Com frigoríficos cautelosos e exportações pressionadas por medidas da China, mercado do boi gordo inicia 2026 com baixa liquidez, leve recuo nas cotações e tendência de estabilidade no curto prazo.
O mercado físico do boi gordo no Brasil inicia 2026 em um ambiente de pouca movimentação, com frigoríficos — especialmente os de grande porte — adotando postura cautelosa diante de incertezas no cenário externo. A maior parte das praças pecuárias registrou volumes de negócios reduzidos e ligeiro recuo nos preços, refletindo incertezas que rondam o setor no curto prazo.
Segundo Fernando Henrique Iglesias, consultor da Safras & Mercado, a principal fonte de apreensão dos agentes do mercado continua sendo as exportações, especialmente para a China, que anunciou medidas protecionistas no início de 2026. “A salvaguarda anunciada por Pequim no fim do ano passado tem criado um ambiente de maior cautela. A expectativa é de que o volume de embarques em 2026 seja inferior ao de 2025”, afirma Iglesias, ressaltando que frigoríficos aguardam definições antes de retomarem compras mais ativas.
Na última terça-feira, o mercado físico do boi gordo apresentou ligeiro recuo em diversas regiões. Em Minas Gerais, por exemplo, a arroba foi cotada em média a R$ 312,00, uma queda de 1,26% em relação ao dia anterior. No mercado futuro da B3, o contrato com vencimento em fevereiro de 2026 permaneceu praticamente estável, sendo negociado a R$ 319,10/@.
Levantamentos de outras consultorias corroboram esse quadro de preços relativamente estáveis, com variações modestas entre os principais estados produtores. Em São Paulo, por exemplo, o boi gordo tem oscilado em torno de R$ 314,00 a R$ 318,00/@ no mercado físico à vista e a prazo, dependendo da praça e da qualidade do lote.
Preços médios do boi gordo
- São Paulo: R$ 320,00 (ante R$ 319,25)
- Goiás: R$ 312,50 (R$ 312,14)
- Minas Gerais: R$ 313,53 (R$ 314,12)
- Mato Grosso do Sul: R$ 311,84 (R$ 311,66)
- Mato Grosso: R$ 296,86 (R$ 296,95)
Exportações e salvaguardas chinesas
Um dos fatores mais influentes no comportamento de preços e estratégias de compra é a política comercial adotada pela China, principal destino da carne bovina brasileira. A partir de 1º de janeiro de 2026, o governo chinês impôs tarifas adicionais de 55% sobre importações de carne bovina que ultrapassem cotas anuais específicas — uma medida conhecida como salvaguarda comercial.
Para o Brasil, a cota anual sem tarifa extra foi fixada em cerca de 1,106 milhão de toneladas em 2026, volume inferior aos embarques observados em 2025, quando o país exportou aproximadamente 1,6 milhão de toneladas ao mercado chinês. Esse limite significa que uma parcela relevante das exportações ficará sujeita a tarifas mais altas caso ultrapasse o teto.
Analistas e representantes do setor estimam que a medida pode reduzir os embarques ao longo do ano, atrapalhar o ritmo de vendas e pressionar o mercado físico do boi gordo no Brasil, que depende fortemente do desempenho das exportações para sustentar níveis de preço mais elevados.
Perspectivas para 2026: oferta, produção e preços
Além do impacto externo, o relatório de Safras & Mercado aponta para um enxugamento da oferta de animais para abate ao longo de 2026, com projeção de redução de 5,24% na oferta e queda de 4,22% na produção diante de ajustes cíclicos do setor. As exportações de carne bovina também devem recuar em cerca de 3,80% em equivalente de carcaça, principalmente para a China, segundo os analistas. Essas tendências, combinadas com maior disponibilidade interna e consumo per capita em patamar menor, tendem a manter os preços da arroba mais lateralizados no curto prazo, sem grandes aumentos.
Diante desse contexto, frigoríficos maiores têm se mantido mais retraídos nas compras, optando por ajustar escalas de abate e priorizar estratégias de curto prazo até que haja maior clareza sobre o fluxo de exportações e a reação dos mercados externos. Produtores, por sua vez, monitoram de perto as cotações e eventuais mudanças nas políticas comerciais que possam alterar a dinâmica de preços.
Em suma, o início de 2026 para o mercado do boi gordo no Brasil é marcado por cautela, preços moderados nas principais praças e forte influência de fatores externos, especialmente as medidas adotadas pela China para limitar importações.
O setor acompanha atentamente esses desdobramentos, ciente de que a definição de novos parâmetros de comércio internacional pode redesenhar a trajetória de preços ao longo do ano.
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