O limo nos bebedouros reduz o consumo de água e afeta o ganho de peso do gado. Aprenda métodos de limpeza e prevenção para blindar seu lucro
A água é o nutriente mais importante e, muitas vezes, o mais negligenciado na nutrição animal. Quando o produtor rural percebe a presença de limo nos bebedouros, o sinal de alerta deve ser ligado imediatamente.
A proliferação dessas algas não é apenas um problema estético; ela indica falhas no manejo sanitário que podem reduzir drasticamente o consumo voluntário de água pelos animais, impactando diretamente o ganho de peso, a produção de leite e a imunidade do rebanho.
O impacto econômico do limo nos bebedouros
O surgimento de limo nos bebedouros está diretamente ligado à incidência de luz solar e à presença de matéria orgânica (restos de ração e saliva). Estudos de instituições como a Embrapa indicam que bovinos são animais extremamente sensíveis ao paladar e olfato.
Quando a água apresenta coloração esverdeada, cheiro desagradável ou gosto alterado devido às algas, o gado reduz a ingestão hídrica. A conta é simples e perigosa: animal que bebe menos, come menos.
Além da questão da palatabilidade, existe o risco sanitário. Embora muitas algas sejam apenas “sujeira”, o ambiente propício para o limo também favorece o desenvolvimento de cianobactérias. Essas toxinas podem causar desde distúrbios hepáticos até a morte súbita dos animais, gerando um prejuízo irreversível para a fazenda.
Métodos práticos para eliminar o limo
Para resolver o problema do limo nos bebedouros, a ação deve ser rápida e eficiente. O método mais tradicional e seguro envolve a limpeza física combinada com tratamento químico controlado.
- Esvaziamento e Esfregaço: Não adianta apenas aplicar produtos químicos sobre a sujeira. É necessário esvaziar o cocho e esfregar as paredes com escovas duras para remover a biopelicula (biofilme) aderida.
- Uso do Cloro (Água Sanitária): O cloro é um aliado barato e eficaz. A recomendação técnica geral gira em torno de adicionar cloro na proporção correta para desinfecção (consultar um técnico para a dosagem exata conforme o volume, mas usualmente utiliza-se pastilhas de cloro de liberação lenta ou hipoclorito de sódio). Isso mata as bactérias e impede a fotossíntese das algas.
- Sulfato de Cobre: Muito utilizado, porém exige cautela extrema. O sulfato de cobre é eficiente contra algas, mas é um metal pesado cumulativo. O uso excessivo pode intoxicar o gado e contaminar o solo no descarte da água. O uso deve ser estritamente orientado por um veterinário ou zootecnista.
Prevenção: Como evitar que o limo volte
A melhor forma de lidar com o limo nos bebedouros é a prevenção. Alterações simples na estrutura da praça de alimentação podem mitigar o problema em até 90%.
- Controle da Luz Solar: As algas precisam de luz para fazer fotossíntese. Construir coberturas sobre os bebedouros não apenas mantém a água fresca (o gado prefere água entre 15°C e 25°C), mas também inibe o crescimento do limo.
- Limpeza Programada: Estabeleça um calendário de lavagem semanal ou quinzenal, dependendo da taxa de lotação. Bebedouros basculantes facilitam muito esse manejo operacional.
- Localização Estratégica: Evite posicionar bebedouros sob árvores que soltam muitas folhas, pois a decomposição dessas folhas na água serve de “alimento” para o desenvolvimento de microrganismos.
Garantir água limpa, cristalina e abundante é o investimento de menor custo e maior retorno dentro da porteira. Não deixe que o descuido com o bebedouro drene a lucratividade da sua arroba ou do seu litro de leite.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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