Indústria indiana quer baratear carnes de frango e porco via redução de tarifas

Acompanhada pelo governo, a ABPA propõe criação de cotas para frango e suínos em Nova Délhi, visando destravar mercado hoje impactado por impostos de até 100%

Com a chegada da comitiva brasileira a Nova Délhi nesta quarta-feira (18), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) iniciou uma ofensiva diplomática e comercial focada na redução de tarifas de carne na Índia. A estratégia, liderada por Ricardo Santin, presidente da entidade, visa aproveitar o atual alinhamento político para consolidar a presença das carnes de frango e suína no robusto mercado indiano.

Segundo Santin, o setor trabalha em frentes simultâneas para derrubar barreiras que hoje impedem a competitividade do produto nacional.

Proposta de cotas para viabilizar a redução de tarifas de carne na Índia

Atualmente, o exportador brasileiro enfrenta um cenário tributário desafiador no país asiático. As tarifas de importação para a carne de aves atingem 100% para cortes e 30% para outras partes comercializadas, patamares que Santin classifica como “impeditivos” diante da realidade de preços praticados localmente.

Para contornar essa barreira, a ABPA apresentou uma proposta que prevê a criação de uma cota específica de exportação. O modelo estabeleceria volumes definidos com tarifas significativamente reduzidas ou zeradas. Essa medida é vista como o “gatilho” necessário para destravar novos negócios e garantir que a redução de tarifas de carne na Índia se traduza em gôndolas mais baratas para o consumidor indiano e maior volume para os frigoríficos brasileiros.

Oportunidade na carne suína e o fator sanitário

Embora o mercado indiano já esteja aberto sanitariamente para a carne suína do Brasil, a viabilidade comercial ainda esbarra no custo tributário. Entretanto, um fator crítico no norte da Índia pode acelerar as negociações: a região enfrenta uma grave crise produtiva decorrente da peste suína africana.

Este cenário de deficit na oferta interna abre uma janela de oportunidade estratégica para o Brasil. Com a produção local limitada pela doença, a entrada do produto brasileiro — livre de tais enfermidades — torna-se uma solução de segurança alimentar para os indianos, fortalecendo o argumento brasileiro pela flexibilização das taxas.

Coreia do Sul e febre aftosa

A agenda internacional, que conta com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma comitiva de 300 empresários, não se encerra em Nova Délhi. Após o dia 22 de fevereiro, o grupo segue para a Coreia do Sul, onde a ABPA focará na regionalização da influenza aviária. O objetivo é que o reconhecimento de áreas livres da doença ocorra por município, e não apenas por estado, reduzindo o impacto de restrições comerciais em caso de focos isolados.

Além disso, para a carne suína, o Brasil busca o aval sul-coreano para os estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Acre e Rondônia como zonas livres de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento permitiria a exportação de carnes com osso e miúdos, diversificando o mix de produtos e ampliando o faturamento do setor no mercado asiático.

VEJA MAIS:

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM