Mudanças entram em vigor em abril, elevam PIS/Cofins e Funrural e acendem alerta sobre impacto direto na rentabilidade do produtor rural; Fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas deixaram de contar com alíquota zero
A partir de 1º de abril de 2026, o agronegócio brasileiro passou a enfrentar uma nova realidade tributária. Fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas deixaram de contar com alíquota zero de PIS e Cofins, passando a ser tributados conforme as novas regras estabelecidas por legislação federal. A medida, que também veio acompanhada do aumento das alíquotas do Funrural, já provoca preocupação em toda a cadeia produtiva, especialmente em um momento de margens pressionadas e volatilidade internacional.
A mudança representa uma inflexão importante na política de incentivos ao setor, historicamente beneficiado por regimes especiais para garantir competitividade e segurança alimentar. Agora, o custo de produção tende a subir de forma direta, afetando desde pequenos produtores até grandes operações agrícolas.
Nova tributação encarece insumos estratégicos
Com o fim da alíquota zero, os fertilizantes e outros insumos passaram a ter incidência de PIS e Cofins. As novas alíquotas chegam a 0,925% ou podem representar aumento de até 10% da alíquota cheia, dependendo do regime tributário adotado pelas empresas.
Na prática, isso significa que itens essenciais para a produção — como adubos, corretivos, sementes e defensivos — passam a carregar um custo adicional que, inevitavelmente, será repassado ao longo da cadeia.
Especialistas do setor apontam que o impacto dos impostos para o agronegócio não se limita ao preço final dos insumos, mas também compromete o planejamento das safras, já que os custos de produção se tornam mais elevados e imprevisíveis. Em culturas altamente dependentes de fertilização, como soja, milho e algodão, o efeito tende a ser ainda mais sensível.
Além disso, o Brasil é fortemente dependente de importações de fertilizantes, o que agrava o cenário. Fatores externos, como conflitos geopolíticos e oscilações cambiais, já pressionam os preços internacionais, e a nova carga tributária interna intensifica esse movimento.
Aumento do Funrural amplia pressão sobre o produtor
Paralelamente à tributação dos insumos, também entrou em vigor o aumento das alíquotas do Funrural, outro ponto de forte impacto para o setor.
As mudanças atingem tanto pessoas físicas quanto jurídicas:
- Produtor rural pessoa física: alíquota passou de 1,3% para 1,43%
- Produtor rural pessoa jurídica: carga total subiu de aproximadamente 2,05% para 2,23%
O Funrural incide sobre a receita bruta da comercialização da produção, o que significa que o aumento reduz diretamente a margem líquida do produtor, independentemente do desempenho produtivo.
Na avaliação de analistas, essa elevação ocorre em um momento delicado, em que muitos produtores ainda lidam com custos elevados de insumos, juros mais altos e oscilações nos preços das commodities.

Reação política e preocupação do setor com impostos para o agronegócio
A medida gerou reação imediata entre representantes do agronegócio. O deputado federal Rafael Pezenti criticou a decisão, destacando que o aumento da carga tributária sobre o setor pode comprometer a competitividade da produção brasileira.
Entidades do setor, como a Fecoagro, também manifestaram preocupação com os efeitos práticos das mudanças. Segundo a federação, a soma de novos tributos com um cenário já pressionado pode resultar em redução de investimentos, menor adoção de tecnologia e impacto na produtividade.
Impactos podem chegar ao consumidor final
Embora o impacto inicial recaia sobre o produtor rural, especialistas alertam que os efeitos tendem a se espalhar por toda a cadeia, podendo atingir o consumidor final.
Com custos mais altos na produção, há risco de repasse para os preços dos alimentos, especialmente em cadeias mais sensíveis a insumos químicos e fertilização intensiva. Isso pode pressionar a inflação de alimentos nos próximos meses, dependendo do comportamento do mercado.
Momento exige estratégia e eficiência no campo
Diante do novo cenário, o setor produtivo deve intensificar estratégias para mitigar os impactos. Entre as alternativas discutidas estão:
- Aumento da eficiência no uso de insumos
- Adoção de tecnologias de agricultura de precisão
- Revisão de custos operacionais
- Busca por maior produtividade por hectare
Ainda assim, especialistas reforçam que o aumento da carga tributária – impostos para o agronegócio – reduz a margem de manobra do produtor, especialmente em um ambiente de risco climático e incertezas globais.
O novo modelo tributário marca uma mudança estrutural importante para o agronegócio brasileiro. E, ao que tudo indica, os efeitos dessa decisão devem se refletir não apenas na próxima safra, mas em toda a dinâmica de custos e competitividade do setor nos próximos anos.
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