Operação em Ibaté encontrou aves e cães mortos – mais de 130 animais são encontrados mortos, além de animais debilitados; multa por maus-tratos deve passar de R$ 1 milhão, segundo a Polícia Ambiental
Uma operação conjunta realizada na zona rural de Ibaté, no interior de São Paulo, terminou com a prisão em flagrante de um homem de 26 anos e a constatação de um grave caso de maus-tratos contra animais. No local, as equipes encontraram Mais de 130 animais são encontrados mortos em fazenda, entre aves e cães, além de dezenas de animais vivos em situação de abandono, fome e desidratação.
O caso foi revelado pelo g1, com informações da EPTV, e mobilizou fiscais de bem-estar animal, agentes de planejamento ambiental, Guarda Municipal e Polícia Ambiental. De acordo com as autoridades, a multa administrativa deve ultrapassar R$ 1 milhão, devido à quantidade de animais vitimados e à gravidade da situação encontrada na propriedade.
Caso foi descoberto por acaso durante cumprimento de ordem judicial
A situação veio à tona no início da semana, quando um oficial de Justiça foi até a chácara para cumprir uma citação relacionada a um processo de penhora de bens. A ação, inicialmente, não tinha relação com denúncias ambientais.
Ao chegar ao local, o servidor percebeu forte odor e sinais visíveis de abandono. Diante da situação, acionou os órgãos competentes, que retornaram à propriedade para uma fiscalização mais ampla.
Na sexta-feira, as equipes entraram no imóvel e encontraram uma cena considerada de extrema crueldade. Segundo o relato das autoridades, a propriedade tinha uma entrada imponente e uma casa bem estruturada, mas, nos fundos, havia viveiros com aves mortas e agonizando.
Também foram localizados cães em estado debilitado, incluindo uma fêmea da raça shih-tzu em condição crítica. O estado do animal foi um dos elementos que configuraram o flagrante técnico de maus-tratos.
Mais de 130 animais são encontrados mortos em fazenda no interior de SP
O levantamento inicial da Polícia Ambiental apontou 136 animais mortos, mas os agentes informaram que o número pode ser maior conforme a varredura avance na propriedade.
A maioria das vítimas era formada por aves, incluindo codornas e três araras-canindé sem anilhas de identificação. Também foram encontrados cães mortos, entre eles uma cadela da raça Pastor Belga Malinois próxima ao portão principal e outro cão em avançado estado de decomposição.
Além dos animais mortos, o boletim de ocorrência menciona que 140 animais foram resgatados com vida. Eles foram encaminhados inicialmente ao Centro de Zoonoses de Ibaté, onde devem passar por quarentena e atendimento veterinário.
Autoridades apontam tentativa de alteração da cena antes de operação em Ibaté
Segundo as equipes que atuaram no caso, houve indícios de que a cena teria sido modificada após a primeira fiscalização. Ao retornarem ao local no sábado, representantes do bem-estar animal identificaram que corpos de animais mortos haviam sido recolhidos e desapareceram.
Também foram encontrados sinais de que ração e água teriam sido colocadas às pressas em viveiros que antes estavam sem alimento ou abastecimento. Algumas aves que estavam presas também teriam sido soltas, em uma possível tentativa de reduzir a gravidade aparente da situação.
Caseiro foi preso e proprietário nega conhecimento da situação
O homem preso em flagrante trabalhava como caseiro e seria o responsável pelo cuidado diário dos animais. Segundo as autoridades, ele apresentou contradições no depoimento. O funcionário afirmou que havia alimentado os animais na manhã de quinta-feira, mas a versão foi considerada incompatível com o estado de fome crônica, desidratação e decomposição dos corpos encontrados.
O proprietário da chácara foi identificado como Cláudio José Lopes. De acordo com as informações divulgadas, ele vive temporariamente nos Estados Unidos desde o fim de 2025 por compromissos profissionais.
Em nota, o dono da propriedade afirmou estar surpreso e triste com o caso. Ele declarou que mantém animais no local há mais de 27 anos e que havia contratado o funcionário justamente para morar na chácara e cuidar do plantel. O proprietário também disse que apresentará comprovantes de pagamento e documentos para colaborar com as investigações.
Propriedade já abrigou fundação ambiental
A chácara, no passado, abrigava a Fundação Nacional do Meio Ambiente Dr. Ernesto Pereira Lopes, entidade voltada à educação e preservação ambiental. No local, segundo as informações do caso, ainda há incubadoras desativadas usadas anteriormente em pesquisas com ovos de aves.
O proprietário afirmou que atualmente a área é uma propriedade particular. No entanto, as autoridades tiveram acesso a uma nota fiscal emitida em 5 de maio, no valor de R$ 3,7 mil, em nome da fundação, para compra de insumos animais.
No boletim de ocorrência, além do caseiro e do proprietário, também aparece o nome de Emílio Pereira Lopes como investigado.
Multa deve passar de R$ 1 milhão
O caso é tratado em duas frentes: administrativa e criminal. Na esfera administrativa, a Polícia Ambiental informou que a multa deve ultrapassar R$ 1 milhão, considerando o número de animais mortos e as condições encontradas.
Na esfera penal, os envolvidos devem responder pelo Artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, que trata de abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilação de animais silvestres, domésticos ou domesticados.
Animais sobreviventes passarão por triagem e cuidados
Os animais resgatados com vida foram levados inicialmente para atendimento e quarentena. Uma das sobreviventes que chamou a atenção das equipes foi uma cadela shih-tzu, encontrada muito debilitada e batizada de Molly pelos responsáveis pelo resgate.
A Prefeitura de Ibaté informou que o Parque Ecológico de São Carlos receberá parte dos animais resgatados. Biólogos e veterinários devem realizar uma triagem técnica para avaliar a condição de saúde de cada animal e definir quais poderão ser integrados ao plantel do local.
Os animais que não puderem ser absorvidos pelo parque deverão ser encaminhados posteriormente para santuários credenciados ou zoológicos.
Caso reacende alerta sobre responsabilidade na criação de animais
Mais de 130 animais são encontrados mortos em fazenda e, neste contexto, o episódio em Ibaté chama atenção para a responsabilidade legal e moral de quem mantém animais em propriedades rurais, sítios, chácaras ou espaços de criação. Mesmo quando há funcionários contratados para o manejo diário, a fiscalização, o acompanhamento e a garantia de bem-estar continuam sendo pontos centrais para evitar abandono, sofrimento e mortes.
A investigação deve apurar o grau de responsabilidade de cada envolvido, incluindo quem cuidava diretamente dos animais e quem respondia pela manutenção da propriedade. Enquanto isso, os sobreviventes seguem sob cuidado veterinário e monitoramento das autoridades.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.