Estiagem e pragas: mais de 7.000 bovinos morrem por falta de pasto em Roraima; A praga da lagarta e do percevejo atingiu uma área que ultrapassa os 54 mil hectares de pastagens prejudicadas
Dois problemas em rápido crescimento têm preocupado pecuaristas e agricultores de Roraima: a morte súbita do capim e a morte de gados, conforme o Portal Compre Rural já havia informado recentemente. Uma combinação devastadora de estiagem prolongada, incêndios florestais e pragas levou à morte de mais de 7 mil cabeças de gado em Roraima, no Norte do país, devastando pastagens e levando a pecuária local a uma crise sem precedentes, conforme último levantamento.
O prejuízo estimado é de R$ 63 milhões, com mais de 54 mil hectares de pastagens destruídos. O levantamento foi feito pelo Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do estado (Iater), que também realizou mais de 845 diagnósticos preliminares em áreas de produção agropecuária em 10 municípios.
A combinação de estiagem prolongada e incêndios florestais já diminuiu as pastagens e a proliferação de pragas, como a lagarta militar e o percevejo-das-gramíneas, que têm atacado severamente as pastagens, reduzindo ainda mais a disponibilidade de forragem, comprometendo a produção animal da região, não apenas de bovinos.
As lagartas militares surgem de larvas depositadas por uma espécie de mariposa. Essas lagartas se alimentam justamente da folhagem da vegetação disponível para alimento do gado. Já os percevejos-das-gramíneas, são insetos sugadores que se alimentam da seiva das plantas, que são as principais fontes de forragem para bovinos.
Uma outra hipótese levantada pelo pesquisador da Embrapa Roraima Daniel Schurt, mas que ainda precisa de estudos para comprovação, é que a forte estiagem, somada às queimadas, sejam elas criminosas ou não, eliminaram ou fizeram diminuir a proporção dos inimigos naturais destas lagartas e percevejos.
Outros insetos, sapos, rãs, morcegos, passarinhos e libélulas, que convivem e são os inimigos naturais dessas pragas, simplesmente não se reproduziram na mesma velocidade.
Daniel destaca ainda que outro fator que contribuiu para este cenário de mortandade dos animais foi o preço da carne do gado. “O pecuarista ficou esperando que melhorasse, passasse o ano, ou mais uns meses, ele poderia ter um preço melhor. O preço baixo da carne, excesso de animais por hectare, muitos animais por metro quadrado, e isso degradou muito a pastagem. Então se o agricultor soubesse que ele iria perder os animais, era preferível ter vendido esses animais”, afirmou ele.
A estiagem também fragilizou a própria pastagem que não cresceu forte e nutrida. Para este ponto, Daniel dá sugestões de manejo do solo que podem auxiliar na manutenção da pastagem.
“Fazer a análise de solo; fazer adubação e correção do solo; fazer o piqueteamento, rotacionar as pastagens. Escolher pastagens de qualidade. Usar cana-de-açúcar. Então você plantar um pedaço de cana, para alimentar os animais. Você fazer silagem. Tem silagem de milho, tem silagem de sorgo, tem silagem de capim, que são mais em conta”.
A falta de forragem não apenas reduz a produção de carne e leite, mas também impacta negativamente no sustento das famílias rurais, principalmente os pequenos produtores, que exploram a bovinocultura.

Produtores de gado
Por causa desse cenário, o governo de Roraima publicou na última quinzena de junho um decreto emergencial de apoio à pecuária familiar, onde está sendo investido o valor de até R$ 1.750 por hectare perdido para serem aplicados na recuperação do pasto e apoio aos pecuaristas, após bovinos morrem por falta de pasto.
O teto para receber o auxílio é de cinco hectares para cada produtor. Outras ações de apoio incluem fornecimento de água para consumo humano e animal; apoio técnico para a recuperação de pastagens e renegociação de dívidas dos produtores rurais afetados.
Agora em julho, teve início o programa recuperação de pastagem, onde são disponibilizados tratores com grades aradoras para ajudar nas áreas degradadas. O presidente do Iater, Marcelo Pereira, detalhou um pouco mais sobre as ações e crédito emergencial.
“Primeiramente, nós fizemos um levantamento, um diagnóstico de quantos produtores na região e quais são os municípios mais atacados. E fomentando esses produtores, direcionando ele ao crédito emergencial. Então são um crédito subsidiado que vai viabilizar os produtores comprarem semente, o óleo diesel, comprar uma estaca, um arame. Isso não deixa que esses produtores não possam acessar também outros créditos do Banco da Amazônia, do Banco do Brasil, Caixa Econômica”.
Para ter acesso ao benefício emergencial, o produtor rural deve ter o diagnóstico do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural que comprove o prejuízo.
O engenheiro agrônomo da Embrapa reforça que mesmo com a pastagem recuperada, é necessário que os produtores agropecuários busquem uma capacitação para garantir o alimento do gado no período de estiagem.
“O pecuarista hoje (deve) ver o que tem de técnica, ver com o vizinho, ver o que que ele pode fazer e, claro, o Estado dá o suporte que é a assistência técnica, de financiamento para rodar toda essa propriedade porque muitas vezes ele não tem condições financeiras também pra adquirir estes insumos e assim conseguir fazer uma pecuária mais tecnificada”.
No site da Embrapa e no aplicativo e-campo é possível acessar dezenas de cursos gratuitos que apoiam o agronegócio.
Como vai funcionar o programa

O governador destacou que o Iater (Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural) atuará em parcerias com a Seadi (Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação) e a agência Desenvolve Roraima para liberar os recursos necessários aos agricultores.
O valor dos recursos repassados aos pequenos pecuaristas é de até R$ 1.750 por hectare atingido. O máximo que cada produtor pode vincular vai até 5 hectares, o que chega a um teto de R$ 8.750.
Os tomadores deste crédito especial terão a opção de receber o insumo diretamente ou o valor para realizar a compra.
“O Governo de Roraima está comprometido em fornecer todo o suporte necessário para que os pequenos produtores possam se recuperar dos impactos da estiagem e das pragas. É uma medida que prevê não só a recuperação imediata, mas também a prática sustentável que reforce a resistência das comunidades rurais em próximas situações”, afirmou Denarium.
De acordo com o presidente do Iater, Marcelo Pereira, para dar entrada no Programa Emergencial de Apoio à Pecuária Familiar, o produtor acometido pelo ataque de lagartas e da seca severa deve procurar o escritório do Iater mais próximo da sua propriedade e conversar com os técnicos do instituto munidos da documentação da propriedade, seja o título definitivo, declaração de aptidão ou o CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar), caso tenha os dois.
“Caso não tenha um dos dois, a gente pode emitir o CAF com a declaração de que fez a vacinação do rebanho pela Aderr, que vai comprovar o rebanho existente na propriedade ou o rebanho que foi acometido ou que perdeu durante essa ataque de lagartas”, explicou.
O Programa Emergencial de Apoio à Pecuária Familiar inclui medidas como:
- Fornecimento de recursos hídricos para consumo humano e animal;
- Apoio técnico para a recuperação de pastagens;
- Recurso até 90% dos recursos utilizados para financiamento e fomento agropecuário;
- Renegociação de dívidas dos produtores rurais afetados;
- Abertura de crédito extraordinário para atender a despesas imprevisíveis e urgentes.
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