No acumulado de 2025, a receita líquida atingiu R$ 1,490 bilhão, baixa de 7,3% ante 2024. O Ebitda recuou 29,4%, para R$ 231,9 milhões, com margem de 15,6%.
São Paulo, 26 – A Kepler Weber encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 64,8 milhões, alta de 28,5% na comparação com igual período de 2024. O resultado foi impulsionado pelo reconhecimento de R$ 11,4 milhões em crédito tributário referente à exclusão de benefícios de ICMS da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, efeito classificado pela companhia como não recorrente.
A receita líquida somou R$ 398,7 milhões no trimestre, retração de 13,3% na comparação anual, e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 67,5 milhões, queda de 17,7%, com margem de 16,9%.
No acumulado de 2025, a receita líquida atingiu R$ 1,490 bilhão, baixa de 7,3% ante 2024. O Ebitda recuou 29,4%, para R$ 231,9 milhões, com margem de 15,6%. O lucro líquido somou R$ 156,3 milhões, queda de 21,5%, com margem de 10,5%.
O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Renato Arroyo, afirmou que a pressão sobre os resultados ao longo do ano veio pelo lado dos preços, não dos custos. O custo dos produtos vendidos (CPV), que reúne gastos com matéria-prima, mão de obra fabril e demais despesas diretamente associadas à produção dos equipamentos, permaneceu estabilizado.
“O CPV da companhia está muito bem estabilizado, os custos fabris e diretos estão muito eficientes, mas a gente tem uma compressão de preço”, disse Arroyo, apontando a dificuldade de repassar preços em um ambiente de produtor rural pressionado por juros elevados e crédito restrito.
Nas despesas gerais e administrativas, houve recuo de 4,3% no acumulado do ano. Arroyo afirmou que, considerando apenas o efeito da inflação, essas despesas deveriam ter crescido entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões no período. “A gente atenua todo esse impacto inflacionário e ainda gera benefício”, afirmou.
O principal destaque operacional do trimestre foi Negócios Internacionais, com receita líquida de R$ 102,6 milhões, alta de 31,4% frente ao mesmo período de 2024, o maior valor já registrado pelo segmento em um único trimestre. No acumulado do ano, a área somou R$ 237,7 milhões, avanço de 19,4%, também recorde anual.
A Argentina respondeu por 23% da receita internacional em 2025, com crescimento de 16 vezes em relação ao ano anterior, consolidando-se como o segundo principal mercado de exportação da companhia. “Mais de 80 anos operando na Argentina, centenas de clientes, a gente está a 200 quilômetros da fronteira. É mais rápido chegar na Argentina do que em Porto Alegre”, afirmou o diretor-presidente Bernardo Nogueira.
No mercado doméstico, Fazendas registrou receita de R$ 105,0 milhões no trimestre, queda de 26,4%, refletindo a retração nos investimentos dos produtores rurais diante de margens comprimidas e maior seletividade no crédito. “O agricultor está pressionado com margens apertadas”, disse Nogueira. No acumulado do ano, o segmento somou R$ 469,7 milhões, baixa de 9,7%.
Agroindústrias encerrou o trimestre com receita de R$ 88,4 milhões, recuo de 32,9%, pressionado pela queda nos preços do arroz no segundo semestre e por ambiente mais competitivo. No acumulado de 2025, o segmento totalizou R$ 405,1 milhões, redução de 17,8%. Portos e Terminais somou R$ 7,3 milhões no trimestre, retração de 38,9%, reflexo da concentração de contratos de grande porte que caracteriza o segmento. Reposição e Serviços cresceu 10,1% no ano, para R$ 310,9 milhões, sustentado pelo avanço nas reformas e modernizações de unidades existentes.
A companhia encerrou 2025 com caixa líquido positivo de R$ 1,3 milhão, ante R$ 114,4 milhões ao final de 2024. A redução reflete a antecipação de dividendos motivada pela mudança na tributação de proventos a partir de 2026. Ao longo do ano, a Kepler distribuiu R$ 145 milhões em proventos, equivalente a 92,8% do lucro líquido no regime de caixa, ante 74,7% no exercício anterior. “Esse ano, especificamente, a gente acelerou um pouco por conta da tributação a partir de 1º de janeiro de 2026”, afirmou Arroyo.
Os investimentos (capex) totalizaram R$ 71,2 milhões em 2025, alta de 50,5% sobre o ano anterior. A parcela destinada ao desenvolvimento de novos produtos subiu de 11% para 21% do total investido. “A gente dobra o investimento em novos produtos. Mais de 12% do nosso faturamento já são novos produtos desenvolvidos nos últimos cinco anos”, disse o CFO.