Justiça defere recuperação judicial de produtores rurais com R$ 253 milhões em dívidas

Recuperação judicial de R$ 253,4 milhões expõe os desafios financeiros enfrentados por produtores rurais em meio à alta de custos, juros elevados e impactos climáticos no agronegócio brasileiro.

A Justiça de Mato Grosso deferiu o processamento da recuperação judicial dos produtores rurais Elza Jacintho Quirino, Luciano Jacinto da Silva e Luciano Quirino Jacinto, em Rondonópolis, em um caso que envolve R$ 253,4 milhões. A decisão reconhece o preenchimento dos requisitos necessários para o andamento do processo e estabelece medidas voltadas à reorganização das atividades, à preservação da produção e à continuidade dos negócios no campo.

Segundo os autos, os produtores atuam há décadas no setor rural, com histórico na pecuária de corte e expansão, nos últimos anos, para o cultivo agrícola, especialmente de soja. A crise econômico-financeira apresentada no pedido foi associada à alta dos custos de insumos, à queda nos preços das commodities, ao aumento dos juros e aos impactos climáticos sobre a safra 2023/2024.

Ao analisar o caso, o juízo levou em consideração a constatação prévia realizada no processo, que apontou a regularidade documental dos requerentes, o exercício contínuo da atividade rural e a viabilidade da recuperação judicial como instrumento de reestruturação.

Na decisão, o magistrado ressaltou a importância da preservação da fonte produtora, da manutenção dos empregos e da continuidade da atividade econômica e determinou a suspensão das ações e execuções contra os produtores, nos termos do processo.

Outro ponto central foi o reconhecimento de que os produtores atuam de forma integrada, em um grupo econômico familiar, com compartilhamento de estrutura, administração, mão de obra, ativos e garantias. Com isso, a Justiça autorizou a consolidação substancial, permitindo tratamento conjunto das atividades e das obrigações no processo.

Para Antônio Frange Júnior, do escritório Frange Advogados, que representa o grupo, a decisão reforça a relevância da recuperação judicial como mecanismo estratégico para o setor produtivo. “A recuperação judicial é uma ferramenta moderna e eficiente para permitir que empresas e produtores economicamente viáveis reorganizem sua estrutura financeira, preservem empregos e mantenham sua atividade com segurança jurídica”, afirma.

Segundo o especialista, o caso também chama atenção pelo reconhecimento da realidade operacional do grupo rural. “Quando o Judiciário compreende a dinâmica integrada da atividade no campo, a resposta jurídica se torna mais técnica, mais coerente e mais eficaz. Isso fortalece o ambiente de negociação e contribui para a continuidade da produção”, diz Frange.

A decisão em Rondonópolis se soma a um movimento de fortalecimento de soluções jurídicas voltadas à reorganização da atividade econômica, especialmente em setores estratégicos como o agronegócio, em que previsibilidade, estrutura e continuidade têm papel central para a estabilidade das operações.

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