Nova unidade da J.Macêdo em Londrina reforça presença no Sul e Sudeste, aposta em tecnologia e pode transformar logística e industrialização do trigo no Brasil; fábrica para processar 200 mil toneladas de trigo por ano é nova aposta
A expansão da indústria do trigo no Brasil ganha um novo capítulo com a inauguração de uma megaestrutura no Paraná. Segundo informações divulgadas pelo Estadão, de forma ética e devidamente creditada, a J.Macêdo colocou em operação uma nova fábrica em Londrina (PR), resultado de um investimento de R$ 300 milhões e com capacidade para processar mais de 200 mil toneladas de trigo por ano.
A nova planta industrial já nasce com papel estratégico dentro da companhia, não apenas pelo volume produtivo, mas pela proposta de se tornar um hub logístico e industrial para atendimento das regiões Sul e Sudeste, dois dos principais mercados consumidores do país.
Estrutura robusta e tecnologia de ponta marcam nova fase da empresa
Instalada em uma área de aproximadamente 276 mil metros quadrados, a unidade reúne um conjunto industrial completo. Entre os principais destaques estão:
- Moinho de trigo com capacidade de moagem de 660 toneladas por dia
- Silos com capacidade de armazenagem de até 42 mil toneladas
- Centro de distribuição integrado, que dará suporte à operação da empresa em São José dos Campos (SP)
Além da escala, o projeto foi concebido no modelo greenfield, ou seja, construído do zero, permitindo a adoção de tecnologias mais modernas. A planta também segue um conceito modular, o que possibilita ampliar a produção no futuro sem interromper as atividades — um diferencial importante em termos de eficiência operacional.
Outro ponto relevante é o foco em sustentabilidade e eficiência. A fábrica incorpora sistemas voltados para:
- Eficiência energética
- Uso racional da água
- Redução da geração de resíduos
Geração de empregos e impacto regional
A unidade já inicia suas operações com cerca de 200 funcionários diretos, contribuindo para a geração de empregos e movimentação econômica no norte do Paraná.
Além disso, a planta é a primeira a se instalar na Cidade Industrial de Londrina, uma área em desenvolvimento com apoio do governo estadual, o que indica potencial de atração de novos investimentos para a região.
De acordo com a direção da empresa, o investimento tem como objetivo ampliar a relevância da unidade de Londrina dentro da operação nacional. A cidade, que antes tinha participação menor, passa a ocupar uma posição estratégica.

Na prática, isso significa maior capacidade de atendimento a mercados consumidores importantes e ganho de competitividade logística, especialmente no transporte e distribuição de produtos derivados do trigo.
Fundada em 1939, a J.Macêdo é uma das principais indústrias alimentícias do Brasil, atuando nos segmentos de:
- Farinha de trigo
- Misturas para bolos
- Massas alimentícias
A empresa é responsável por marcas conhecidas do consumidor brasileiro, como Dona Benta, Sol, Petybon, Brandini e Boa Sorte, e conta com cerca de 3 mil colaboradores.
Paraná ganha protagonismo na cadeia do trigo
A escolha do Paraná para sediar a nova unidade não é por acaso. O estado é atualmente o segundo maior produtor de trigo do Brasil, com uma produção de 2,3 milhões de toneladas em 2024, cultivadas em uma área de 1,1 milhão de hectares.
O Valor Bruto de Produção (VBP) do trigo no estado alcançou R$ 2,9 bilhões, reforçando a importância da cultura para o agronegócio regional. Londrina, especificamente, aparece como destaque, sendo o segundo maior produtor estadual, com 57 mil toneladas.
Além disso, o Paraná também tem relevância no comércio exterior, com exportações de trigo que somaram US$ 105,7 milhões na safra 2023/24.
Expansão não para por aqui
A nova unidade faz parte de um plano mais amplo da companhia. O projeto prevê futuras expansões, incluindo a instalação de linhas para:
- Produção de massas
- Fabricação de biscoitos
Esse movimento indica que a empresa não pretende apenas ampliar a moagem de trigo, mas também verticalizar a produção e agregar valor, acompanhando as tendências da indústria alimentícia.
O que muda para o agro e a indústria
A entrada em operação dessa fábrica representa mais do que um investimento industrial. Na prática, ela:
- Aumenta a capacidade de processamento nacional de trigo
- Fortalece a cadeia produtiva do cereal no Sul do país
- Melhora a logística e distribuição para grandes centros consumidores
- Estimula a produção agrícola regional
Em um cenário de crescente demanda por alimentos e necessidade de eficiência na cadeia produtiva, iniciativas como essa reforçam o papel do Brasil não apenas como produtor de commodities, mas também como potência na industrialização de alimentos.
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