México impõe limites à importação de carnes e fixa cotas isentas de tarifas até 2026; entenda

Medida afeta diretamente o comércio internacional de carne bovina e suína e sinaliza avanço do protecionismo em meio à pressão inflacionária global; Veja o que mundo agora que o México impõe limites à importação de carnes e fixa cotas isentas de tarifas até 2026

O governo do México deu mais um passo importante na reconfiguração de sua política de importação de alimentos ao oficializar, nesta segunda-feira (5), novas cotas para a importação de carne bovina e suína com isenção tarifária, válidas até 31 de dezembro de 2026. A decisão ocorre em um contexto de pressão inflacionária persistente e reforça uma tendência crescente de protecionismo no mercado internacional de proteínas animais.

A medida complementa uma resolução adotada no fim de dezembro, quando o México retirou ambas as proteínas do Paquete Contra la Inflación y la Carestia (Pacic) — programa criado para conter a alta dos preços dos alimentos por meio da redução de tributos. Com isso, o país passa a estabelecer limites claros de volume para as importações livres de impostos, alterando a dinâmica do comércio com grandes fornecedores, como o Brasil.

México impõe limites à importação de carnes: Quais são as cotas estabelecidas?

De acordo com o comunicado oficial, o México definiu que:

  • Carne suína: até 51 mil toneladas poderão ser importadas sem cobrança de imposto
  • Carne bovina: a cota isenta será de 70 mil toneladas

Esses volumes não são destinados a um país específico, valendo para todos os exportadores que comercializam carnes com o México, exceto aqueles que já possuem acordos comerciais vigentes com o país. Importações que ultrapassarem esses limites passarão a ser tarifadas.

Tarifas para volumes excedentes

Para os embarques que ultrapassarem as cotas estabelecidas, o governo mexicano confirmou a aplicação de tarifas significativas:

  • 20% de imposto para a carne bovina
  • 16% de imposto para a carne suína

Esses percentuais foram oficialmente confirmados na segunda-feira e passam a valer imediatamente, funcionando como um instrumento de controle sobre o volume importado e de estímulo à produção doméstica.

Impacto direto para o Brasil

O Brasil figura entre os principais fornecedores de carnes ao mercado mexicano. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), entre janeiro e novembro de 2025, o país exportou:

  • 74,3 mil toneladas de carne suína, gerando R$ 181,4 milhões em receita
  • 113,2 mil toneladas de carne bovina, com faturamento de R$ 618,9 milhões

Esses números mostram que, especialmente no caso da carne bovina, o volume exportado pelo Brasil supera a cota isenta estabelecida, o que indica que parte das vendas poderá ser impactada pela nova tarifação, dependendo da estratégia comercial adotada pelos importadores mexicanos.

Protecionismo ganha força no mercado global

Para o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, a decisão do México não é isolada, mas faz parte de um movimento mais amplo no cenário internacional. Segundo ele, o mundo caminha para uma nova fase de protecionismo, em que países passam a aceitar pressões inflacionárias como forma de incentivar a produção interna.

“Diversos países tendem a recorrer à definição de cotas para importações de carnes, buscando proteger seus mercados domésticos”, avalia Iglesias.

O analista lembra que, recentemente, a China também adotou medidas semelhantes, impondo limites e tarifas à importação de carne bovina, o que reforça a percepção de mudança estrutural nas regras do comércio internacional de proteínas animais.

Riscos para o equilíbrio entre oferta e demanda

Outro ponto de atenção destacado por Iglesias é o fato de que a expansão da produção de carnes, especialmente da carne bovina, não ocorre de forma imediata. Diferentemente de outros setores, a pecuária exige tempo para ajuste de rebanho, genética e escala produtiva.

Nesse contexto, a imposição de cotas pode gerar desequilíbrios temporários entre oferta e demanda, afetando preços internacionais, fluxos comerciais e a competitividade de países exportadores, como o Brasil.

O que o mercado deve acompanhar

Com a medida em vigor até o fim de 2026, especialistas indicam que o setor deve monitorar atentamente:

  • A evolução das compras mexicanas dentro das cotas
  • A reação dos preços internacionais da carne
  • Possíveis ajustes logísticos e comerciais dos exportadores
  • Novos movimentos protecionistas de outros países

A decisão do México reforça que o comércio global de carnes entra em um período de maior regulação, previsibilidade limitada e necessidade de planejamento estratégico, especialmente para países altamente dependentes das exportações.

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