Apelidado de “superdrone”, o Harpia P-71, da Psyche Aerospace, é considerado o maior drone agrícola do mundo, com capacidade de 400 quilos com foco para a pulverização e, agora, já começa a operar em lavouras brasileiras
A Psyche Aerospace, uma startup brasileira com sede em São José dos Campos (SP), está liderando uma revolução no setor agrícola com o desenvolvimento de drones autônomos para pulverização de áreas agrícolas. A empresa começar os testes na fazenda do produtor de grãos Gil Pinesso, em Mato Grosso, o maior drone agrícola de pulverização do mundo. O equipamento tem capacidade de levar 400 quilos de defensivos agrícolas em voo autônomo, com uso de tecnologias da Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT). Os testes devem começar em agosto, conforme as informações divulgadas pela Valor.
Em um marco significativo, dois anos após sua fundação, em 2022, a Psyche Aerospace realizou o primeiro voo público com seu drone autônomo em março deste ano, um protótipo que se destaca como o maior do mercado em termos de capacidade para pousar e decolar verticalmente. Ela fica incubada no hub do Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (SP) e hoje ocupa uma área de 6 mil m² na zona sul da cidade paulista e conta com uma equipe de 60 funcionários, entre engenheiros, técnicos e pessoal administrativo e comercial.
A tecnologia desenvolvida pela firma promete transformar não apenas a eficiência, mas também a economia no processo de pulverização agrícola. Ao contrário dos métodos tradicionais que envolvem aviões ou tratores com implementos acoplados, os drones da Psyche Aerospace oferecem uma abordagem mais rápida, eficiente e econômica para a aplicação de produtos químicos em áreas agrícolas.
Gabriel Leal, fundador e CEO da empesa, destaca a ênfase na prestação de serviços, ao invés da simples comercialização dos equipamentos. Essa estratégia permite que a instituição ofereça aos agricultores uma solução completa, desde a operação dos drones até o fornecimento de produtos químicos e serviços de manutenção. Com um custo por hectare significativamente mais baixo do que os métodos tradicionais, a Psyche Aerospace está posicionada para conquistar uma parcela significativa do mercado de aviação agrícola, bem como desafiar as fabricantes e montadoras de equipamentos de pulverização.
“Eu tinha um projeto para mineração de asteroides, sempre me interessei em desenvolver tecnologia para o setor aeroespacial, e o setor que identifiquei como melhor oportunidade de negócios é o agro, que tem fazendas gigantes no Centro-Oeste e onde a pulverização com tratores ou avião é ineficiente ou muito cara”, contou a Valor o CEO da Psyche, filho e neto de agropecuaristas baianos que se mudou para São José dos Campos há dois anos.
Para se ter uma ideia do gigantismo do equipamento inspirado no design do avião americano de reconhecimento militar Black Bird, o maior drone pulverizador já apresentado no país tem capacidade de 60 quilos. Enquanto isso, o Harpia P-71, o maior drone pulverizador do mundo é um equipamento que opera com um motor híbrido de etanol e baterias, destacando-se pela sua capacidade de pulverizar até 40 hectares por hora e uma autonomia impressionante de 10 horas de voo.
“Entre agosto e setembro, estaremos produzindo três drones por dia. Com isso, teremos capacidade para cobrir 6 milhões de hectares, área que alcançaremos nos próximos 12 meses”, disse o fundador e CEO da empesa.
O equipamento experimental foi exposto no evento Vision Tech Summit-Agro, realizado em Ribeirão Preto na primeira metade do mês. Com tecnologia 100% brasileira, o drone se reabastece sozinho em um equipamento denominado Beluga, também desenvolvido pela startup Psyche.
Segundo ele, o drone tem sido usado no Brasil como um brinquedo agrícola, embora tenha tecnologia semelhante à de um avião. “A ideia de fazer o maior drone do mundo segue a grandeza do agro brasileiro”, diz.
O drone é capaz de se reabastecer autonomamente usando um sistema chamado Beluga, também criado pela Psyche. “A ideia de fazer o maior drone do mundo segue a grandeza do agro brasileiro”, comenta Leal. O Harpia P-71, já tem seis protótipos construídos, possui uma estrutura composta por fibra de vidro e fibra de carbono, medindo 4,5 metros de comprimento com uma envergadura de 8 metros, e decola pesando 780 quilos.

Durante o primeiro voo oficial em março, em São José dos Campos, Gabriel de Paula, engenheiro aeroespacial e colaborador da Psyche desde o início do projeto, coordenou a operação. “Voar o P-71 e garantir sua estabilidade representou um grande desafio que exigiu muito foco e atenção e me deu uma satisfação pessoal muito grande“, relata.
Segundo Leal, o drone não será comercializado, mas oferecerá serviços de pulverização aos produtores agrícolas, mapeando primeiro a área a ser tratada para depois executar a pulverização seletiva. “O produtor não precisa ter o controle do drone, que é um equipamento de alta tecnologia, que demanda muita capacitação para efetuar a pulverização corretamente, com rapidez e segurança. Ele só quer a aplicação. Nos Estados Unidos, a maioria dos serviços nas lavouras é terceirizada. No Brasil, isso não acontece por fator de confiança e pelos preços altos. Eu consigo garantir que o drone vai fazer o trabalho e o agricultor poderá acompanhar tudo por um aplicativo”, explica o CEO.
Leal também mencionou que já existem pré-contratos anuais com produtores de grãos da região Centro Oeste e fazendeiros paulistas do setor de cana para operação do maior drone agrícola do mundo na pulverização de 1,5 milhão de hectares, com operação comercial prevista para começar até o fim do ano.
Com um valuation de R$ 75 milhões, a Psyche planeja contratar mais 40 funcionários nos próximos meses para aumentar a produção diária para três drones, após ter recebido investimentos que somam R$ 17 milhões.
Sobre o maior drone pulverizador do mundo
O drone agrícola Harpia P-71, desenvolvido pela Psyche Aerospace, representa uma notável conquista técnica no campo dos veículos aéreos não tripulados (VANTs). Seu voo inaugural, após seis meses de intensa pesquisa e desenvolvimento, marca um avanço significativo na indústria, especialmente devido à sua complexidade e dimensões impressionantes. Liderada por Victor Galvão, a equipe enfrentou desafios únicos relacionados à estrutura, robustez e controle do eVTOL, tornando o desenvolvimento do P-71 uma jornada desafiadora e inovadora.

O sucesso do voo inaugural é creditado à dedicação e engajamento da equipe da Psyche Aerospace, que superou obstáculos significativos ao longo do processo de desenvolvimento. Gabriel de Paula, o piloto responsável pelo primeiro voo oficial, destacou a responsabilidade envolvida na operação de um drone sem precedentes em tamanho e sensibilidade de controle. Essa conquista representa não apenas um marco para a empresa, mas também para a indústria de drones agrícolas como um todo.
A Psyche Aerospace agora se concentra em aprimorar ainda mais o Harpia P-71, por meio de testes em campo e refinamentos contínuos em sua estrutura e design. Além disso, a empresa busca expandir suas operações e capacidades para atender às crescentes demandas do mercado, com o objetivo de se tornar o maior drone agrícola de pulverização do mundo. Sua abordagem colaborativa e apaixonada para enfrentar desafios demonstra uma visão de crescimento sustentável e transformação na indústria agrícola por meio da tecnologia de drones.
Escrito por Compre Rural.
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