Publicação do Incra consolida dados oficiais sobre preços das terras rurais, revela forte valorização do ativo e se firma como principal referência pública para políticas fundiárias, crédito e mercado imobiliário rural no Brasil
O Brasil passou a contar, oficialmente, com a edição mais atualizada e abrangente do seu principal instrumento de leitura do mercado fundiário. Foi lançado nesta terça-feira (31/12) o Atlas do Mercado de Terras 2025, documento elaborado e publicado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que organiza, sistematiza e analisa dados sobre os preços das terras rurais em todo o país.
A publicação reúne informações detalhadas sobre valores médios, mínimos e máximos, tipologias de uso do solo, valor da terra nua (VTN) e valor total dos imóveis rurais, permitindo uma leitura aprofundada da dinâmica do mercado de terras em escala nacional, regional, estadual e por mercados regionais específicos. Os dados têm como base negociações efetivas, ofertas de mercado e análises técnicas realizadas pelas superintendências regionais do Incra, com tratamento estatístico padronizado.
Mais do que um levantamento de preços, o Atlas se consolida como um instrumento estratégico de governança fundiária, oferecendo subsídios técnicos para políticas públicas, decisões judiciais, operações de crédito, regularização fundiária e planejamento territorial.
Na avaliação do diretor de Gestão Estratégica do Incra, Gustavo Noronha, a autarquia reúne hoje uma das maiores expertises do país em avaliações fundiárias. Segundo ele, transformar esse conjunto de informações em um Atlas público e estruturado amplia o acesso da sociedade a dados confiáveis sobre o preço da terra.
A iniciativa, segundo o diretor, contribui diretamente para qualificar o debate sobre políticas públicas, reforma agrária, governança da terra e para reduzir assimetrias de informação no mercado, aumentando a eficiência econômica e a transparência nas transações envolvendo imóveis rurais.
O documento atende a um público amplo e estratégico. Entre os principais usuários estão:
- Gestores públicos e técnicos do Incra
- Formuladores de políticas públicas
- Pesquisadores e universidades
- Agentes do mercado imobiliário rural
- Instituições financeiras
- Órgãos de controle e operadores do sistema de justiça
- Produtores rurais e sociedade em geral
No âmbito da reforma agrária e da regularização fundiária, o Atlas tem papel central. Ele subsidia avaliações de imóveis, processos de desapropriação, indenizações, planejamento territorial e definição de parâmetros oficiais, fortalecendo a segurança jurídica e a previsibilidade das ações do Estado.
Alta expressiva reflete valorização do ativo terra, avanço do agronegócio e fortes diferenças regionais; dados têm como base o Atlas do Mercado de Terras 2025
O levantamento revela um dos movimentos de valorização mais consistentes do mercado fundiário brasileiro nos últimos anos. Entre 2022 e 2024, o valor médio das terras rurais no Brasil subiu 28,36%, alcançando R$ 22.951,94 por hectare, segundo os dados consolidados no Atlas do Mercado de Terras 2025. A referência utilizada é dezembro de 2024, com base nas Planilhas de Preços Referenciais (PPR) elaboradas pelas superintendências regionais do Incra.
O resultado confirma a terra como um dos ativos mais valorizados do agronegócio brasileiro, impulsionada por fatores como:
- Expansão da produção agropecuária
- Demanda crescente por áreas produtivas
- Valorização das commodities
- Avanços logísticos em regiões estratégicas
- Uso da terra como reserva de valor e garantia financeira
Diferentemente de estudos privados, o Atlas do Mercado de Terras é hoje o único referencial nacional gratuito e oficial sobre preços de terras rurais no Brasil. A edição 2025 consolida dados de 245 Mercados Regionais de Terras (MRTs), distribuídos em todas as regiões do país.
As informações são obtidas a partir de três fontes principais:
- Negociações efetivamente realizadas
- Ofertas de venda de imóveis rurais
- Análises técnicas e opiniões de valor
Todo o material passa por tratamento estatístico padronizado, conduzido por uma equipe de aproximadamente 100 técnicos especializados, o que garante maior precisão e comparabilidade entre regiões.
O Atlas também detalha a valorização conforme o uso predominante da terra, evidenciando que o movimento não foi homogêneo. Os dados apontam:
- Terras destinadas à pecuária: +31,24%
- Exploração mista (agricultura e pecuária): +28,36%
- Áreas com vegetação nativa: +28,36%
- Florestas plantadas: +17,92%
- Terras agrícolas: +12,00%
O desempenho da pecuária reflete a demanda por áreas consolidadas, especialmente em regiões de expansão do boi de corte, da integração lavoura-pecuária (ILP) e de sistemas produtivos mais intensivos.
Apesar do valor médio nacional próximo de R$ 23 mil por hectare, o Atlas evidencia fortes disparidades regionais. Sul e Sudeste concentram os maiores preços médios, influenciados por:
- Infraestrutura logística consolidada
- Histórico de ocupação produtiva
- Proximidade de grandes centros consumidores
- Alta produtividade por hectare
Em contrapartida, áreas do Norte e do Nordeste, especialmente aquelas com restrições ambientais, menor liquidez ou infraestrutura limitada, apresentam valores mais baixos, ainda que com tendência gradual de valorização.
O estudo reforça que a terra rural brasileira extrapola sua função produtiva. Ela se consolida como ativo patrimonial, financeiro e institucional, sendo utilizada como base para:
- Operações de crédito rural
- Garantias financeiras
- Indenizações e desapropriações
- Regularização fundiária
- Planejamento territorial
A disponibilização pública desses dados contribui para maior transparência, redução de distorções de mercado e decisões mais equilibradas, tanto no setor público quanto no privado.
Embora o Atlas não traga projeções formais, o histórico recente indica que o mercado de terras deve seguir aquecido, ainda que com ritmo de valorização mais moderado. O comportamento futuro estará ligado ao desempenho do agronegócio, ao crédito rural, aos investimentos em infraestrutura e à busca contínua por segurança patrimonial.
Assim, o valor médio de R$ 22.951,94 por hectare passa a ser não apenas uma referência estatística, mas um indicador do peso econômico, estratégico e institucional da terra rural no Brasil contemporâneo.
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