rural exige, cada vez mais, uma pecuária igualmente profissionalizada em segurança.
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