Entenda como a alta da prolactina e o declínio das gonadotofinas suspendem a produção de ovos, exigindo estratégias de manejo para evitar prejuízos na avicultura
O comportamento de “choco” é um dos maiores paradoxos da avicultura: ao mesmo tempo que representa o ápice do instinto maternal, sinaliza uma interrupção abrupta na linha de produção de ovos. Mas, afinal, por que vemos uma galinha choca sem botar ovos?
Para o produtor, entender esse mecanismo não é apenas uma questão de curiosidade biológica, mas de gestão econômica, já que a persistência desse estado pode reduzir a produtividade anual de um lote em até 15% a 20%.
O que a ciência explica sobre a galinha choca sem botar ovos?
A resposta para a pergunta “por que a galinha choca sem botar ovos?” reside na endocrinologia. De acordo com estudos de fisiologia reprodutiva da Embrapa Suínos e Aves e da Universidade Federal de Viçosa (UFV), o choco é desencadeado por um aumento exponencial nos níveis de prolactina, um hormônio secretado pela glândula pituitária anterior.
Diferente do que muitos pensam, o choco não é uma doença, mas um estado fisiológico alternativo. Quando a prolactina sobe, ocorre um efeito de retroalimentação negativa (feedback negativo) sobre o hipotálamo, inibindo a liberação de gonadotofinas (FSH e LH). O resultado é imediato: o ovário da ave regride, os folículos param de se desenvolver e a postura é totalmente interrompida. Portanto, a galinha para de botar para que possa focar toda a sua energia metabólica na incubação.
Fatores ambientais que mantêm a galinha choca sem botar ovos
Muitas vezes, o produtor se depara com a galinha choca sem botar ovos mesmo sem a presença de um ninho cheio. Isso ocorre devido a estímulos táteis e térmicos. A ave busca locais escuros e quentes, e o simples contato do seu peito com uma superfície côncava pode mimetizar a presença de ovos, mantendo os níveis de prolactina elevados.
Estatísticas do setor de avicultura de postura indicam que linhagens pesadas e aves de “fundo de quintal” (caipiras) têm uma predisposição genética 35% maior ao choco do que as linhagens industriais modernas (como Lohmann ou Hy-Line), que foram selecionadas geneticamente para “esquecer” o instinto maternal em prol da persistência de postura.
A “Placa de Incubação”: O radiador natural
Durante esse período, a ave desenvolve a chamada placa de incubação. Trata-se de uma área no peito onde as penas caem e a vascularização aumenta drasticamente. O objetivo é transferir o calor corporal diretamente para o que estiver sob ela. Esse processo consome cerca de 20% mais energia basal da ave, o que explica por que ela perde peso rapidamente se não for bem manejada.
Manejo e produtividade: Como reverter o quadro?
Para o agronegócio, manter uma galinha choca sem botar ovos no plantel é custoso. O manejo de “quebra de choco” deve ser feito seguindo normas de bem-estar animal para evitar o estresse severo.
- Identificação precoce: Retirar a ave do ninho assim que os primeiros sinais (irritabilidade e sons roucos) surgirem.
- Choque térmico ambiental: Mover a ave para um ambiente bem iluminado, ventilado e com piso frio. Isso ajuda a baixar a temperatura interna da placa de incubação, sinalizando ao cérebro que o ambiente não é propício para a vida embrionária.
- Nutrição de choque: Aumentar a oferta de cálcio e proteína para estimular o recrudescimento dos folículos ovarianos.
Pesquisas publicadas no Journal of Applied Poultry Research mostram que aves retiradas do ninho nas primeiras 24 horas de comportamento de choco retornam à postura em média 7 a 10 dias antes do que aves que ficaram em choco por mais de 3 dias.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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