Confira uma análise detalhada sobre o desempenho do mercado de madeira brasileiro em 2024 e as perspectivas para o o ano de 2025, destacando questões como logística, custos e estratégias para superar os desafios pelo cenário global.
O mercado de madeira brasileiro apresentou um ano desafiador em 2024, marcado por uma estabilidade nos volumes exportados e um aumento de 9% nos preços pagos pelos produtos, conforme dados monitorados pela WoodFlow. No entanto, a conjuntura internacional, marcada por conflitos geopolíticos e entraves logísticos, trouxe impactos significativos à competitividade do setor, com custos elevados e dificuldades na previsibilidade das entregas. Apesar disso, os produtores brasileiros seguem otimistas para 2025, apostando em novas rotas e mercados consumidores.
Para entender os melhores desafios e as expectativas do setor, o Compre Rural conversou, com exclusividade, com Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow. Milazzo trouxe uma análise detalhada sobre o desempenho do mercado em 2024 e as perspectivas para o o ano de 2025, destacando questões como logística, custos e estratégias para superar os desafios pelo cenário global.
O CEO da WoodFlow destacou que os desafios logísticos foram um dos principais entraves do setor em 2024. O desvio de rotas importantes, como o Canal de Suez, e a infraestrutura precária dos portos brasileiros elevaram os custos e prejudicaram a competitividade, impactando especialmente pequenos e médios exportadores. Apesar disso, o volume exportado cresceu modestos 3% em relação ao ano anterior, mas a falta de previsibilidade nas entregas contribuiu para que o Brasil perdesse espaço no mercado internacional.
Com os Estados Unidos e a Europa ainda como principais destinos, as empresas brasileiras começam a explorar novos mercados, como Oriente Médio e Ásia, em busca de maior diversificação. No entanto, a rentabilidade do setor segue apertada: mesmo com o aumento de 9% nos preços, os ganhos não foram suficientes para incentivar uma produção mais robusta.

Milazzo também chamou atenção para os impactos dos conflitos geopolíticos, que restringiram a disponibilidade de navios, levando empresas a adotar estratégias como fretamento de embarcações e parcerias logísticas para atender à demanda global.
Com um olhar cauteloso para 2025, Milazzo reforça a importância de planejamento estratégico e adaptações logísticas para que o setor madeireiro brasileiro possa enfrentar os desafios e manter sua relevância no mercado internacional.
Confira a entrevista completa
- Como o senhor avalia o desempenho do mercado de madeira em 2024? Quais foram os principais desafios enfrentados pelo setor?
Conforme os dados exportados do portal ComexStat para os produtos monitorados pela WoodFlow, em 2024 nós tivemos uma pequena variação positiva de 3% no volume de madeira exportada e de apenas 9% no valor pago por esses produtos. Foi um ano muito desafiador para os produtores brasileiros que enfrentaram um verdadeiro caos logístico. Esse cenário se formou devido, principalmente, a conjunturas internacionais, como o ataque a navios em uma das principais rotas marítimas, que é o canal de Suez. Devido a esse cenário, as empresas de transporte marítimo estão evitando passar pelo local e tendo que encaixar novas rotas marítimas. Isso aumenta o tempo de viagem dos EUA para a China, por exemplo, em aproximadamente 15 dias. Com esse tempo maior, mais navios são necessários para suprir a demanda por exportações no mundo inteiro. Como consequência, temos navios mais cheios, poucas janelas de embarque nos portos e aumento dos custos para o exportador.
- Os volumes exportados tiveram uma variação de apenas 3% em relação a 2023. Quais fatores o senhor atribuiu essa estabilidade?
Quando se fala de comércio exterior, vários fatores podem influenciar em uma negociação. Mas, conversando com os empresários, analisamos que o Brasil tem perdido espaço no mercado internacional devido ao seu alto custo. No ano passado, além de ter um dos fretes mais altos, tivemos aumento de outros custos de exportação, além de não conseguir garantir quando o produto chegaria ao cliente. Com isso, a nossa competitividade caiu e muitos negócios foram inviabilizados.
- Os preços pagos pelos produtos apresentaram um crescimento de 9%. Esse aumento foi suficiente para manter a rentabilidade do setor?
Em 2023 tivemos preços baixos devido ao período pós-pandemia, em 2024 os preços começaram a se estabilizar, melhorando um pouco, mas não representou um aumento significativo para rentabilizar o setor. Foi sem dúvida melhor, mas não ao ponto de incentivar um aumento de produção, por exemplo. Historicamente, as margens do setor madeireiro são apertadas e dificilmente teremos a rentabilidade semelhante à que tivemos durante os anos de pandemia, onde a demanda mundial estava muito aquecida.
- Quais mercados foram mais estratégicos para as exportações brasileiras em 2024? Houve mudanças significativas nos destinos da madeira brasileira?
Estados Unidos e Europa ainda são nossos principais clientes. Mas, no ano passado, algumas empresas começaram a explorar novas rotas, como Oriente Médio e Ásia. Essa deve ser a tendência para 2025, também. Os empresários estão apostando em novos mercados consumidores para os seus produtos.
- A questão logística foi uma entrada importante em 2024. Quais foram os principais gargalos e como eles impactaram o setor?
Sem dúvida, nosso gargalo é a logística no Brasil. Temos poucas opções de escoar tantos produtos brasileiros. A maioria dos portos ainda não possui área suficiente para receber, estocar e dar vazão aos containers necessários para um fluxo contínuo de importação/exportação. Para piorar, os navios seguem desviando de conflitos e não param nos portos brasileiros com regularidade, deixando grandes volumes de containers acumulados nos portos. Todo esse problema logístico custa caro e, consequentemente, nossos produtos perdem competitividade. Como nenhuma solução nesse setor é de curto prazo, é muito claro que continuaremos tendo problemas sérios até que tenhamos um mínimo de previsibilidade de custos.
- Como os conflitos geopolíticos influenciaram as exportações brasileiras de madeira? Alguma estratégia foi adotada para minimizar os impactos?
Os conflitos afetam diretamente a disponibilidade de navios para as principais rotas. Para driblar essa concorrência, algumas empresas chegaram a fretar navios inteiros para estocar seus produtos em outros países e, assim, poder ter mais qualidade na entrega ao cliente. Outros fizeram parcerias com empresas que utilizam a mesma rota para tentar conseguir embarcar.
Na minha opinião, os mais afetados são os médios e pequenos exportadores que não possuem essa opção logística e concorrem por espaço. 2025 será um ano com bastante instabilidade, os impactos dos conflitos geopolíticos são imprevisíveis e o sentimento é de seguir com muita cautela.
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