Investigação da Polícia Civil aponta que empresário teria comprado gado com cheques sem fundos, revendido cerca de 2,4 mil cabeças e causado prejuízo milionário a pecuaristas; promotora de Justiça, mãe do suspeito, também é citada na apuração e nega qualquer participação.
Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) colocou sob os holofotes um suposto esquema de fraude envolvendo compra e revenda de gado no estado. O principal suspeito é o empresário Gabriel Fucciolo de Oliveira Brandão, de 26 anos, apontado como responsável por movimentar cerca de R$ 4 milhões em negociações ilícitas de bovinos, deixando um rastro de mais de R$ 3 milhões em prejuízos diretos para pecuaristas.
O caso ganhou ainda mais repercussão por envolver também a promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira, mãe do investigado, que passou a ser alvo de apuração para verificar se teria tido participação, conhecimento ou eventual apoio no esquema.
Segundo as investigações, pelo menos cinco pecuaristas foram vítimas da suposta fraude, que teria ocorrido por meio da compra de animais com cheques sem fundos ou posteriormente sustados, prática que permitia ao suspeito tomar posse do gado sem realizar o pagamento.
De acordo com a Polícia Civil, o empresário se aproximava de produtores rurais interessados em vender animais e fechava negócios aparentemente legítimos. O pagamento era realizado com cheques, que posteriormente não eram compensados por falta de saldo ou eram sustados, caracterizando o possível golpe.
Após adquirir o rebanho sem efetuar o pagamento, os animais eram transportados para uma propriedade rural localizada no município de Varjão, em Goiás, pertencente à mãe do investigado. Na sequência, o gado seria encaminhado para leilões, onde era revendido a terceiros.
A polícia estima que aproximadamente 2,4 mil cabeças de gado tenham sido comercializadas dentro desse suposto esquema, o que ajudaria a explicar o alto volume financeiro movimentado.
Segundo os investigadores, a estratégia permitia que os animais fossem rapidamente reinseridos no mercado, dificultando a rastreabilidade das transações e ampliando o prejuízo das vítimas.
Um dos pontos que chamou a atenção das autoridades foi o suposto uso da posição profissional da mãe do investigado como forma de transmitir credibilidade aos pecuaristas.
Testemunhas relataram à Polícia Civil que, durante as negociações, Gabriel frequentemente simulava conversas telefônicas com a promotora, mencionando detalhes técnicos sobre o gado e sugerindo que ela acompanhava ou autorizava os negócios.
Essa postura, segundo depoimentos colhidos pela investigação, teria contribuído para reforçar a confiança dos vendedores, que acreditavam estar lidando com um comprador respaldado financeiramente.
Em depoimento às autoridades, Leila Maria de Oliveira negou qualquer participação no esquema investigado. Ela afirmou que não acompanha a vida profissional do filho e que nunca participou de leilões de gado ou avalizou negociações feitas por ele.
A promotora também comentou sobre um cheque de R$ 77 mil emitido em seu nome, citado durante a investigação. Segundo ela, desconhece a origem do documento e questionou o fato de a pessoa que recebeu o cheque não ter ingressado com ação judicial diretamente contra ela.
A apuração agora busca esclarecer se houve eventual ciência da promotora sobre o uso da propriedade rural para movimentação do gado ou se sua imagem foi utilizada sem autorização.
Procurada para comentar o caso, a defesa de Gabriel Fucciolo e de Leila Maria de Oliveira afirmou que as acusações estariam tentando transformar uma disputa financeira em crime de estelionato.
Segundo os advogados, o episódio seria resultado de um conflito comercial relacionado a dívidas, o que, na visão da defesa, não configuraria fraude criminal.
A equipe jurídica também declarou que, caso entenda necessário, poderá levar o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), questionando a forma como as acusações foram conduzidas.
A Polícia Civil continua reunindo depoimentos, documentos e registros de transações para determinar a extensão do suposto esquema e identificar possíveis responsabilidades criminais.
Entre os pontos analisados estão:
- a origem dos cheques utilizados nas negociações
- o destino final dos animais revendidos
- eventuais vínculos financeiros entre os investigados
- a possível participação de terceiros na comercialização do rebanho
O caso chama atenção dentro do setor pecuário goiano por envolver grandes volumes de gado e prejuízos expressivos para produtores, além de levantar discussões sobre a necessidade de maior segurança nas negociações de animais e nos sistemas de pagamento utilizados no mercado rural.
Enquanto a investigação avança, os pecuaristas afetados aguardam os desdobramentos judiciais e a possibilidade de recuperar parte dos prejuízos causados pelas transações investigadas.
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