Imbatível há mais de 40 anos: o salto de 2,32 m que entrou para a história do hipismo

Recorde de mais de 40 anos, o salto de 2,32 metros segue como referência máxima de potência e precisão no hipismo.

O hipismo mundial guarda momentos que atravessam gerações, e um dos mais impressionantes aconteceu em 1978, quando Nick Skelton, então com apenas 21 anos, entrou para a história ao superar 2,32 metros de altura montando o extraordinário cavalo Everest Lastic. O feito ocorreu durante o tradicional Olympia London International Horse Show, em uma prova de salto em altura que exigia não apenas técnica, mas coragem absoluta de cavalo e cavaleiro.

Mais de quatro décadas depois, o recorde segue intacto, consolidando aquele momento como um dos maiores marcos do esporte equestre britânico.

O salto histórico foi alcançado na terceira tentativa, após ajustes finos de ritmo, distância e confiança mútua. Diferentemente do formato moderno de “muro de potência”, a prova utilizava uma cerca inclinada composta por galhos e trilhos, exigindo ainda mais precisão e leitura do obstáculo.

Cada centímetro importava. Ao avançar rumo à barreira, Skelton manteve controle absoluto, enquanto Everest Lastic respondeu com explosão, força e uma impulsão que parecia desafiar a gravidade. O público presente em Olympia viveu um daqueles raros segundos de silêncio absoluto antes da aterrissagem perfeita, que confirmou o novo recorde nacional.

Everest Lastic não era apenas um cavalo talentoso — era um atleta fora da curva. Castrado, de pelagem cinza, destacava-se pela potência muscular, inteligência e, sobretudo, pela coragem. Em provas de salto em altura, onde o erro pode significar risco real, a confiança do cavalo no cavaleiro é decisiva.

A parceria entre Skelton e Lastic foi construída com base em tempo, repetição e sintonia, algo que fica evidente naquele salto histórico. Sem a entrega total do cavalo, a marca de 2,32 metros jamais teria sido possível.

Mesmo com a evolução genética dos cavalos, avanços em treinamento e mudanças no formato das competições, pouquíssimos cavaleiros sequer tentaram alturas semelhantes desde então. O salto de Skelton permanece como o mais alto já registrado na Grã-Bretanha, um feito que atravessou gerações e segue sendo referência técnica e simbólica no hipismo mundial.

A marca não impressiona apenas pelo número, mas pelo contexto, juventude do cavaleiro e simplicidade estrutural do obstáculo, fatores que tornam o feito ainda mais extraordinário.

Embora o salto de 1978 seja um capítulo inesquecível, a carreira de Nick Skelton vai muito além desse momento. Ao longo de décadas, ele construiu uma trajetória marcada por títulos, resiliência e superação. Mesmo após lesões graves que quase encerraram sua carreira, Skelton retornou ao mais alto nível.

O ápice dessa jornada veio em 2016, quando, aos 58 anos, conquistou a medalha de ouro individual nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, consolidando definitivamente seu nome entre as maiores lendas do hipismo mundial.

O salto de 2,32 metros com Everest Lastic representa mais do que um recorde estatístico. Ele simboliza o auge da harmonia entre cavalo e cavaleiro, a coragem de ir além do limite conhecido e a essência do hipismo de alto rendimento.

Para apaixonados pelo esporte, aquele momento em Olympia segue vivo como um lembrete de que grandes feitos nascem da confiança, do talento e de uma parceria inquebrável — valores que definem o hipismo em sua forma mais pura.

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