Mercado de leilões deve crescer em 2026, apontam especialistas

Impulsionados pela tecnologia, pela genética de elite e pela entrada de investidores, os leilões agropecuários ganham status de estratégia de capital e ampliam liquidez na pecuária brasileira rumo a 2026.

O mercado de leilões de agronegócios no Brasil caminha para um momento de transformação e expansão em 2026. Impulsionado por avanços tecnológicos, profissionalização do setor e valorização da genética de elite, o segmento vem se consolidando como uma engrenagem estratégica da pecuária nacional.

Segundo Juliana D’andrades, especialista em gestão empresarial, comunicação estratégica e mercado de leilões e COO da Rogério Menezes Nunes – Leiloeiro Público Oficial, em 2026 os leilões não serão apenas transações, mas vitrines estratégicas de genética e ativos para investidores do agronegócio. Ela afirma que a crescente profissionalização faz com que criadores enxerguem os pregões como parte de uma estratégia de longo prazo.

O cenário macroeconômico reforça esse movimento. O PIB do agronegócio cresceu 6,49% no primeiro trimestre de 2025 em comparação ao ano anterior, de acordo com dados do Cepea/USP e da CNA. A safra de grãos 2025/2026 deve alcançar 353,8 milhões de toneladas, mantendo o setor fortalecido.

Para Juliana D’andrades, esse ambiente incentiva a busca por leilões, especialmente de animais de genética superior. Ela observa que a digitalização dos pregões, somada à ampliação da exportação de gado vivo, cria novas oportunidades de liquidez para pecuaristas, embora a gestão de riscos se torne essencial diante de custos voláteis e ciclos produtivos mais complexos.

O mercado de genética de elite segue como motor desse crescimento. Na 90ª ExpoZebu, os leilões oficiais movimentaram R$ 66,66 milhões, enquanto o volume total da pecuária de alta genética ultrapassou R$ 200 milhões. Esses números consolidam o papel dos leilões como instrumentos estratégicos de disseminação de genética premium, tendência que deve se intensificar em 2026.

No Rio Grande do Sul, polo tradicional da pecuária nacional, o calendário de leilões da temporada de primavera de 2025 projetou 243 eventos em 37 municípios, um aumento de 14,6% em relação ao ano anterior.

Segundo o guia de remates do Sindiler, a antecipação dos leilões de genética, antes concentrados em setembro e agora iniciados em agosto, revela uma adaptação à integração lavoura-pecuária e à busca por maior eficiência na comercialização.

O avanço nas exportações de gado vivo reforça ainda mais a relevância desse mercado. Entre janeiro e abril de 2025, os embarques totalizaram 118.220 toneladas, gerando receita de US$ 286,55 milhões, mais que o dobro do mesmo período de 2024. Esse crescimento tende a aumentar a liquidez dos leilões, principalmente para animais voltados à exportação, abrindo novas oportunidades para criadores especializados.

Apesar das projeções positivas, o setor também enfrenta desafios. Estudos da consultoria Datagro indicam uma possível queda de 9% no abate de bovinos em 2026, o que pode reduzir a oferta de animais no curto prazo. A volatilidade de preços de commodities, os custos de insumos e fatores climáticos permanecem como fatores de risco para produtores que dependem dos leilões para financiar genética ou reinvestir no rebanho.

A tecnologia, porém, se apresenta como vetor decisivo de transformação. O modelo de leilão virtual se consolidou após a pandemia, com plataformas como a Lance Rural ampliando alcance, reduzindo barreiras logísticas e fortalecendo a transparência. O crescimento de 320% registrado no período demonstra o potencial do formato. Para Juliana D’andrades, a digitalização fortalece a comunicação estratégica, conectando leiloeiros, criadores e investidores de maneira mais eficiente e global.

Para 2026, a expectativa é de aumento no número e no valor dos leilões de elite, expansão geográfica de eventos, maior integração tecnológica, fortalecimento da exportação de gado vivo e entrada crescente de investidores do mercado de capitais por meio de Fiagro e títulos agrícolas.

Ao avaliar o futuro do setor, Juliana D’andrades, especialista em gestão empresarial, comunicação estratégica e mercado de leilões, reforça que o planejamento estratégico será determinante. Para ela, o leilão deixa definitivamente de ser apenas um evento de venda e passa a representar uma estratégia de capital para o pecuarista. Criadores que planejarem, se digitalizarem e compreenderem o valor da genética, afirma, assumirão posição de destaque no mercado.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM