Atraídas pela umidade das lágrimas, moscas podem transmitir bactérias e parasitas, transformando um simples incômodo em um problema de saúde dos cavalos
Elas parecem apenas um incômodo do verão, mas podem ser o início de problemas sérios. Piscadas excessivas, lacrimejamento constante e o hábito de esfregar o rosto não são “manha” do animal: são sinais de alerta de que as moscas estão causando irritação, inflamação e risco real de doença ocular nos cavalos.
As moscas são atraídas pela umidade e pelos nutrientes presentes nas lágrimas e no muco ocular. Ao se alimentarem dessas secreções, depositam bactérias, parasitas e até ovos, iniciando um processo inflamatório que pode evoluir rapidamente.
O problema se agrava porque a irritação aumenta o lacrimejamento, atraindo ainda mais moscas e criando um ciclo vicioso difícil de interromper sem manejo adequado.
O contato constante das moscas com a região ocular pode levar a uma série de complicações:
- Conjuntivite (olhos vermelhos, inchados e com secreção);
- Ceratite e úlceras de córnea, muitas vezes causadas pelo próprio cavalo ao se esfregar;
- Infecções bacterianas secundárias;
- Miíase (quando moscas depositam ovos em feridas);
- Feridas de verão e lesões crônicas;
- Transmissão de agentes virais, como o BPV, associado ao surgimento de sarcóides.
Em casos mais graves, lesões oculares podem comprometer a visão e demandar tratamentos longos e custosos.
Fique atento se observar um ou mais dos sinais abaixo:
- Olhos inchados ou com secreção persistente;
- Conjuntiva avermelhada e irritada (tecido rosado ao redor do olho);
- Aumento de vasos sanguíneos visíveis na parte branca do olho (esclera);
- Piscadas frequentes, sensibilidade à luz ou o cavalo esfregando o rosto em cercas e cochos.
Ao menor sinal, a orientação é clara: não espere piorar.
O controle de moscas vai muito além do conforto. Trata-se de prevenção sanitária.
Máscaras anti-mosca
São uma das medidas mais eficazes. Devem ter bom ajuste, sem pressionar os olhos, e podem incluir protetores de orelha. A limpeza diária evita acúmulo de sujeira e fungos.
Repelentes específicos para equinos
Devem ser aplicados com cuidado, sempre ao redor dos olhos, nunca diretamente. Ingredientes como citronela, eucalipto e melaleuca podem ser usados desde que o produto seja próprio para cavalos.
Atenção: nem toda “citronela” serve para cavalo
Muitos produtos vendidos como citronela são, na verdade, saneantes de limpeza, sem registro para uso animal. Além de ilegais, não funcionam como repelentes veterinários e podem causar ardência, alergias e dor. O cavalo sente — e aprende a evitar o que machuca.
👉 Produto para equinos precisa ter notificação válida no MAPA e indicação de uso veterinário.
Higiene e manejo ambiental
- Remoção frequente de esterco e matéria orgânica;
- Controle de água parada;
- Uso de ventilação em baias;
- Destinação correta dos montes de esterco, longe dos piquetes.
Higiene local
A limpeza dos olhos com gaze e água morna ajuda a remover secreções e reduzir a atratividade para as moscas.
Em situações de inflamação ou infecção, somente o médico-veterinário deve indicar o tratamento. Podem ser necessários:
- Antibióticos para infecções bacterianas;
- Anti-inflamatórios ou corticosteroides, quando indicados;
- Avaliação cuidadosa em casos de úlcera de córnea.
⚠️ Colírios de uso humano não são adequados para cavalos e podem agravar o quadro.
⚠️ Em animais de competição, medicamentos com corticosteroides podem ser proibidos, exigindo atenção redobrada.
Com o aumento das temperaturas, a presença de moscas se intensifica — e os olhos dos cavalos se tornam alvos fáceis. Ignorar os primeiros sinais pode transformar uma irritação simples em um problema grave.
Prevenir é mais barato, mais eficaz e muito menos doloroso para o animal. Máscaras, manejo correto, produtos registrados e acompanhamento veterinário fazem toda a diferença para manter saúde ocular, bem-estar e desempenho dos cavalos durante todo o ano.
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