O Mapa confirmou a presença do vírus da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma propriedade rural com aves domésticas de subsistência, em Acorizal.
A confirmação de um novo foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves domésticas de subsistência no município de Acorizal, em Mato Grosso, reacende o sinal vermelho para a defesa agropecuária brasileira. O caso foi confirmado nesta sexta-feira (16) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), após análises realizadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP), referência nacional no diagnóstico da doença.
O foco foi identificado depois que o próprio criador percebeu mortes repentinas das aves e acionou o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea). A resposta foi imediata. Seguindo o protocolo sanitário federal, equipes do Indea estão atuando no local com medidas rigorosas para conter e erradicar o vírus, considerado altamente contagioso e letal para aves.
Entre as ações em curso estão a instalação de barreiras sanitárias para controle do trânsito de pessoas, animais, equipamentos e materiais, o abate sanitário de todas as aves da propriedade, a limpeza e desinfecção das instalações e a vigilância intensiva em um raio de até dez quilômetros. Ao todo, cerca de 30 servidores do Indea atuam 24 horas por dia no local, com apoio de técnicos do Mapa e da Polícia Militar.
O novo caso ocorre em um momento delicado. Desde 24 de dezembro, Mato Grosso está em emergência zoossanitária, em razão de um foco anterior da mesma doença registrado em Cuiabá. A propriedade afetada na capital já se encontra em vazio sanitário, período de 28 dias em que é proibida a presença de aves, mas o surgimento de um novo foco demonstra que o risco permanece elevado.
Casos se espalham e mantêm o Brasil em alerta
Embora o Brasil siga reconhecido internacionalmente como país livre de gripe aviária na avicultura comercial, episódios em aves silvestres e de subsistência vêm sendo registrados desde 2023 em diferentes regiões do país. Estados como Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e agora Mato Grosso já confirmaram ocorrências da IAAP, principalmente associadas a aves migratórias ou criações de fundo de quintal.
Esses casos, ainda que fora do sistema comercial, exigem respostas rápidas e rigorosas. O histórico recente mostra que a introdução do vírus costuma ocorrer por meio do contato entre aves domésticas e silvestres, especialmente em áreas sem controle sanitário adequado.
Consumo é seguro, mas vigilância é permanente
O Indea reforça que não há risco à saúde humana pelo consumo de carne de frango ou ovos inspecionados, e que a detecção do vírus em criações de subsistência não compromete a avicultura comercial de Mato Grosso. Ainda assim, o episódio serve como alerta para produtores, autoridades e toda a cadeia do agro.
Os riscos no radar
Ao final, o maior perigo não está apenas na mortalidade das aves, mas nos impactos econômicos e comerciais que a doença pode gerar caso atinja granjas comerciais. A gripe aviária de alta patogenicidade pode provocar embargos internacionais, perdas bilionárias em exportações, desorganização da cadeia produtiva e desemprego no campo. Além disso, falhas na vigilância sanitária ampliam o risco de disseminação do vírus para novas regiões.
O caso de Acorizal reforça uma lição já conhecida, mas nem sempre seguida à risca: biossegurança, notificação imediata e fiscalização permanente não são opcionais. São a linha tênue que separa um foco isolado de uma crise sanitária de grandes proporções.
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