Metade dos CEOs do agro já invade novos mercados — e a Inteligência Artificial começa a turbinar receitas

Pesquisa global revela agronegócio brasileiro mais inovador, pressionado por inflação e clima, mas ainda otimista com o crescimento econômico — e a Inteligência Artificial começa a turbinar receitas; Os dados fazem parte do recorte setorial da 29ª Global CEO Survey, estudo que ouviu mais de 4,4 mil líderes em 95 países, incluindo o Brasil

O agronegócio brasileiro vive um momento de inflexão estratégica. Impulsionadas por tecnologia, mudanças climáticas e rearranjos geopolíticos, empresas do setor estão deixando de atuar apenas dentro de suas fronteiras tradicionais — e avançando sobre novos territórios de negócios. Hoje, 50% dos CEOs do agronegócio no Brasil afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos – e a Inteligência Artificial começa a turbinar receitas, um movimento que evidencia a convergência entre o agro e outras indústrias e reforça a busca por novas fontes de receita.

Os dados fazem parte do recorte setorial da 29ª Global CEO Survey, estudo que ouviu mais de 4,4 mil líderes em 95 países, incluindo o Brasil, e que aponta uma transformação estrutural na forma como o setor cresce e se posiciona no mercado.

Inovação deixa de ser tendência e vira obrigação competitiva

A reinvenção do agronegócio passa diretamente pela inovação. No Brasil, 63% dos CEOs consideram a inovação um componente crítico da estratégia de negócios, índice superior à média global e levemente acima da média nacional entre todos os setores.

O setor tem buscado acelerar essa agenda por meio de parcerias: 38% dos executivos colaboram com fornecedores, startups e universidades, estratégia que ajuda a reduzir riscos e encurtar o ciclo de desenvolvimento de novas soluções.

Além disso, 35% das empresas testam rapidamente novas ideias com clientes ou usuários finais, indicando uma postura mais prática e orientada a resultados.

Apesar dos avanços, a estrutura ainda está em construção — apenas 15% possuem centros formais de inovação, enquanto 18% dizem tolerar alto risco em projetos inovadores.

👉 Leitura estratégica: o agro já entende a importância da inovação, mas ainda amadurece sua execução.

Inteligência Artificial já gera receita — mas revolução ainda está no começo

A Inteligência Artificial começa a sair do discurso e entrar no caixa das empresas.

Segundo a pesquisa:

  • 33% das companhias registraram aumento de receita após adotar Inteligência Artificial ;
  • 33% reduziram custos, graças à automação e à eficiência operacional;
  • 58% ainda não perceberam mudanças relevantes, sugerindo que muitos projetos estão em fase inicial.

O impacto também deve atingir o mercado de trabalho. 60% dos CEOs acreditam que precisarão de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos, embora cargos mais experientes devam ser menos afetados.

👉 Sinal claro: a Inteligência Artificial tende a redefinir produtividade e estrutura organizacional no agro.

Inteligência Artificial

Otimismo continua — mas com freio de cautela

O agronegócio brasileiro segue confiante, porém menos eufórico do que no ano anterior.

  • 58% dos CEOs esperam aceleração da economia nacional, embora o número tenha caído em relação aos 76% anteriores.
  • No cenário global, 50% projetam crescimento, também abaixo do levantamento anterior.

A confiança no crescimento da própria receita caiu de 48% para 38%, indicando uma postura mais prudente diante das incertezas econômicas.

👉 O recado do estudo é direto: o setor continua otimista — mas agora com mais disciplina estratégica.

Inflação e clima lideram as ameaças ao setor

O levantamento mostra um mapa de riscos bem definido.

A inflação é a principal preocupação para 35% dos CEOs, pressionando custos de insumos, logística e margens operacionais.

Outros fatores relevantes incluem:

  • Instabilidade macroeconômica — 33%
  • Mudanças climáticas — 33%, com exposição superior à média nacional
  • Falta de talentos qualificados — 25%
  • Conflitos geopolíticos e tarifas — 25%

Segundo Mayra Theis, sócia e líder de Agribusiness da PwC Brasil, liderar nesse ambiente exige capacidade de alternar rapidamente entre prioridades imediatas e estratégias de longo prazo.

A armadilha do curto prazo

Um dos alertas mais relevantes da pesquisa envolve a gestão do tempo dos líderes.

Hoje, 54% da agenda dos CEOs do agro é consumida por temas de curto prazo, enquanto apenas 15% é dedicada a discussões com horizonte superior a cinco anos.

Esse desequilíbrio pode limitar a capacidade das empresas de responder a transformações estruturais — como inovação, adaptação climática e sustentabilidade.

👉 O maior desafio do agro moderno não é apenas crescer — é crescer olhando para frente.

Clima ainda não virou estratégia central

Mesmo com elevada exposição ambiental, a integração do risco climático às decisões corporativas ainda é parcial:

  • 43% consideram o tema no desenvolvimento de produtos;
  • 25% o incorporam à alocação de capital;
  • 23% o incluem na cadeia de suprimentos.

Os números da 29ª Global CEO Survey indicam progresso, mas também revelam que o setor ainda precisa transformar risco climático em vantagem competitiva.

O que separa líderes de seguidores

A conclusão do estudo aponta um padrão claro: empresas mais dinâmicas — que investem, inovam e entram em novos mercados — tendem a crescer mais rápido e operar com margens superiores.

Já organizações que adiam decisões estratégicas diante da incerteza costumam perder competitividade.

29ª Global CEO Survey: Em resumo

O agronegócio brasileiro caminha para uma nova fase — menos dependente de modelos tradicionais e mais conectado à tecnologia, à inovação e aos fluxos globais de capital. O futuro do setor não será definido apenas pela produtividade dentro da porteira, mas pela capacidade de reinvenção fora dela.

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