A melhora do resultado financeiro está ligada à combinação entre captura de sinergias, maior escala e capacidade de arbitragem entre mercados.
São Paulo, 19 – A Minerva Foods reverteu o prejuízo registrado um ano antes e reportou lucro líquido de R$ 85 milhões no quarto trimestre de 2025, ante resultado negativo de R$ 1,57 bilhão em igual período de 2024, segundo balanço divulgado na quarta-feira, 18, depois do fechamento do mercado financeiro.
O desempenho foi acompanhado por avanço relevante dos indicadores operacionais e de rentabilidade.
O Ebitda somou R$ 1,17 bilhão no período, alta de 24,1% na comparação anual, enquanto a margem Ebitda ficou em 8,2%, com leve compressão ante os 8,8% de um ano antes.
A receita líquida atingiu R$ 14,2 bilhões no trimestre, crescimento de 32,6%, refletindo o aumento de volumes e o maior nível de atividade após a integração dos ativos adquiridos na América do Sul.
Segundo a companhia, a melhora do resultado financeiro está ligada à combinação entre captura de sinergias, maior escala e capacidade de arbitragem entre mercados. “A sólida performance da companhia ao longo do ano confirma a eficiência do nosso modelo de negócios e a nossa capacidade em arbitrar mercados”, afirmou o CEO Fernando Queiroz.
Outro destaque foi a evolução da estrutura de capital. A Minerva encerrou dezembro com alavancagem de 2,6 vezes (dívida líquida/Ebitda), em queda frente ao patamar de 3,7 vezes observado um ano antes, movimento sustentado pela geração de caixa e pela estratégia de gestão de passivos.
Ao longo de 2025, a companhia recomprou e cancelou US$ 586,3 milhões em bonds, em uma estratégia voltada à redução do endividamento e ao alongamento do perfil da dívida. A geração de caixa livre somou R$ 1,5 bilhão no ano, reforçando a diretriz da companhia de priorizar liquidez e disciplina financeira. Desde 2020, o fluxo de caixa livre acumulado chega a R$ 8,9 bilhões.
No consolidado de 2025, a Minerva registrou lucro líquido de R$ 848,3 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 1,56 bilhão em 2024. O Ebitda atingiu R$ 4,8 bilhões, alta de 54,1%, enquanto a receita líquida avançou 60,9%, para R$ 54,8 bilhões, ambos recordes.
A companhia destacou ainda que os resultados vieram acima das expectativas iniciais do mercado, com desempenho cerca de 20% superior ao consenso em receita e Ebitda, além de geração de caixa positiva, frente à expectativa negativa no início do ano.
Expansão
A Minerva Foods registrou forte expansão operacional no quarto trimestre de 2025, com avanço de volumes, receita e maior contribuição das exportações, impulsionada pela integração dos ativos na América do Sul e pelo cenário favorável no mercado internacional de proteína bovina. O volume total de vendas cresceu 21,5% no trimestre, para 497,8 mil toneladas, enquanto o abate avançou 24,5%, somando 1,48 milhão de cabeças.
A receita bruta atingiu R$ 15,1 bilhões no período, alta de 31,8%, com as exportações respondendo por 60% do total. Um dos principais vetores de crescimento no período foi a consolidação da integração dos ativos adquiridos na América do Sul. O processo, concluído antes do prazo inicialmente previsto, permitiu acelerar volumes, ampliar a receita e capturar sinergias operacionais.
No consolidado de 2025, o volume vendido cresceu 31,5%, para 1,97 milhão de toneladas, enquanto o abate avançou 35%, somando 5,96 milhões de cabeças. A receita bruta totalizou R$ 58 bilhões, alta de 59,7% na comparação anual.
O desempenho operacional foi sustentado por um ambiente global marcado por restrição de oferta de gado, especialmente nos Estados Unidos, e por demanda aquecida em mercados-chave. Segundo a companhia, a contração do rebanho norte-americano segue pressionando preços e abrindo oportunidades para exportadores da América do Sul.
Na Ásia, a China permaneceu como principal destino, enquanto países do Sudeste Asiático, como Indonésia, Vietnã, Malásia e Filipinas, ampliaram o consumo e as importações de carne bovina. A companhia também destacou o México como mercado estratégico, tanto pela demanda doméstica quanto pela proximidade com os Estados Unidos.
Segundo a companhia, os novos ativos geraram R$ 12,1 bilhões em receita bruta em 2025, com volume de 481,9 mil toneladas. Com a normalização das operações na segunda metade do ano, a empresa já projeta uma receita anualizada próxima de R$ 16 bilhões e Ebitda entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão para esse conjunto de ativos, acima das expectativas iniciais.