Museu da Música Sertaneja: projeto de R$ 60 milhões pode transformar Goiânia

Complexo prevê arena para 4 mil pessoas, experiências imersivas e espaços culturais que podem impulsionar o turismo e consolidar a cidade como referência da música sertaneja.

Berço de grandes nomes da música sertaneja, Goiânia pode estar prestes a viver um marco histórico em sua trajetória cultural. Um projeto estimado em cerca de R$ 60 milhões prevê a criação de um megacomplexo dedicado à música sertaneja, estrutura que deve reunir museu interativo, arena para milhares de pessoas e experiências imersivas, com potencial para transformar a capital em um dos principais polos do gênero no Brasil.

A iniciativa é articulada em parceria entre a Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) e a Prefeitura de Goiânia, com previsão de instalação no Parque de Exposições Agropecuárias. A proposta vai além de um museu tradicional: o espaço foi concebido para oferecer vivências culturais, homenagens a artistas e uma infraestrutura preparada para grandes eventos e produções musicais.

Se sair do papel, o complexo tem potencial para impulsionar o turismo, fortalecer a economia criativa e consolidar Goiânia como referência nacional da música sertaneja — um gênero que nasceu no interior, conquistou o país e hoje movimenta multidões.

Não é por acaso que Goiânia é chamada de capital da música sertaneja

Muito antes de se consolidar como potência do agronegócio, Goiás já construía sua reputação como um dos maiores celeiros da música sertaneja. Ao longo das últimas décadas, o estado revelou artistas que não apenas dominaram as paradas de sucesso, mas também ajudaram a modernizar o gênero e ampliar seu alcance para públicos urbanos e internacionais.

Entre os nomes mais emblemáticos está Zezé Di Camargo & Luciano, nascidos em Pirenópolis e Goiânia, responsáveis por uma das carreiras mais longevas e bem-sucedidas do sertanejo. Outro fenômeno é Leandro & Leonardo, dupla que marcou gerações e deixou um legado decisivo para a popularização do estilo nos anos 1990.

Goiás também é terra de Jorge & Mateus, protagonistas da era do sertanejo universitário e donos de alguns dos maiores públicos do país, além de Marília Mendonça, cantora goiana que se tornou um dos maiores ícones femininos da história do gênero e referência para uma nova geração de artistas.

A lista inclui ainda nomes como Bruno & Marrone, conhecidos pela força interpretativa e repertório romântico, e Gusttavo Lima, artista que alcançou projeção internacional e ajudou a consolidar o sertanejo como um produto cultural de grande escala.

Esse histórico ajuda a explicar por que a criação de um complexo dedicado ao gênero faz tanto sentido para Goiânia — trata-se de uma cidade que não apenas consome sertanejo, mas que ajudou a moldar a identidade musical do Brasil.

Estrutura moderna e investimento milionário

O investimento estimado para tirar o projeto do papel gira em torno de R$ 60 milhões, valor que reforça a ambição de criar um espaço capaz de atrair visitantes de todo o país.

A SGPA deve ceder uma área de aproximadamente 4,5 mil metros quadrados para a implantação do Museu da Música Sertaneja, localizado estrategicamente nos fundos da área onde tradicionalmente são montados os palcos dos grandes shows do parque.

Além da cessão do terreno, não está descartada a participação financeira da entidade, indicando um modelo de cooperação que pode envolver diferentes setores.

Experiência imersiva e homenagem aos ícones do gênero

O projeto prevê uma estrutura altamente interativa, pensada para ir além da simples exposição de objetos históricos. Entre os principais destaques estão:

  • Museu interativo com exposições sensoriais
  • Hall da fama com bonecos de cera de artistas consagrados
  • Túnel imersivo com painéis de LED em formato de sanfona
  • Calçada da fama inspirada no modelo de Hollywood

A proposta também inclui a participação de artistas na formação do acervo, com doações de instrumentos, figurinos e discos históricos — um movimento que pode fortalecer o vínculo entre memória e identidade cultural.

Arena, estúdios e espaços educacionais

Mais do que um museu da música sertaneja, o complexo foi concebido como um polo multifuncional. Estão previstos:

  • Arena com capacidade para até 4 mil pessoas
  • Espaços para shows, eventos e transmissões ao vivo
  • Estúdios de gravação
  • Salas de aula e áreas para workshops
  • Lojas, bar e restaurante temático
  • Rooftop para cerca de 250 pessoas

O objetivo é criar um ambiente capaz de atender desde grandes apresentações até atividades formativas, conectando passado, presente e futuro do sertanejo.

Arquitetura simbólica e identidade regional

O conceito arquitetônico também deve dialogar diretamente com as raízes do gênero. Uma das ideias é que o prédio tenha formato de ferradura, com uma viola caipira como portal de entrada, simbolizando as origens da música sertaneja.

O complexo pode ocupar cerca de 19 mil metros quadrados, com estacionamento próprio e estrutura preparada para eventos especiais.

Projeto que pode expandir o turismo cultural

Além da construção física, o plano prevê ações paralelas para espalhar a cultura sertaneja pela cidade, como monumentos em homenagem a grandes nomes do gênero e até um caminhão-palco itinerante para levar apresentações a diferentes regiões.

Caso seja concretizado, o empreendimento tem potencial para se tornar um dos maiores símbolos culturais do país, impulsionando turismo, educação e economia criativa — especialmente em uma cidade já associada ao crescimento do sertanejo moderno.

complexo dedicado à música sertaneja
Presidente da SGPA, Gilberto Marques Neto | Foto: Divulgação

Integração com grandes eventos da cidade

A parceria entre SGPA e prefeitura já resultou, anteriormente, na gratuidade da Pecuária de Goiânia, e existe o interesse de manter esse modelo, embora a decisão dependa de apoio parlamentar e parcerias com a iniciativa privada.

Esse histórico de cooperação reforça a estratégia de transformar o parque em um espaço cada vez mais integrado à população.

Museu da música sertaneja: Um novo capítulo para a capital da música

Ainda em fase de desenvolvimento, o complexo sertanejo – museu da música sertaneja – surge como uma proposta capaz de reposicionar Goiânia no mapa cultural brasileiro. Ao combinar tecnologia, experiências imersivas e valorização da história do gênero, o projeto sinaliza uma tendência crescente: investir em equipamentos culturais que também funcionem como motores econômicos.

Se avançar, a iniciativa não apenas celebrará um estilo musical que nasceu no interior e conquistou multidões, mas também poderá consolidar a cidade como epicentro permanente da cultura sertaneja.

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