Operação da Polícia Civil de Goiás cumpriu mandados de prisão e busca contra investigados que teriam usado leilões de gado para aplicar fraudes, retirar animais sem pagamento e dificultar o rastreamento do rebanho.
A ofensiva das forças de segurança contra crimes no agronegócio ganhou novos capítulos em Goiás. Uma operação policial mobilizando equipes especializadas e até suporte aéreo resultou na prisão de parte de uma quadrilha suspeita de aplicar um golpe milionário em leilões de gado, esquema que teria causado prejuízos significativos a produtores rurais e empresas do setor.
Deflagrada na última sexta-feira (13), a ação foi conduzida pela Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Polícia de São Miguel do Araguaia — vinculada à 21ª Delegacia Regional de Polícia (DRP) — e teve como foco coibir crimes envolvendo a venda fraudulenta de bovinos em eventos pecuários realizados na região.
Operação mira fraude estruturada e golpe milionário em leilões de gado
A operação foi coordenada pela 21ª DRP de Nova Crixás, com apoio da 18ª DRP de Uruaçu, e resultou no cumprimento de três mandados de prisão contra investigados apontados como integrantes do esquema criminoso. Além disso, foram executados sete mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Poder Judiciário.
Segundo as investigações, o grupo teria montado um esquema fraudulento estruturado, explorando justamente a confiança que tradicionalmente marca as negociações em leilões pecuários.
A estratégia era sofisticada: os suspeitos participavam dos leilões de gado aparentando regularidade nas transações e utilizavam meios de pagamento que, posteriormente, se revelavam falsos ou inválidos. Com isso, conseguiam liberar os animais e transportá-los sem que houvesse a compensação financeira.
Gado era retirado rapidamente para dificultar rastreamento
Após a conclusão das negociações, os animais — juridicamente classificados como semoventes — eram deslocados com rapidez para outras propriedades rurais.

De acordo com a Polícia Civil, o objetivo era dificultar tanto o rastreamento quanto a recuperação do gado, além de ocultar o destino final dos bovinos.
A dinâmica do crime indica atuação coordenada entre os envolvidos, com divisão clara de tarefas e uso de estratégias voltadas à ocultação da origem dos bens. O esquema teria sido operado em um leilão realizado no município de Mundo Novo (GO).
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam diversos documentos nas residências dos investigados, materiais que agora serão analisados para aprofundar as apurações — especialmente no que diz respeito:
- à comprovação da mecânica do crime;
- à movimentação financeira do grupo;
- à responsabilidade individual de cada suspeito.
Também foram localizadas armas de fogo e munições, que passarão por perícia técnica.
Outro ponto relevante foi a determinação judicial de bloqueio de bens pertencentes aos investigados. A medida busca garantir eventual reparação dos prejuízos causados às vítimas, além de fortalecer a efetividade da persecução penal.
Apoio aéreo reforçou ação da Polícia Civil de Goiás
A operação contou com suporte de unidades especializadas, incluindo a CORE/GT3 (Coordenação de Operações e Recursos Especiais), a Divisão de Operações Aéreas — responsável pelo emprego do helicóptero — e o GEIC de Águas Lindas.
O uso de recursos táticos e tecnologia reforça uma tendência crescente das autoridades: tratar crimes contra o agronegócio com maior rigor, sobretudo diante do avanço de fraudes que exploram o alto valor envolvido nas negociações de animais.
Alerta para o setor pecuário
Casos como este acendem um sinal de alerta para produtores, leiloeiros e empresas do segmento. A profissionalização das quadrilhas e a sofisticação dos golpes exigem atenção redobrada na verificação de pagamentos, garantias financeiras e documentação das transações.
Embora as prisões representem um avanço importante, as investigações continuam e novos desdobramentos não estão descartados, já que o material apreendido pode revelar outros participantes ou ramificações do esquema.
A Polícia Civil reforça que denúncias e informações da população podem ser decisivas para interromper crimes dessa natureza — especialmente em um setor que movimenta bilhões e sustenta parte relevante da economia brasileira.

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