Com juros elevados e crédito restrito, empresas recorrem a mecanismos legais para reorganizar dívidas, preservar empregos e manter operações
O número de empresas brasileiras com contas em atraso alcançou um patamar histórico nos últimos meses, impulsionado por um ambiente de juros elevados e maior restrição ao crédito, segundo levantamento da Serasa Experian. Dados mais recentes indicam que 8,4 milhões de companhias estavam inadimplentes em setembro de 2025, o maior volume desde o início da série histórica, somando mais de R$ 200 bilhões em dívidas.
O cenário é particularmente desafiador para micro, pequenas e médias empresas, que concentram a maior parte dos registros de inadimplência e enfrentam dificuldades adicionais para acessar linhas de financiamento. A conjuntura evidencia a necessidade de soluções estruturadas que permitam a reorganização financeira e a continuidade das atividades empresariais.
Diante desse quadro, diversas empresas têm recorrido à recuperação judicial como uma estratégia de reorganização, voltada ao reequilíbrio do caixa, à renegociação de passivos e à manutenção das operações. O instrumento tem ganhado espaço como alternativa moderna no ambiente empresarial brasileiro, especialmente em períodos de maior pressão econômica.
Para o advogado especialista em direito empresarial Antônio Frange Júnior, do escritório Frange Advogados, a recuperação judicial deixou de ser vista apenas como uma medida excepcional e passou a integrar o planejamento estratégico de empresas que buscam atravessar momentos de instabilidade de forma estruturada.
“A recuperação judicial é uma ferramenta moderna e eficaz no sistema jurídico brasileiro. Ela permite que empresas reorganizem suas dívidas, protejam sua capacidade produtiva e preservem os postos de trabalho, em vez de simplesmente encerrar suas atividades. É um instrumento essencial para sustentar a economia em tempos de incerteza”, afirma Frange. 
Juros altos e crédito restrito pressionam o caixa das empresas
Especialistas atribuem o avanço da inadimplência empresarial a uma combinação de fatores macroeconômicos, como as taxas de juros elevadas e o maior rigor na concessão de crédito, que reduzem a capacidade das empresas de honrar compromissos financeiros no curto prazo.
O setor de serviços responde por mais da metade dos casos de inadimplência registrados no país, concentrando grande parte das dificuldades de fluxo de caixa. Na sequência aparecem o comércio e a indústria, que também apresentaram aumento significativo no volume de contas em atraso.
Apesar do cenário desafiador, analistas avaliam que o maior uso de instrumentos legais voltados à reorganização empresarial pode contribuir para a preservação do tecido econômico e social.
“A recuperação judicial não deve ser encarada como um fim, mas como um meio para reinserir empresas na dinâmica econômica de forma sustentável. Ela preserva empregos, protege relacionamentos comerciais e pode ser decisiva para que empresas relevantes mantenham sua operação”, pondera Frange.
Segundo o especialista, a condução adequada do processo, com assessoria jurídica especializada e planejamento financeiro, é determinante para que as empresas consigam atravessar o período de dificuldade e retomem o crescimento de forma consistente.
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