Com quase meio milhão de unidades vendidas, modelo histórico a Mitsubishi L200 deixa o mercado e abre espaço para uma nova estratégia da fabricante japonesa, que aposta na sexta geração da Triton para atender desde o trabalho pesado até o uso fora de estrada.
A saída de cena de um dos nomes mais tradicionais do mercado automotivo brasileiro – não apenas no setor de picapes – marca uma virada estratégica importante para a fabricante japonesa Mitsubishi Motors. Após mais de três décadas de presença nas estradas e no campo, a Mitsubishi L200 deixou oficialmente de ser comercializada no Brasil no final de 2025 — e já não aparece mais no site da marca.
A confirmação veio da HPE, representante da montadora no país, que anunciou o encerramento da trajetória de 34 anos da picape média no mercado brasileiro. O movimento não significa uma saída do segmento — pelo contrário. A nova geração do modelo, lançada em novembro de 2024, passou por uma reformulação e agora atende apenas pelo nome Mitsubishi Triton, tornando-se a única caminhonete do portfólio da marca no Brasil.
Por que a Mitsubishi L200 saiu de linha?
A decisão está diretamente ligada ao reposicionamento da linha. Durante parte de 2025, a antiga L200 ainda foi produzida na fábrica de Catalão (GO) ao lado da sexta geração. No entanto, com a chegada de versões mais básicas da Triton, voltadas ao trabalho pesado, manter duas configurações distintas deixou de fazer sentido comercialmente.
Ao longo de sua história, a L200 acumulou números expressivos — foram quase 500 mil unidades vendidas no país, consolidando o modelo como um dos pilares da presença da Mitsubishi entre produtores rurais, empresas e consumidores que buscavam robustez.
Agora é só Triton — e com foco ampliado
Com o novo cenário, caberá à Triton atender toda a demanda por picapes da marca. A versão GL, por exemplo, será oferecida exclusivamente para empresas e poderá ser equipada com câmbio manual ou automático, com preços informados sob consulta.
Além dela, o modelo também é comercializado nas versões GLS, HPE, HPE-S e Katana, além da tradicional configuração aventureira Savana, conhecida pelo apelo off-road.
Motor, desempenho e tração
Independentemente da versão, a sexta geração utiliza sempre o mesmo conjunto mecânico:
- Motor 2.4 turbodiesel de 205 cv
- Torque de 47,9 kgfm
- Câmbio manual de seis marchas na GL
- Automático de seis marchas nas demais versões
A tração 4×4 é item comum em toda a linha, mas há diferenças técnicas relevantes:
- Easy Select nas versões de entrada, com três modos de condução
- Super Select II nas versões superiores, que acrescenta bloqueio central e do diferencial traseiro
Na prática, isso amplia a versatilidade da picape — desde operações agrícolas até trajetos extremos.
Mitsubishi L200: Uma trajetória que começou nos anos 1990
A história da Mitsubishi L200 no Brasil remonta a 1991, quando o modelo chegou importado em sua segunda geração. Poucos anos depois, a produção nacional começou com a inauguração da fábrica da Mitsubishi em Catalão.
Entre os marcos da evolução do modelo estão:
- 1998: início da fabricação nacional com motor 2.5 diesel de 87 cv.
- 2003: terceira geração introduziu o câmbio automático em picapes a diesel no país.
- 2007: quarta geração, chamada L200 Triton, trouxe motor 3.2 turbodiesel de até 180 cv.
- 2016: quinta geração adotou motor 2.4 turbodiesel de 190 cv e passou por facelift em 2021.
A sexta geração já havia chegado ao mercado no final de 2024 — o que, na prática, preparou o terreno para a aposentadoria definitiva do nome L200.
O que muda para o mercado?
A estratégia de concentrar esforços em um único modelo segue uma tendência global da indústria automotiva: reduzir complexidade de portfólio, ganhar escala e fortalecer a identidade do produto.
Para o consumidor — especialmente o produtor rural e empresas — o impacto tende a ser limitado, já que a Triton assume o papel com tecnologia mais recente, maior oferta de versões e capacidade ampliada.
Ao mesmo tempo, o fim da L200 simboliza o encerramento de um ciclo importante. Durante décadas, a picape ajudou a moldar a imagem da Mitsubishi no Brasil como sinônimo de robustez e confiabilidade — atributos valorizados tanto nas cidades quanto no agronegócio.
Mais do que o fim de um modelo, trata-se de uma transição geracional — com a Triton assumindo o protagonismo de uma nova fase da marca no país.
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