Mesmo com crescimento do emprego no agro e maior formalização, o agronegócio brasileiro enfrenta dificuldades para preencher postos estratégicos; tecnologia, finanças e gestão de risco lideram as tendências para 2026
O agronegócio brasileiro segue consolidando seu papel como um dos maiores geradores de emprego do país, mas enfrenta um paradoxo cada vez mais evidente: há vagas de emprego no agro em abundância, porém falta mão de obra qualificada para ocupá-las. Em 2024, o setor empregou mais de 28 milhões de pessoas, o que representa um crescimento de 1% em relação ao ano anterior e uma participação expressiva de 26% do total das ocupações no Brasil, segundo levantamento do Cepea em parceria com a CNA .
Os números refletem um agro em transformação. O avanço foi puxado pelo aumento de empregados com e sem carteira assinada, maior presença de profissionais com nível educacional mais elevado e também pelo crescimento da participação feminina no setor. Ainda assim, esse movimento positivo esbarra em um obstáculo estrutural: o descompasso entre a sofisticação do campo e a qualificação da mão de obra disponível.
Um agro mais moderno — e mais exigente
A modernização do campo, impulsionada por tecnologia, gestão eficiente e práticas sustentáveis, mudou o perfil do trabalho no agronegócio. Embora o número total de empregos tenha oscilado ao longo dos anos, o setor passou a oferecer melhores condições de trabalho, salários mais competitivos e maior formalização.
Esse novo cenário, no entanto, exige profissionais com competências que vão além da operação tradicional. Segundo o consultor Gilson Lisboa Nogueira, da Iabiliza Soluções Empresariais, o agro vive um momento em que o foco deixou de ser apenas produzir mais e passou a ser produzir com eficiência econômica .
“Com custos de produção elevados, preços de commodities pressionados, juros altos e crédito mais restrito, as vagas que ganham força são aquelas que ajudam o produtor a manter o negócio sustentável”, explica o consultor.
As vagas de emprego no agro que devem ganhar força em 2026
Para os próximos anos, a tendência é de manutenção das vagas operacionais e administrativas, mas com crescimento acelerado de cargos estratégicos. Entre as principais apostas do mercado estão:
- Área financeira e controladoria, com foco em crédito, planejamento orçamentário e gestão de fluxo de caixa;
- Tecnologia e integração de dados, conectando informações do campo à gestão administrativa;
- Análise de dados, comercialização e gestão de risco, fundamentais para precificação e proteção de margens;
- Marketing e comunicação, levando a eficiência e a tecnologia do agro “da porteira para fora” .
Essas funções refletem um agro cada vez mais empresarial, que demanda visão estratégica, domínio tecnológico e capacidade analítica.
Por que é tão difícil contratar?
Apesar do volume de oportunidades, muitas vagas de emprego no agro permanecem abertas por longos períodos. Entre os principais entraves estão:
- Alta competitividade por talentos, que ocorre em três níveis: local (operacional), regional (lideranças médias) e nacional (executivos);
- Expectativa de carreira mais elevada, com profissionais avaliando cultura, crescimento e benefícios antes de aceitar uma proposta;
- Barreiras geográficas e culturais, já que parte dos candidatos ainda desconhece o setor ou tem receio de atuar no agro;
- Gap tecnológico, entre as ferramentas usadas no campo e a capacitação disponível no mercado .
E quem quer entrar no agro?
Para quem deseja ingressar no setor, mesmo sem experiência prévia, o caminho passa por qualificação e relacionamento. Cursos técnicos, especializações e atualização em tecnologia são essenciais. Além disso, ampliar a rede de contatos e buscar empresas com programas de trainee e estágio pode acelerar a entrada no mercado.
O agro também se mostra aberto a profissionais de outros segmentos. Experiências vindas do varejo, indústria, logística, automação e gestão são cada vez mais valorizadas. O diferencial está na disposição para aprender, na base financeira, no domínio tecnológico e na preocupação com sustentabilidade .
Vaga tem — e muita
O diagnóstico final é direto: não falta emprego no agro. Segundo Gilson, hoje há cerca de cinco vagas para cada profissional disponível no mercado. O que impede o preenchimento é um conjunto de fatores que vai da qualificação insuficiente às barreiras geográficas e à intensa disputa por talentos .
O recado é claro: o agronegócio brasileiro segue crescendo, mas quem quiser aproveitar esse movimento precisará estar cada vez mais preparado para um campo tecnológico, conectado e altamente estratégico.
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