Mais arrobas em menos tempo? Cruzamento Asturiana-Zebu virou febre entre pecuaristas

União entre a musculatura da raça espanhola e a rusticidade do Zebu entrega precocidade recorde e rendimento de carcaça superior a 56% nas fazendas brasileiras

O setor pecuário brasileiro vive uma busca incessante por eficiência produtiva, e a resposta para a pergunta “mais arrobas em menos tempo?” parece ter sido encontrada no vigor híbrido. O cruzamento Asturiana-Zebu consolidou-se como uma das tendências mais fortes nos campos do Brasil, unindo a rusticidade das raças zebuínas (como o Nelore) com o extraordinário potencial de ganho de carcaça da raça espanhola Asturiana de los Valles.

Esse “choque de sangue” tem garantido aos produtores um ciclo de abate mais curto e maior rentabilidade por hectare.

A ciência por trás do cruzamento Asturiana-Zebu

A raça Asturiana de los Valles, originária do norte da Espanha, destaca-se mundialmente por possuir uma alta frequência do gene da hipertrofia muscular (miostatina). De acordo com dados da ASEAVA (Asociación de Criadores de Ganado Bovino de la Raza Asturiana de los Valles), mais de 80% do rebanho registrado possui o gene da “dupla musculatura”, o que resulta em carcaças com baixíssima proporção de osso e gordura, priorizando o tecido muscular.

Quando inserida em programas de cruzamento Asturiana-Zebu, essa genética transforma o rebanho comercial. Pesquisas de cruzamento industrial realizadas em solo brasileiro indicam que o F1 (primeiro cruzamento) apresenta uma heterose (vigor híbrido) excepcional. Enquanto um animal zebuíno comum pode levar até 36 meses para atingir o peso de abate em sistemas extensivos, o produto do cruzamento Asturiana-Zebu consegue antecipar esse cronograma em até 8 a 10 meses, dependendo do manejo nutricional, atingindo o peso ideal com precocidade impressionante.

Mais arrobas em menos tempo?

Para o pecuarista de corte, a conta é simples: eficiência é igual a lucro. O uso da genética Asturiana permite que os bezerros nasçam com peso moderado — uma característica crucial para evitar a distocia (parto difícil) em matrizes Nelore — mas apresentem uma curva de crescimento explosiva após o desmame.

  • Rendimento de carcaça: No frigorífico, o cruzamento Asturiana-Zebu frequentemente atinge rendimentos superiores a 56%, superando a média nacional que oscila entre 52-54%.
  • Eficiência Alimentar: Segundo estudos comparativos de universidades agrárias (como a Universidade de Oviedo em parceria com centros brasileiros), esses híbridos possuem uma conversão alimentar superior, convertendo pasto e suplemento em massa muscular de forma mais acelerada, respondendo à meta de produzir mais arrobas em menos tempo.
  • Qualidade da Carne: A carne resultante possui fibras finas e maciez superior. Dados técnicos mostram que a incidência do gene da miostatina reduz o colágeno, tornando o produto final mais atrativo para mercados de carne gourmet.

O impacto econômico na pecuária de corte

A “febre” mencionada por especialistas não é apenas estética, mas baseada em balanços financeiros. O mercado de sêmen de raças europeias para cruzamento industrial cresceu exponencialmente no Brasil. Ao adotar o cruzamento Asturiana-Zebu, o produtor consegue otimizar o giro de caixa da fazenda.

De acordo com diretrizes de eficiência da Embrapa Gado de Corte, a redução na idade de abate é um dos pilares para a sustentabilidade econômica da atividade. Com animais saindo mais cedo para o abate, a área de pastagem é liberada mais rapidamente para novos lotes, aumentando a capacidade de suporte da propriedade e o ROI (Retorno sobre o Investimento).

“O cruzamento industrial é o caminho mais rápido para a intensificação. A raça Asturiana traz o volume muscular necessário para animais que precisam entregar mais arrobas em menos tempo, mantendo a sobrevivência em climas tropicais”, explicam consultores genéticos.

Adaptação e Rusticidade

Diferente de raças de clima temperado estrito, a Asturiana demonstrou uma adaptação notável às condições brasileiras.

Quando cruzada com o Zebu, a prole mantém a resistência a ectoparasitas (como o carrapato) e a tolerância ao calor típicas do Nelore, mas com o “motor” de ganho de peso europeu. Isso torna o cruzamento Asturiana-Zebu viável desde as pastagens do Rio Grande do Sul até o Brasil Central.

Escrito por Compre Rural

VEJA MAIS:

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM