Abertura de mercado estratégico na Ásia, com a Indonésia, fortalece o setor em meio às restrições impostas pela China e amplia as perspectivas para as exportações de carne bovina em 2026
O Brasil deu mais um passo importante na consolidação de sua presença no mercado internacional de carne bovina. A Indonésia autorizou a habilitação de 14 novos frigoríficos brasileiros para exportação, ampliando de forma significativa o número de plantas aptas a atender um dos maiores mercados consumidores da Ásia. A decisão reforça a estratégia brasileira de diversificação de destinos e ganha ainda mais relevância em um momento de ajustes no comércio global da proteína animal.
A informação foi confirmada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, durante a participação da delegação brasileira na Gulfood, uma das maiores feiras internacionais de alimentos e bebidas do mundo, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos .
Com as novas autorizações, o Brasil passa a contar com 52 plantas frigoríficas habilitadas a exportar carne bovina para a Indonésia, país que ocupa a quarta posição no ranking de população mundial, com cerca de 287 milhões de habitantes, e apresenta consumo crescente de proteína animal.
Lista das novas plantas habilitadas para exportação de carne bovina
Entre os frigoríficos que receberam aval sanitário das autoridades indonésias estão unidades localizadas em importantes polos da pecuária nacional. A lista inclui plantas da JBS em Andradina (SP), Anastácio (MS) e Campo Grande (MS); além de Cooperfrigu (TO), Distriboi (RO), Fisacre (AC), Fribal (MA), Frigol (PA), Frigorífico Pantanal (MT), Mercúrio (PA), Minerva (SP), Primafoods (MG) e Zancheta (SP). A diversidade geográfica evidencia a capilaridade da indústria brasileira e a capacidade de atender diferentes mercados com escala e sanidade.
Mercado indonésio ganha peso estratégico
A ampliação do acesso ao mercado indonésio ocorre poucos meses após 17 indústrias brasileiras já terem sido habilitadas, em setembro do ano passado. Para o governo e para o setor produtivo, trata-se de um movimento estratégico. A Indonésia é vista hoje como um mercado tão relevante quanto a China, tanto pelo tamanho da população quanto pelo potencial de crescimento do consumo per capita.
Segundo o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, a abertura de mercado é resultado direto de articulações diplomáticas e comerciais intensificadas ao longo de 2025, incluindo missão presidencial ao país asiático. O objetivo, segundo ele, é garantir previsibilidade e ampliar as alternativas de destino para a carne brasileira, reduzindo a dependência de poucos compradores.
Exportações de carne bovina em alta e abastecimento interno garantido
Apesar das preocupações recorrentes de parte dos consumidores sobre o impacto das exportações nos preços internos, os dados do setor indicam um cenário diferente. O consumo doméstico segue em crescimento ao mesmo tempo em que as vendas externas batem recordes.
De acordo com números da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil exportou 3,15 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e novembro, volume 18,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A receita alcançou US$ 16,18 bilhões, com avanço expressivo de 37,5% no faturamento.
Especialistas do setor reforçam que o déficit global de carne bovina é estrutural e que os ganhos de produtividade da pecuária brasileira, impulsionados por tecnologia, genética e manejo, permitem atender simultaneamente o mercado interno e o externo, gerando valor ao longo de toda a cadeia produtiva.
Diversificação ganha força diante das cotas da China
A habilitação de novos frigoríficos para a Indonésia ocorre em um contexto de maior cautela no comércio com a China. O país asiático estabeleceu cotas de importação de 1,1 milhão de toneladas, com tarifas de até 55% sobre volumes excedentes, medida válida até 2028. Diante disso, entidades do setor, como a Abiec, têm intensificado o diálogo com o governo para mitigar os impactos e acelerar a abertura de novos mercados.
Perspectivas positivas para 2026
Para o Mapa, o cenário para a carne bovina brasileira segue promissor. Desde 2023, o Brasil abriu 27 novos mercados, sendo 11 apenas no último ano. Para 2026, estão no radar negociações com a Coreia do Sul e a expectativa de auditoria do sistema brasileiro de inspeção pelo Japão, o que pode representar um novo salto nas exportações.
A entrada de mais frigoríficos no mercado indonésio, portanto, não é um movimento isolado, mas parte de uma estratégia contínua de expansão internacional. Em um ambiente global cada vez mais competitivo, o Brasil reforça sua posição como um dos principais fornecedores de carne bovina do mundo, combinando escala produtiva, sanidade e capacidade de adaptação às exigências dos mercados consumidores.
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