Mais de 680 mil animais cruzam montanhas na China em tradição pecuária que impressiona o mundo

Todos os anos, milhares de pastores chineses conduzem enormes rebanhos por montanhas e vales em uma tradição secular que continua sendo parte fundamental da cultura rural e da pecuária no país.

Em uma cena que mistura tradição, cultura e produção animal em larga escala, a China iniciou nesta semana uma das maiores migrações sazonais de rebanhos do planeta. Na região de Xinjiang, no extremo noroeste do país, mais de 680 mil animais, principalmente ovelhas, começaram uma longa travessia rumo às pastagens de verão, mantendo viva uma prática secular que ainda desempenha papel importante dentro da pecuária chinesa.

A operação acontece no condado de Tekes e mobiliza aproximadamente 5.200 famílias de pastores, que conduzem cerca de 682.500 animais por um percurso superior a 70 quilômetros, atravessando rios, cânions e áreas montanhosas até chegar às regiões mais altas, onde o pasto se torna abundante nesta época do ano.

Diferente dos sistemas modernos de confinamento e produção intensiva adotados em grande parte do mundo, comunidades rurais da China ainda preservam práticas nômades ligadas ao manejo natural dos rebanhos.

Todos os anos, durante o mês de junho, os pastores deixam as áreas mais baixas e seguem em direção às montanhas Tian Shan, levando os animais para campos de altitude onde encontram alimento fresco e melhores condições climáticas durante o verão.

Segundo autoridades locais, os deslocamentos acontecem de forma organizada, em grupos menores de famílias, acompanhados por equipes que garantem segurança e manutenção das estradas durante a travessia.

A região de Xinjiang é considerada uma das áreas mais importantes da produção pecuária chinesa e concentra vastas áreas naturais de pastagem.

Mais do que uma simples mudança de local, essa migração representa uma tradição profundamente ligada ao modo de vida rural chinês, mostrando que, mesmo diante do avanço tecnológico no campo, a China continua preservando sistemas pecuários ancestrais que combinam cultura local, adaptação climática e produção de alimentos em larga escala.

A travessia segue até o fim de junho. Em setembro, os rebanhos voltarão a se mover novamente, repetindo um ciclo que há séculos faz parte da história da pecuária no interior chinês.

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