Sistema adotado pela C.Vale, uma gigante da piscicultura, com tanques revestidos por geomembrana amplia a produtividade, reduz o uso de água e consolida um novo modelo de criação de peixes em alta densidade no Oeste do Paraná
A inovação sempre esteve no DNA da C.Vale. Em 1997, quando ainda era pouco conhecida no Brasil, a climatização de aviários foi adotada de forma pioneira pela cooperativa, revolucionando a avicultura nacional e tornando-se, anos depois, padrão em praticamente todas as integrações do país. Quase três décadas após aquele movimento considerado ousado à época, a C.Vale volta a apostar em tecnologia de ponta — agora, na piscicultura.
A novidade chega com a implantação de tanques de criação de tilápias recobertos com geomembrana, um material flexível, soldável e altamente resistente à radiação solar. O sistema representa um salto tecnológico em relação aos tanques convencionais, principalmente por reduzir significativamente o consumo de água e permitir um aumento expressivo na densidade de peixes por metro quadrado, elevando a produtividade da atividade.
Tecnologia aplicada no campo
O associado Moacir Niehues, produtor rural na Linha São Sebastião, no interior de Palotina, já atua com piscicultura em 17,5 hectares de lâmina d’água, onde cria tilápias em nove tanques convencionais. Desde 2022, ele aloja cerca de 1,2 milhão de peixes por ciclo. Após conhecer o novo sistema durante ações técnicas promovidas pela cooperativa, decidiu ampliar a atividade com a construção de 12 tanques revestidos com geomembrana, medindo 16 por 250 metros cada.
As obras estão programadas para iniciar em janeiro e devem ser concluídas no segundo semestre de 2026, quando a propriedade passará a contar com mais 2,88 hectares destinados exclusivamente à piscicultura de alta densidade — um aumento relativamente pequeno de área, mas com impacto significativo na produção.

Investimento robusto e financiamento estruturado
Para viabilizar a nova etapa do projeto, Niehues fará um investimento estimado em R$ 7 milhões, valor que contempla toda a infraestrutura dos tanques, sistemas de aeração, equipamentos de controle e reforço energético. Os recursos serão obtidos por meio da linha Fiagro-FIDC, estruturada com apoio da própria C.Vale, da Fomento Paraná e do Sicredi, com taxa de juros de 9% ao ano.
Durante o Dia de Campo 2025/26 da cooperativa, o produtor apresentou o projeto ao presidente da C.Vale, Alfredo Lang, e ao gerente do Departamento de Peixes, Paulo Poggere, reforçando a confiança no modelo tecnológico adotado e na segurança oferecida pela cooperativa para o desenvolvimento da atividade.
De 1,2 milhão para mais de 2 milhões de peixes por ciclo
O grande diferencial do novo sistema está na capacidade de alojamento. Enquanto o método convencional permite cerca de 7 peixes por metro quadrado, os tanques com geomembrana viabilizam até 30 tilápias por metro quadrado. Com isso, mesmo ampliando a área da piscicultura em apenas 16%, Niehues conseguirá elevar o número de peixes alojados em 72%, ultrapassando a marca de 2 milhões de tilápias por ciclo.
Esse salto produtivo exige cuidados adicionais, especialmente com o fornecimento de energia elétrica. Para garantir a oxigenação contínua da água, o produtor está implantando uma estrutura reforçada, com duas linhas independentes de geradores. Em caso de falha no fornecimento da rede principal, um conjunto entra automaticamente em operação; se necessário, uma segunda linha de reserva é acionada, minimizando riscos diante da alta densidade de peixes.
Piscicultura: Rentabilidade que supera a agricultura tradicional
Acostumado a análises financeiras detalhadas, Niehues destaca que a piscicultura, nas condições atuais, apresenta rentabilidade superior à produção de grãos. Em uma comparação direta, ele calcula que seriam necessários 232 hectares de soja para gerar a mesma renda bruta obtida com os 2,88 hectares destinados às tilápias criadas em alta densidade.
Ao lado do filho Guilherme, apontado como futuro sucessor na atividade, o produtor vê o investimento como estratégico e alinhado ao futuro do setor. “Esse sistema é o caminho natural da piscicultura. A tendência é que outros produtores migrem para a criação em alta densidade, porque os números mostram que o modelo é eficiente, seguro e economicamente viável”, projeta.
Com a adoção dessa tecnologia, a C.Vale reforça seu papel como indutora de inovação no campo e ajuda a consolidar a piscicultura como uma das atividades mais promissoras do agronegócio brasileiro, aliando produtividade, sustentabilidade e escala.
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